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Drogas Ilícitas

 

Maconha nas farmácias

Por IBGF/WFM

A Holanda continua a ousar nas suas políticas sobre drogas. Na fase inicial de implantação da sua revolucionária política, liberou o consumo recreativo da erva canábica em bares e cafés autorizados. Assim, conseguiu afastar os consumidores dos traficantes, sempre prontos a fornecer outras e mais pesadas drogas. Neste mês, depois de muitas pesquisas, a Holanda autorizou, para fins terapêuticos, a venda de cânabis nas farmácias, mediante apresentação de receita médica.
Duas empresas privadas estão autorizadas a cultivar a erva para fornecimento às farmácias. Por outro lado, bares e cafés estão autorizados a vender, por noite e para finalidade lúdica, até meio quilo de cânabis.
Mais de 75% da cânabis ofertada na Holanda é cultivada no próprio país, por particulares. Eles empregam iluminação artificial e a terra é substituída por fibras de coco brasileiro, que absorvem nutrientes nelas embebidos. Essa técnica enseja, na Holanda, quatro colheitas ao ano, cada uma delas gerando 3 mil euros de lucro bruto. Os cultivadores recebem autorização governamental e conseguem embolsar 50% do preço de venda nos bares e cafés.
No mundo, figuram como maiores exportadores de cânabis Marrocos, Afeganistão e Albânia. Nesses três países, os vendedores não têm curiosidade em saber se haverá uso lúdico, terapêutico ou ritualístico.

A venda da maconha nas farmácias holandesas teve uma elogiável preocupação humanitária. Como esclareceu o presidente do Centro Holandês de Estudos sobre Drogas, o “objetivo foi melhorar a qualidade de vida dos enfermos graves”. E o neurologista Ethan Russo, professor M.D. das universidades de Montana e Washington, lembrou que, no início dos anos 90, as farmácias vendiam um composto chamado Dysmenine, fabricado no Estado de Missouri. Dele fazia parte extrato de cânabis, receitado nos casos de cólica menstrual e cãibras.
A legislação canadense de 27 de agosto deste ano autorizou o próprio governo a cultivar cânabis. Isso para fornecer aos pacientes necessitados dessa erva para uso terapêutico. Com receita médica, cada paciente pode comprar até 300 gramas de maconha, que saem pelo preço de 150 dólares canadenses. No mercado ilegal, pagavam 250 dólares pela droga. Por enquanto, já se cadastraram 500 pacientes. Na Califórnia, onde surgiram as primeiras cooperativas médicas importadoras de cânabis marroquina para venda a pacientes, uma lei de 2 de junho deixou raivosos os membros do governo Bush Júnior. A lei californiana autoriza a expedição de cédula de identificação de consumidor medicinal da maconha. Tudo para evitar a sua prisão, por porte de droga ilícita.

Enquanto isso, experiências na Espanha, com emprego endovenoso de THC sintetizado, prosseguem para combater o glioblastoma, tumor cerebral dos mais violentos. Ainda na Espanha, bons resultados foram obtidos com a experimentação, em animais, de dexanabinol, outro derivado sintético do THC. Em um terço dos animais, o agressivo câncer glioma foi eliminado. No outro terço houve redução de massa tumoral. O terço final não respondeu ao tratamento. No momento, cinco pacientes estão sendo tratados com dexanabinol nos hospitais Puerta de Hierro (Madri), Val D’Hebron (Barcelona) e Cruces (Bilbao). Em mais de 20 grandes centros científicos de excelência espalhados pelo planeta, a cânabis continua sendo testada como analgésico, antiinflamatório, broncodilatador, anticonvulsivo, antiesclerótico, ansiolítico, estimulante de apetite em portadores de Aids, antioxidante, etc. E nas farmácias de todo o mundo podem ser encontrados colírios com THC sintético, conhecido por Nabilole, usado nos casos de glaucoma. Convém assinalar que os pesquisadores continuam as experiências com portadores de Alzheimer, Parkinson e leucemia infantil.
Para muitos especialistas norte-americanos da área da saúde, a legislação holandesa é demagógica, pois ainda inexiste certeza acerca do sucesso terapêutico da maconha. Observam, também, que a maconha vendida nas farmácias só pode ser empregada em infusões e aspirações, não sendo recomendada em cigarros, dadas as substâncias cancerígenas derivadas da erva quando fumada.
Discussão à parte, o certo é que os enfermos terminais, principalmente os submetidos à quimioterapia, têm experimentado alívios. Isso a Holanda percebeu, enquanto o Brasil, desde 1976, espera oportunidade para regulamentar a sua lei e, assim, permitir o uso terapêutico da maconha.


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