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Drogas Ilícitas

 

A era pós Pablo Escobar

Por IBGF/WFM

Há dez anos e crivado de balas, Pablo Emilio Escobar Gaviria foi morto no bairro Los Olivos, em Medellín. Considerado o maior narcotraficante da história, a sua cabeça estava a prêmio: US$ 6 milhões, prometia pagar a Drug Enforcement Administration (DEA).
A direção da DEA sabia ser difícil alguém dedurar Escobar, apelidado “El Patrón” e que ainda é venerado pelos colombianos desfavorecidos. Também sabia que ele havia corrompido políticos e magistrados, bem como triplicado os ganhos de militares e policiais. Por isso, a DEA entendeu em selecionar e treinar um grupo especial, chamado Bloque Búsqueda, para caçar o El Patrón.

O apelido de El Patrón foi dado por ter aberto mais de 3 milhões de postos de trabalho no seu país. Isso quando introduziu na Colômbia, a partir de 1977, o cultivo da coca e o seu processamento em cloridrato de cocaína.

A propósito, foi graças aos negócios da cocaína que a Colômbia permaneceu imune à crise financeira dos anos 80, que atingiu o México e afetou o Brasil. À época, as exportações colombianas de café e petróleo geravam lucro de US$ 2 bilhões, enquanto a cocaína movimentava US$ 5 bilhões.

A economia colombiana teve um crescimento médio anual superior a 5%, enquanto Escobar dirigiu o Cartel de Medellín. Num dos escritos deixados, Escobar ressaltou: “Organizei um dos melhores negócios. O mais lucrativo de todos e aquele que trouxe mais divisas ao país. O valor moral desse negócio é discutível, especialmente por aqueles que esquecem, convenientemente, que o Estado vive feliz com os lucros do tabaco e do álcool. Nos EUA, anualmente, o tabaco mata 400 mil pessoas, o álcool 100 mil e as drogas ilícitas menos de 10 mil”.

Durante o ciclo Escobar, 15% da cocaína consumida no mundo era da Colômbia. Ao contrário do imaginado, aumentaram a oferta e a demanda da cocaína depois do seu falecimento. Por exemplo, o consumo norte-americano anual subiu para 500 toneladas e movimenta US$ 50 bilhões só nos EUA. Agora, a Colômbia fornece 70% da heroína usada pelos norte-americanos.

Atualmente, 80% da cocaína vendida no planeta provém da Colômbia. Segundo o Banco Mundial, o mercado das drogas ilegais faz circular US$ 100 bilhões por ano pelo sistema bancário. Para a ONU, o fluxo seria de US$ 400 bilhões, a englobar os sistemas bancário e financeiro.

Escobar tinha um encantamento pelo Rio de Janeiro, a ponto de mandar comprar imóveis em Copacabana. No Rio, apenas se reunia com empresários espanhóis, que intermediavam a colocação da cocaína na Europa. A sua meta sempre foi alcançar os mercados dos EUA, Canadá, Europa e Japão, com a Colômbia servindo de centro produtor e exportador. Daí, Escobar se distinguir dos traficantes brasileiros de favelas e morros, que atuam sem objetivos transnacionais.

Ao sair da prisão em 1976, Escobar resolveu investir no tráfico de cocaína, cuja pasta básica, inicialmente, comprava no Equador, no Peru e na Bolívia. A fim de reduzir custos, iniciou, em 1977, o inédito plantio de coca nas regiões do Putumayo, Caqueta e Guaviare. Para refino da coca, montou um megacomplexo com dez laboratórios de refino e sete pistas para aeronaves médias, numa região conhecida por “Tranqüilândia”. Constituiu uma empresa aérea: o “Expresso da Cocaína”.

Quando o governo americano forçou o presidente César Gaviria (hoje secretário-geral da OEA) a iniciar a mudança da constituição colombiana e permitir a extradição de nacionais, Escobar resolveu esfriar o debate. Entregou-se, em 1991, na prisão da cidade de Envirago e lá permaneceu um ano. Antes, cuidou da sua reforma, sofisticação e segurança. O presídio virou hotel de 5 estrelas e chamado de La Catedral, ou seja, o santuário de Escobar.

No Panamá, o general Manuel Noriega, então presidente, aliou-se a Escobar. A conexão Havana envolveu o general cubano Arnaldo Ochoa, mandado ao paredón pelo indignado Fidel Castro. No México, contou El Patrón com os cartéis de Tijuana e Suarez para colocar a cocaína nos EUA. Nas Bahamas, usou a Ilha Norman’s Cay, comprada pelo seu aliado Carlos Lehder, como entreposto dos aviões do Expresso da Cocaína.

Caso estivesse vivo, Escobar estaria se vangloriando do tipo de gestão empresarial imposta ao seu Cartel de Medellín. Em especial pelo fato de o mercado das drogas estar atualmente movimentando de 3% a 5% do PIB planetário, conforme reconheceu o secretário-geral da ONU.

Para a pujança desse mercado contribuiu significativamente a política norte-americana da War on Drugs, a mesma adotada no governo FHC e ainda não alterada pelo presidente Lula.


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