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CARTEL DE CÁLI: os irmãos OREJUELA querem barganhar com a Justiça norte-americana.

Por IBGF/Jornal do Terra

Sexta, 14 de janeiro de 2005, 18h55

03m46s



No final dos anos 70 eclodiu a Segunda Grande Guerra de Máfia. Decorreu da disputa entre "famiglie" mafiosas.

Durante essa guerra, o mafioso Tommaso Buscetta fugiu para o Brasil e casou com a carioca Maria Cristina Guimarães. Preso no Brasil e extraditado para a Itália, Buscetta tornou-se "colaborador da Justiça italiana". As delações dele foram premiadas: redução de penas, esquecimentos de crimes, etc.

Por força da barganha, Buscetta, a mulher e os dois filhos, foram residir nos EUA sob proteção. Lógico, as autoridades dos EUA tinham interesse nas delações de Buscetta. Especialmente com relação ao narcotráfico e atuação da "La Cosa Nostra", que os imigrantes sicilianos implantaram em Nova York.

À semelhança de Buscetta, os irmãos Rodrigez Orejuela, fundadores e operadores do Cartel de Cáli, desejam se transformar em "colaboradores da Justiça". Até para evitar a prisão perpétua por tráfico de drogas aos EUA. E nos EUA é muito comum a barganha ("plea bargaining"). Os irmãos Ochoa, do Cartel de Medellín, foram extraditados, tempos atrás, para os EUA e fecharam um acordo com a Justiça norte-americana. Entregaram Pablo Escobar e, de quebra, o narcoditador panamenho Noriega.

Claro, os irmãos Ochoa já retornaram à Colômbia, com o patrimônio preservado em face da barganha. Estão entre os dez maiores fazendeiros da Colômbia, graças àquele dinheiro obtido com o narcotráfico.

Só para recordar, Gilberto Orejuela, no final de dezembro de 2004, foi extraditado da Colômbia para os EUA. O seu irmão, Miguel Orejuela, já está com vôo agendado: deverá ser extraditado ainda em 2005.

Nesta semana, os dois Orejuela propuseram à Justiça da Flórida, uma barganha. As tratativas estão em curso.

A proposta dos Orejuela à Corte de Justiça da Flórida está provocando na Colômbia um maremoto de proporções asiáticas.

É que os Orejuela pretendem delatar à Justiça dos EUA nada menos do que 64 colombianos. Segundo os Orejuela, são expoentes das classes política, judiciária, jornalística, policial e militar. Todos seriam sócios ocultos do Cartel de Cáli.

Em troca da delação, os Orejuela querem os familiares mais próximos residindo nos EUA, sob proteção. Mais, estão dispostos a revelar rotas e os meios empregados para a distribuição planetária da cocaína.

Gilberto e Miguel só não querem delatar narcotraficantes colombianos. Na verdade, desejam proteger William Rodriguez Orejuela, filho de Miguel, igualmente processado nos EUA por tráfico internacional de cocaína e heroína.

A Constituição da Colômbia admite a extradição de nacionais envolvidos com o narcotráfico. Pela Constituição do Brasil, apenas o brasileiro naturalizado pode ser extraditado.

Ao contrário do que ocorre com os acusados perante a Justiça dos EUA, os narcotraficantes brasileiros não se interessam pelas delações premiadas perante a Justiça brasileira.

Por que será? ? ?

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