São Paulo,  
Busca:   

 

 

Drogas Ilícitas

 

LEGALIZAÇÃO DAS DROGAS, matéria do The Observer britânico

Por OBSERVER-AUGUSTUS MACQUEEN

The Observer: Após 18 meses de viagens pelos caminhos da cocaína, um premiado cineasta relata o quadro de violência, corrupção e devastação social que presenciou no Peru, na Colômbia e no Brasil.
-drogas sintéticas-metanfetaminas-


Isso é o que acontece quando seus pulmões se ferram”, diz o cozinheiro enquanto desatarraxa uma garrafa plástica e despeja cuidadosamente ácido clorídrico em um líquido marrom. Com um revólver na cintura, ele reage a qualquer som, mesmo o das galinhas que ciscam pela grama. Fomos ordenados a correr se começar algum tiroteio, mas não sabemos para onde. No fundo da bacia, o ácido e o líquido marrom começam a ficar brancos. Um minuto no microondas e temos 1 quilo de cocaína.

Estamos nas profundezas da selva peruana assistindo à transformação de folhas de coca em uma das mais potentes commodities do planeta. Usando algumas folhas, cal, álcool e ácido, a cocaína custa cerca de R$ 2.500 por quilo para ser produzida. Quando chega às ruas de Londres, suplementada por qualquer aditivo, desde aspirina até vidro em pó, já pesa 2 quilos e vale cerca de R$ 175 mil. Um lucro de R$ 172,5 mil.

Por 18 meses eu persegui histórias sobre a droga ícone da atualidade. Jornada que me levou às profundezas dos Andes, no Peru, para ver a produção da cocaína e a devastação de uma cultura; para as favelas do Rio, para ver uma cidade em guerra; para as fazendas dos traficantes colombianos, para ver o esfacelamento de uma nação. Procurávamos as vozes dos homens e das mulheres por trás dessa produção, para explorar o efeito em suas vidas da “guerra contra as drogas” do Ocidente.

O sucesso de meus produtores em convencer esses foras-da-lei a falar diretamente para a câmera revela a confiança de alguns e o desespero de outros.

Nos 20 anos que percorri o mundo filmando, nunca provei a cocaína, mesmo com sua disponibilidade cada vez maior. No começo do projeto, eu apoiava plenamente a política liberal do governo Blair de deixar as pessoas possuir e fumar maconha. Concordava que drogas fortes como a cocaína e a heroína permaneciam além dos limites, aceitando que precisávamos combatê-las de todos os modos possíveis. Mesmo que tenha alguns amigos que consigam consumir a ocasional carreira sem problemas, eu já testemunhei os efeitos perturbadores do vício.

A jornada que vivi revolucionou minhas posições. Agora acredito que a tragédia que testemunhamos na América Latina tem pouco a ver com o dano que as drogas causam à cabeça das pessoas. Ela é resultado da criminalização das drogas. Um lucro de R$ 172,5 mil motiva muita violência.

Minha viagem começou no outono de 2003 no belo vale de Monzón, nos Andes peruanos. A estrada margeia um desfiladeiro e passa por vilarejos dilapidados cercados pela selva densa. Gradualmente os morros se tornam montanhas, acessíveis somente por trilhas. Esse é um antigo território Inca, mas meu guia nem sequer menciona o vale. Ele descreve uma estrada anterior como uma “rota perigosa”. A razão é óbvia: grudadas aos sopés das montanhas estão fileiras de plantas verdes: campos de coca.

No Peru (ao contrário da Colômbia) é permitido o plantio de um montante de coca para “uso pessoal”, já que por séculos as pessoas mascam as folhas por seu efeito energético e para minimizar a dor de dente. Mas esses campos não são para uso pessoal.

Ao chegar na rua sem saída no fim do vale, sinto que entrei num romance de Gabriel García Márquez. As poucas pessoas sentadas em bancos à sombra do lado de fora do Hotel Central passam o tempo cuspindo. Elas nos ignoram, mas todos aqui já sabem que existe um gringo na cidade. Monzón é um dos lugares em que a polícia não aparece há dez anos. Os locais não gostam dos forasteiros que, invariavelmente, chegam para destruir seu estilo de vida. Às 22 horas, a eletricidade é cortada e a cidade fica na penumbra. Sozinho em meu quarto de hotel, uma prisão infestada de mosquitos, qualquer sombra que passa poderia estar armada com um revólver.

Dado o glamour da cocaína, a coisa mais impressionante do vale é a pobreza. A uma hora de caminhada por uma das trilhas, a família Zavala vive em um pequeno barraco de madeira. A coca é sua única plantação e a família está constantemente colhendo e secando – produz folhas quatro vezes por ano.

O pai, Edgar, é uma pequena figura taciturna que anda por aí com uma camiseta rasgada e o bigode compulsório. Ele fala mansamente da campanha governamental de erradicação e de um fungo lançado por spray que está secando suas plantas e por vezes até envenenando a população local. O vale é alvo principal da campanha, feita pela polícia antidrogas peruana e financiada pelos Estados Unidos como parte de sua tentativa de erradicar a produção no Peru e na Colômbia.

Enquanto trabalhadores rurais dizem que só produzem folhas de coca e não têm qualquer relação com a produção de cocaína, Edgar admite que já teve um pequeno “laboratório” para fazer a pasta, o primeiro estágio para converter folhas em cocaína. “Eu não o tenho mais. Não conseguimos produzir o suficiente por causa do fungo. Parei tudo quando vi que era muito risco e nenhum lucro.” Ele se lembra que no passado todos simplesmente subornavam a polícia. “Por anos o Exército fez o transporte da droga para fora do vale.”

A campanha recente está causando danos. Edgar não consegue mais manter seu filho adolescente na escola. O filho trabalha na fazenda – mas, ironicamente, dizem que ele pode se juntar à polícia antidrogas, que paga bem e em dólares. Sua filha de 20 anos ainda estuda, mas se dispõe a fazer qualquer coisa para sair do vale. Ela se tornou dançarina e é atraída pela prostituição. “Todas as meninas que dançam conseguem propostas daqueles com o poder, os traficantes, os que têm armas.”

Edgar masca sua coca: “O governo não pensou nas conseqüências dessa campanha. Se as coisas continuarem desse jeito, nós seremos forçados a pedir o apoio dos guerrilheiros para nossa proteção”. Os guerrilheiros são o Sendero Luminoso, que aterrorizou o Peru nos anos 80, mas que desapareceu quando seu líder foi capturado há dez anos. Agora dizem que eles podem voltar para defender os pequenos fazendeiros. Edgar deve saber do que fala. Ele é um ex-comandante guerrilheiro. Isso foi exatamente o que aconteceu na Colômbia – os guerrilheiros das Farc se envolveram profundamente com a cocaína, sob o pretexto de defender os pequenos fazendeiros.

É certo que os produtores estão com um posicionamento radical. Eles organizam protestos contra o governo e os Estados Unidos, gritando slogans como “Por que os gringos maus poluíram nossas pequenas plantas?”

Seu líder, Iburcio Morales, diz: “Nossas plantações, não só de coca, estão sendo atacadas pelo fungo. Assim o programa de substituição de plantações será inútil”. Ele se refere à segunda parte do ataque contra a coca: um programa governamental apoiado pela ONU que estimula os fazendeiros a trocar a coca por arroz, banana, abacate ou café.

Os fazendeiros dizem que as alternativas não são rentáveis.

O Ocidente não quer suas bananas. “Nos EUA e na União Européia, os produtores têm subsídios e nós não temos nada.” Nosso consultor em Lima, que trabalha no programa da ONU, diz que os produtores peruanos estão essencialmente corretos: “Eles tentam outras coisas. Conseguem uma colheita por ano e depois não conseguem vender o que produzem. As coisas não dão certo e eles voltam para a coca”. Então eles entram cada vez mais nas montanhas para criar novos campos de plantação. Os laboratórios os seguem.

Enquanto filmamos, autoridades chegam – oito helicópteros com equipes armadas para lançar uma missão no vale. Peço para voar com eles e sou aconselhado a consultar a embaixada americana. “Os americanos são donos dos helicópteros e pagam pelas missões. Eles decidem essas coisas.” Parece que os fazendeiros têm razão quando reclamam que as políticas não vêm de Lima, mas dos “imperialistas do Norte.” Uma autoridade na embaixada americana nos recusa o pedido.

Depois de três dias, os comandantes peruanos bradam orgulhosamente que destruíram mais de 70 laboratórios de pasta. Mas, quando voltamos ao vale, o cozinheiro que nos mostrou como fazer cocaína não desanima: “Você precisa de muito pouco para montar um laboratório – uma prensa e alguns baldes. Você pode organizar um em poucas horas. As pessoas vão ficar paranóicas por alguns dias, mas logo elas voltam. É o único jeito de sobreviver por aqui”.

Um mês depois, ele nos mandou uma mensagem dizendo que conseguiu produzir mais de uma tonelada de cocaína. A tonelada foi levada com sucesso até a Europa. Nosso cozinheiro ganhou cerca de R$ 500 mil. E pouco depois, no mesmo outono, como previu Edgar, o Sendero Luminoso reiniciou suas operações. Pela primeira vez em muitos anos os guerrilheiros lançaram um ataque maciço contra uma cidade perto do vale. Afastaram a polícia e levantaram a bandeira vermelha, dizendo que queriam defender os produtores de coca. Um conflito financiado pela cocaína paira no ar – como na Colômbia – e as vítimas novamente serão os pequenos produtores.

Maria Christina Chirolla é uma mulher atraente com seus 40 e poucos anos – sorriso bonito, cabelo cuidado, tailleur escuro. É difícil acreditar que tem sua cabeça a prêmio. Estamos em seu escritório no prédio da procuradoria-geral em Bogotá, um bunker de concreto, à prova de bombas. Ela é chefe de uma unidade que combate a lavagem de dinheiro – estimada em R$ 20 bilhões, que os traficantes colombianos lucram a cada ano.

Cercada por secretários e um porta-voz, ela fala da nova política de tomar propriedades e empresas dos traficantes. Com conselhos e ajuda financeira generosa dos EUA, diz ela, estão fazendo verdadeiros progressos na guerra contra as drogas, restabelecendo o Estado de direito... Percebo um rosto familiar na parede. “Por que você tem um Kafka na parede?”, pergunto. Chirolla sorri, mas continua com sua história de sucesso.

Meia hora depois de deixarmos o escritório, toca o celular do meu produtor Guillermo. É Maria Christina Chirolla que se convida para jantar. Ela aparece no hotel de moletom, sem maquiagem. “Vou tomar uma sopa, estou de dieta.”

Apaixonada e comprometida com sua causa, e também assustada – por três horas ela nos fala da escala do problema. “Como podemos destruir uma indústria que gera dinheiro suficiente para formar exércitos privados? Como combatemos pessoas que podem comprar os melhores advogados e conselheiros financeiros? Por 25 anos, bilhões de dólares foram lavados e entraram novamente na economia local em todos os níveis e não conseguimos mais notar a diferença.”

Chirolla tece o panorama do pesadelo que é o governo na Colômbia. Não se pode confiar em ninguém. Os traficantes subornaram do mais poderoso ao mais raso. E se não conseguem comprar uma autoridade, a matam – um hábito que tornou a Colômbia em um dos lugares mais perigosos do mundo. Um assassino pode ser alugado a R$ 300 por alvo.

Estávamos filmando Chirolla quando ela descobriu que dois homens haviam sido pegos enquanto planejavam assassiná-la. Deveria acontecer quando estávamos com ela, viajando no que seria uma missão secreta para vasculhar a propriedade de um traficante. “Tudo vaza aqui”, diz ela. Dias depois soube que uma célula terrorista foi montada por traficantes exclusivamente para matá-la. A célula ficava no clube de oficiais do Exército em Bogotá.

Por que ela se mantém no emprego? “Porque a Colômbia precisa de gente honesta. É tão hipócrita: meu país é visto como o centro mundial da violência e da corrupção – mas o dinheiro vem da venda de drogas nos Estados Unidos e na Europa.”

O Plan Colombia, o maior pacote financeiro americano já mandado para um país fora do Oriente Médio, despejou mais de US$ 3 bilhões em recursos militares nos últimos cinco anos. O objetivo inicial do plano era destruir a indústria da cocaína em seu coração, no Peru, mas agora um astuto governo de centro-direita na Colômbia convenceu o presidente Bush a deixar que usem o dinheiro em sua batalha contra as Farc, dizendo que estão envolvidos no comércio de cocaína. Então a guerra contra as drogas entra na luta contra o terrorismo.

Mas as causas da guerra civil colombiana não se relacionam com as drogas. A guerra dura mais de meio século e grande parte do país está fora do controle do governo. Já não é possível se deslocar em segurança nas estradas entre as cidades.

Enraizada nas políticas revolucionárias de 50 anos atrás, a guerra ainda é descrita em termos de esquerda e direita. Na maioria do resto da América Latina, os conflitos morreram com a Guerra Fria. Na Colômbia, a cocaína mantém a guerra viva.

As várias facções tomaram as posições antes mantidas pelos cartéis – os paramilitares de direita mais do que os guerrilheiros de esquerda. Os paramilitares são os verdadeiros controladores do comércio de drogas e, para encontrá-los, é preciso conseguir permissão para entrar em seu território. Depois de um vôo até o norte e uma viagem por belos pastos, somos acolhidos por um comandante, de codinome Zero 8, em um rancho. Ele estava acompanhado de seu leopardo de estimação.

Zero 8 é de uma rica família de proprietários rurais e tem um irmão senador. Ele não quer aparecer diante das câmeras, mas permite a filmagem dos 300 combatentes armados que desfilam pelo campo de futebol. “Pagamos bem nossos 25 mil homens e lhes damos férias”, diz, orgulhoso. Zero 8 se juntou aos paramilitares para defender a fazenda da família contra os guerrilheiros. Segundo ele, os paramilitares são aliados do governo e sua meta é eliminar a subversão de esquerda. Mas há diversos relatos de massacres e assassinatos de sindicalistas pelos paramilitares.

Depois do anoitecer surge seu líder, escoltado por seguranças armados com metralhadoras Uzi. Salvatore Mancuso, usando uma camisa de linho, um Rolex, um revólver e um sorriso perigoso, é exatamente a imagem que eu tinha de um grande traficante.

Enquanto seus subordinados falam abertamente de seu envolvimento com a cocaína, Mancuso não abre a guarda: “Setenta por cento de nossas tropas estão em territórios tomados dos guerrilheiros e onde ocorre o tráfico de drogas – então 70% de nosso dinheiro vem de impostos cobrados sobre esse tráfico”.

De novo com Maria Christina Chirolla, nós viajamos em uma lancha confiscada. O oficial-marinheiro nos diz que “uma lancha como essa deixa a costa colombiana valendo R$ 500 mil e chega ao México valendo cerca de R$ 50 milhões”. Ele explica como os aviões voam baixo na América Central e “é claro que existem submarinos fabricados especialmente para fazer o transporte ao longo da costa do Pacífico”. O marinheiro deixa claro que os paramilitares controlam essas rotas ao norte.

Apesar disso, o governo está em negociações de paz com os paramilitares. Em julho passado, o Congresso colombiano convidou Salvatore Mancuso a fazer um discurso sobre a guerra contra a subversão. Sob proteção governamental, ele chegou de terno para falar ao Congresso dos feitos de suas tropas. Ele não mencionou as drogas. Enquanto um traficante colombiano discursa no Congresso, os EUA dizem que o Plan Colombia é um sucesso, milhões de colombianos são expulsos de suas terras e o preço da cocaína nas ruas do Ocidente continua o mesmo. E o preço é determinado pela quantidade disponível.

Estamos agachados em uma casa na favela Santa Marta, no Rio. Lá embaixo está a Cidade Maravilhosa, suas praias cheias de pessoas lindas. Dentro da casa, um grupo de garotos cobre o rosto com balaclavas. Eles estão enchendo saquinhos plásticos com um pó branco de uma bandeja, enquanto falam com ternura de seus “equipamentos”, que vão desde uma pistola Magnum a lançadores de foguetes e bombas caseiras. Seu líder, um adulto quase adolescente, deixa claro: “Sem a coisa branca aqui não existe o crime. Aqui é que está o dinheiro. Somos o poder paralelo”.

Um homem se lembra de que, aos 11 anos, ele foi atraído por uma gangue, por que sua mãe não podia comprar chinelos para os filhos e precisava vasculhar o lixo para encontrar comida. Ele quer que seus filhos estudem para que não precisem se juntar às gangues.

Enquanto embalam a droga, os meninos passam a cheirar a cocaína e a mostrar revólveres, segundo eles, comprados da polícia. Mais uma vez o dinheiro da droga apodreceu o sistema. Acabamos filmando uma batida policial – revólveres disparam em todas as direções. Papelotes de cocaína são apreendidos. Três semanas depois, soubemos que o policial que comandou a batida foi preso – por vender as drogas de volta às gangues.

Assim como a guerra civil colombiana, os problemas sociais não são causados exclusivamente pela cocaína. Mas o pó branco despeja muito dinheiro criminoso no conflito. O retrato, em escala menor, também se encontra nos bairros pobres dos EUA e do Reino Unido. Quando lemos uma manchete sobre o aumento da criminalidade, a frase “relacionado com drogas” não está muito longe.

A jornada me fez pensar o que era antes impensável politicamente. Com uma eleição chegando, o governo Blair fez da guerra contra as drogas uma prioridade, mais uma vez equacionando o seu consumo com o crime e a violência que o cercam. Mas a guerra em si não é o problema.

Os políticos têm razão quando dizem que a demanda vai crescer se forem legalizadas. Não seria bonito, mas também não seria o pesadelo que eles descrevem. Sejamos honestos. Dezenas de milhares de cidadãos britânicos usam regularmente cocaína e outras drogas ilegais, ridicularizando a lei. Em seu livro Cocaine, Dominic Streatfield cita o monetarista Milton Friedman: “Eu não acho que se possa acabar com a demanda. A lição que não conseguimos aprender é que a proibição nunca funciona. Faz as coisas piorarem, não melhorarem”.

Streatfield cita as extraordinárias estatísticas envolvidas na luta contra a cocaína e as drogas. Aqui estão algumas: nos últimos 15 anos, os EUA gastaram R$ 760 bilhões tentando acabar com o comércio ilegal de drogas. Na Grã-Bretanha e nos EUA, mais de 20% da população prisional é composta de infratores por drogas. Então o que sobra? Podemos continuar a luta ou legalizar a cocaína – ou mesmo todas as drogas.

Isso não vai resolver os problemas sociais da pobreza ou da desigualdade na Europa, nos EUA ou na América Latina, mas tiraria vastas somas de dinheiro do mundo criminoso.

Deveríamos permitir que os fazendeiros produzissem coca e a vendessem para laboratórios governamentais por preços decentes, e esses laboratórios poderiam produzir um produto de qualidade. E depois deveríamos vender o produto em qualquer farmácia para qualquer pessoa acima dos 18 anos, por um preço razoável, que não estimulasse o mercado negro. Aí pelo menos saberíamos que a cocaína é pura.

Depois deveríamos atacar a demanda ao usar alguns dos milhões economizados para investir na educação contra o consumo. Veja como uma geração de educação antitabagista foi efetiva ao trazer apoio público para medidas que impõem restrições ao fumo em público – mas não foi uma proibição total.

Sim, mais pessoas vão experimentar as drogas e teremos novas tragédias. Mas de 30 anos de guerra às drogas não conseguiram nada além de enriquecer algumas poucas pessoas, armar nossas ruas, criminalizar uma geração de usuários e matar dezenas de milhares de latino-americanos.

*Angus Macqueen dirigiu muitos documentários premiados, como The Death of Yugoslavia, Gulag, Dancing for Dollar e The Last Peasants. O próximo, Cocaine, resultado da jornada descrita neste relato, será exibido na tevê britânica pelo Channel 4.


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet