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Drogas Ilícitas

 

Cuidando da Maconha

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

Publicado no JORNAL DO BRASIL. A União Européia está oferecendo recursos financeiros para incentivar o cultivo da cannabis, ou seja, a popular maconha.

Os países membros da UE realizam, assim, uma revisão histórica. Revogam as proibições legais de cultivo da planta, impostas a partir de 1930. Abandonam o modelo legislativo norte-americano. Modelo que não distinguiu o uso lúdico - causador de dependência psicológica e dano social - do cultivo da cannabis sativa, voltado a finalidades outras, como a terapêutica, a industrial e a comercial.

A adoção de amplo proibicionismo levou 'a eliminação da então farta cannabis dos campos europeus. E a adoção de tal linha política privilegiou os magnatas do petróleo, pois havia um interesse comercial internacional subjacente na dilatada proibição.

Quando Fernando Pessoa frisou que "navegar é preciso", retratou um tempo em que as velas das naus eram feitas com as fribras da cannabis.

O mesmo material confeccionou as cordas, redes e bandeiras das caravelas do século XV. As folhas e os sarmentos foram posteriormente empregados na produção de papel, tendo sido extraídos das sementes os óleos alimentar e combustível.

Segundo pesquisa conhecida, o velho Henry Ford teria estudado, por quase 12 anos, as propriedades da cannabis, para emprego industrial.

Ford, costruiu protótipo de carroceria vegetal incluindo fibras de cannabis. Era essa carroceria um terço menos pesada do que as feitas de aço, além de 10 vezes mais resistente ao impacto.

Referido Ford não concluiu os estudos sobre a elaboração de combustível derivado da cannabis. O motivo foi que entrou em vigor, nos EUA, uma lei até então desconhecida no mundo: a de repressão ao cultivo e ao uso da cannabis.

Com o cultivo proibido, vingou o nylon, derivado do petróleo. E o aiático bicho-da-seda não suportou a concorrência. Em síntese, vitória de grupos do tipi Du Pont e a consagração de Henry Aslinger, mentor da legislação e vários anos chefe do Federal Bureau os Narcotics and Dangerous Drugs.

Aliás, foi colocado no posto por indicação do banqueiro Mellon, que fez fortuna com os negócios do petróleo.

Portanto, a reviravolta promovida pela UE resgata a utilização da cannabis.

Para evitar problemas, estabeleceu-se uma condição para o apoio financeiro: fibras com menos de 0,2% de princípio ativo (tetra-hidro-cannabinol).

Na cidade italiana de Foggia, com financiamento da UE, explora-se o cultivo da cannabis. Foram gerados 300 novos postos de trabalho. A produção alcançou a marca de 22 mil toneladas-ano de papel.

Empolgou, ainda, o fato de a cannabis renovar o solo, não promovendo, como sucede com a cana de açúcar no Brasil, sua exaustão.

Por outro lado, a indústria farmacêutica renovou seu interesse no uso medicinal da planta, como antes ocorreu com a papoula, geradora da semi-sintética morfina.
br> A maconha vem sendo utilizada, sob controle médico e por exemplo, para aumentar o apetite de aidéticos, melhorando sua resistência física. Também para reduzir, nos casos de cancêr, náuseas provocadas pela quimioterapia.

Os ambientalistas, com a alternativa canábica,, pretendem evitar os poluentes derivados do petróleo; substituir o quase indestrutível plástico e preservar as madeiras.

Convém sempre observar, ainda, estar a UE incentivando o cultivo condicionado. Não há dúvida de que a maconha é uma droga e o uso faz mal, como tantas outras coisas. O seu uso intenso afeta a capacidade de memorizar e apreender, sendo prudente evitar a disseminação nas escolas. Pode reduzir o desejo sexual e provocar síndrome amotivacional, ou seja, a falta de ânimo para tudo, incluído o trabalho.

Evidentemente, a droga causa prazer. Relaxa, daí sua tolerância pelos diretores de alguns presídios. Potencializa sabores e sons. Amplia as sensações. Não causa dependência física, mas a psicológica pode ocorrer, levando ao aumento do consumo.

No chamado polígono brasileiro da maconha, o governo do ex-presidente Fernando Henrique optou, em face da legislação e da destinação da droga ao tráfico, pela introdução de cultivos substitutivos, com financiamentos abertos pelo Banco do Nordeste.

Ao que parece, a vigilância policial, o controle por fotografias aéreas e as imagens de satélite não impediram a migração para o Maranhão e Bahía.

Talvez tenha chegado o momento para novas medidas, apesar de o generoso relatório da ONU, com dados passados pelas autoridades brasileiras, ter apontado para 8 milhões de consumidores de maconha no Brasil, 49% não acreditam nele, conforme consulta feita pela JB on line.

Novas posturas políticas foram recomendadas no relatório de despedida de Clinton e MacCaffrey, depois de tantas trapalhadas, tantos desrespeitos e erros. Pareceu provocação ao conservador W. Bush, que já abusou do álcool.


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