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Drogas Ilícitas

 

As Múltiplas Colômbias

Por IBGF/WFM

A cada dia fica evidenciada a importância da coleta, análise comparativa e troca de dados sobre o fenômeno das drogas proibidas e de abuso. Em especial pela multiplicação das “Colômbias” pelo planeta.

Logo depois de constituída, em 1998, e, apesar de nenhuma verba no Orçamento da União para o ano seguinte, 1999, a Secretaria Nacional Antidrogas lançou o projeto para a criação de um Observatório Nacional, num modelo muito semelhante ao idealizado por Alain Labrousse, em Paris.

O objetivo voltava-se a obter conhecimentos reais para implementação de geoestratégias de contraste ao referido fenômeno das drogas, afastado, desde logo, o componente militarizado, tipo “guerra às drogas”, “tolerância zero” e outros equívocos que levaram ao fracasso das Convenções da Organização das Nações Unidas (ONU) e das políticas impostas pelos EUA, onde se concentra o maior consumo do planeta.

No particular, o Brasil ficou para trás. Até organismos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, desdobram-se para detectar a contaminação dos mercados pela circulação e pelos lucros do dinheiro sujo do mercado das drogas ilícitas.

O Banco Mundial já estimou em US$ 100 bilhões a movimentação anual do mercado das drogas pelos sistemas bancário e financeiro, onshore e offshore. Num recente levantamento, o FMI concluiu que o volume de dinheiro sujo das drogas ilícitas, lavado e reciclado pela criminalidade organizada transnacional, representa de 2% a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

A estimativa do FMI confirmou o anunciado pelo secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan. Em junho de 1998 e por ocasião da abertura de Assembléia Especial para tratar do tema drogas, Annan ressaltou que o narcotráfico movimenta de 3% a 5% do PIB planetário.

Como escreveu a escocesa Alison Jamieson, “em termos puramente econômicos, o tráfico de drogas se apresenta como uma atividade global ideal: é um mercado em constante expansão, com um número aparentemente ilimitado de vendedores e de compradores. Não comporta despesas de publicidade, tem uma cadeia sinérgica e integrada de redistribuição”.

Muitos casos concretos demonstram a evolução da economia movimentada pelas drogas ilícitas. Na Espanha, o narcotráfico movimenta 7,3 bilhões de euros por ano, conforme divulgou o Ministério do Interior daquele país. Desse montante, 1,5 bilhão de euros são manejados pelas organizações criminosas que introduzem na Espanha a cocaína, a heroína, o haxixe, a marijuana e as drogas sintéticas. Os restantes 5,8 bilhões de euros circulam pelos grupos encarregados da distribuição aos consumidores. O lucro líquido, que todos os anos ingressa nos cofres dos cartéis e das máfias, é de 4,171 bilhões de euros.

No Reino Unido, um levantamento realizado pela Health Development Agency (HDA) concluiu que as chamadas drogas leves, colocadas na primeira faixa da tabela governamental, movimentam anualmente de 10 bilhões a 17 bilhões de libras esterlinas. Só isso acarreta um custo social orçado em 35 milhões de libras decorrente de acidentes, internações, mortes, desintoxicações etc.

Nos encontros internacionais de especialistas não ligados aos organismos governamentais, fala-se abertamente das novas “Colômbias” do planeta, como Albânia, Marrocos, Paraguai, Jamaica, Cazaquistão etc.

Para se ter idéia, o Marrocos é o maior produtor mundial de haxixe. Coloca o haxixe e a marijuana na Europa, sofrendo, com relação à cannabis, a concorrência da Jamaica. Os cultivos de cannabis estão nas zonas marroquinas de Rif e Yebala e as áreas de cultivo atingem 250 mil hectares, segundo dados do Observatório de Labrousse.

Perto de 1 milhão de marroquinos dependem diretamente da produção e pouco mais de meio milhão sobrevivem do tráfico local e internacional. A produção anual de haxixe marroquino ultrapassa as 3 mil toneladas, ou seja, o equivalente a US$ 10 bilhões.

Na América do Sul, o Paraguai ampliou as áreas de cultivo de maconha para exportação ao Brasil, Argentina, Uruguai e Chile. Nos cultivos, são utilizadas sementes geneticamente modificadas, que entraram com tudo na América do Sul. Aliás, as sementes transgênicas de coca são empregadas na Colômbia (Sierra Nevada-Santa Marta).

Convém frisar que essas sementes aumentam os lucros. Na cidade paraguaia de Capitán Bado, reduziu-se o tempo de colheita e a folha tem cheiro de menta, para afastar os cães policiais. No Departamento (Estado) de Canindeyú, fronteira com o Mato Grosso do Sul, as sementes transgênicas permitiram adaptações climáticas e um ciclo ininterrupto de produção anual.

Como se percebe, multiplicam-se as “Colômbias” pelo planeta.

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