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Drogas Ilícitas

 

O Imperador e o Cucaracho: terceiro ano do Plan Colômbia

Por IBGF/WFM

Para avaliar os resultados dos três primeiros anos do Plano Colômbia (PC), o czar antidrogas norte-americano, John Walthers, acabou de concluir suas visitas a diversos países sul-americanos. A visita coincidiu com os 40 anos de atuação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), organização insurgente nascida muitos anos antes do início do cultivo de coca no país. Aliás, uma iniciativa de Pablo Escobar, por volta de 1979, quando os grandes centros produtores eram o Peru e o Equador.
A própria guerra civil na Colômbia antecedeu à constituição das Farc e ao fenômeno do narcotráfico, este multiplicador da violência e introdutor dos métodos terroristas, dos seqüestros de pessoas e das extorsões patrimoniais. Apesar da situação beligerante, a economia colombiana sempre andou bem. Experimentou crescimento na crise dos anos 80, que afetou o México, o Brasil e a Argentina. Até 1996, o crescimento oscilou entre 5,3% e 5,7%, de modo a não ter a Colômbia, até metade do mandato do ex-presidente Andrés Pastrana (2000), necessitado do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Os problemas fundamentais colombianos, não resolvidos pelo militarizado PC, referem-se à injustiça social, ao desemprego, à concentração de renda e à corrupção das autoridades. Dos 43 milhões de habitantes, cerca de metade dos colombianos vive com menos de US$ 2 por dia. Os conflitos consomem cerca de 25% do PIB e os paramilitares, que também se associaram aos narcotraficantes, sempre foram empregados para conter os protestos sociais em localidades onde o Estado se ausenta.

Por meio do PC, os norte-americanos pretendem erradicar as áreas de plantio de coca protegidas pelas Farc e pelo ELN. O objetivo é aniquilar economicamente as guerrilhas. Segundo dados levantados, as Farc e o ELN recebem a chamada “taxa revolucionária”, equivalente a 1% do valor de circulação da coca, nas suas zonas territoriais sob suas influências.
No Peru, e ao visitante Walthers, o diretor da seção de narcóticos da embaixada dos EUA em Lima, James Benson, ressaltou, sem apresentar provas, como destacou o jornal local La República, a suspeita de o Sendero Luminoso estar sustentando as culturas de papoula e coca. A outra pérola foi revelada pelo embaixador norte-americano na Bolívia, David Greenle, que declarou que, proporcionalmente, o consumo de coca na Bolívia é igual ao de cocaína nos EUA. Assim, co-dividiu o pódio de campeão mundial de consumo dos EUA com a Bolívia.

Walthers nada falou sobre o despejo aéreo de herbicidas como causa da migração dos cultivos de coca colombiana para a Bolívia e o Peru. Nenhuma palavra proferiu sobre a decisão do colombiano Tribunal de Justiça de Cundinamarca que, por danos ambientais na área daquele Departamento (Estado), proibiu as fumigações. Só para lembrar, foram destruídos em Cundinamarca 1,5 milhão de hectares de bosques tropicais, afetados pelos herbicidas derramados por aviões.
Outro visível dano ambiental provocado pela estratégia de fumigações contida no Plano Colômbia derivou do desflorestamento verificado na Amazônia: para escapar às fumigações, multiplicaram-se os plantios com abertura de clareiras na selva, de até 3 hectares.
As migrações para o Peru e a Bolívia garantiram a manutenção da oferta de drogas no mercado internacional. Na Venezuela, Walthers recomendou a Chávez para não acolher guerrilheiros das Farc. A CIA e a DEA norte-americanas temem que membros das Farc, em território venezuelano, estejam tramando a derrubada de aviões da Dyn-Corp, contratada por US$ 175 milhões para despejar glifosato da multinacional Monsanto, durante cinco anos, nas áreas colombianas de coca.
Chávez parece conhecer bem os interesses estratégicos e econômicos embutidos pelos norte-americanos no Plano Colômbia, isto é, estabelecer uma “cabeça-de-ponte gringa” na América do Sul. Demonstrou isso no encontro de presidentes latino-americanos ocorrido em Cuzco (Peru), no dia 26 de maio passado. Por influência norte-americana, os presidentes reunidos em Cuzco, Lula incluído, assinaram uma moção, repudiada por Chávez. Pela moção, pretende-se que a Organização das Nações Unidas (ONU) passe a exigir das guerrilhas colombianas um imediato cessar-fogo, de modo a abrir espaço para negociações de paz. Por evidente, no caso de fracasso, ficará aberta a possibilidade de intervenção militar por meio de um “exército multinacional latino-americano”. Isso seria a concretização dos sonhos de Bush e Álvaro Uribe, uma espécie de Blair cucaracho.


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