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Drogas Ilícitas

 

Drogas. Rio de Janeriro. Os mistérios da guerra no Morro dos Macacos.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 19 de outubro de 2009.

governador Sérgio Cabral.

Pelo jeito, as autoridades responsáveis pela segurança pública no Rio de Janeiro procuram um parceiro para dividir, perante a opinião pública, a responsabilidade pela tragédia decorrente do último conflito ocorrido no morro dos Macacos, zona norte da cidade.


Como se sabe, facção do Comando Vermelho sediada no morro São João invadiu, no sábado passado, território controlado por grupo da organização criminosa Amigo dos Amigos, isto para controlar postos de vendas de drogas proibidas.


No fundo, uma repetição da célebre Guerra da Rocinha, ocorrida em abril de 2004. Naquela ocasião, traficantes da favela do Vidigal invadiram a favela-bairro da Rocinha, na zona sul. O objetivo era assumir o controle do tráfico na favela onde ficava o maior entreposto de drogas ilícitas do estado do Rio de Janeiro.


Nessa tentativa de dividir e amenizar a responsabilidade estadual, --que pode até ser diversionismo--, já se propala, extra oficialmente, que a ordem para a invasão do morro dos Macacos partiu do presídio federal de Catanduvas (Paraná), considerado de segurança máxima.


Em Catanduvas está custodiado Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido por Marcinho VP. Ele teria contado com o apoio de Luiz Fernado da Costa, alcunhado de Fernandinho Beira-Mar, preso na penitenciária de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.


A se confirmar a notícia, fica claro tudo ter se precipitado dada a incúria federal. Isto porque presídios especiais foram feitos para distanciar os líderes das suas organizações criminosas e, assim, impossibilitar contatos.


A propósito. A idéia “cárcere-duro” foi buscada no artigo 41, “bis”, do código penitenciário italiano. Aplica-se esse dispositivo legal aos chefes mafiosos e às lideranças da Camorra, Sacra Corona Unita, Cosa Nostra e ´Ndrangheta. Os “capi” presos foram afastados da região meridional (sul), ou seja, onde as mencionadas organizações são influentes, com controles de território e social.


Nesses presídios, não há qualquer possibilidade de uso de telefones celulares e existe uma polícia penitenciária de inteligência, que controla as linhas telefônicas internas. Ela conta, também, com atribuição para levantar sinais exteriores de riqueza dos administradores e dos agentes penitenciários. Fora, evidentemente, ter atenção às visitas, que são filmadas e a interlocução, com vidro separatório, são gravadas. Apenas o advogado pode manter conversa não gravada e trocar correspondência sigilosa.


Ainda no que toca à tentativa de partilhar a responsabilidade, o laudo pericial no helicóptero derrubado na “guerra” do morro dos Macacos está sendo aguardado com ansiedade. Há suspeita de ter sido abatido com projéteis de armas de calibre .30, .50 ou disparados por fuzil 7.62. Várias dessas armas pesadas já foram apreendidas pela polícia na posse de traficantes. No caso, seriam armas contrabandeadas, a driblar a vigilância da polícia federal.


Pano Rápido. O certo é que o bom projeto do governo estadual para reconquista dos territórios, mediante presença da polícia, tem implantação vagarosa. Enquanto isso, as bocas-de-fumo tornam-se rendosas e atraentes em termos de disputas por traficantes de organizações rivais. Essas organizações continuam a enriquecer e, assim, conseguem corromper e se armas melhor do que as polícias.


No Rio, o serviço de inteligência informou que o confronto seria iminente no morro dos Macacos. Nada foi feito para abortar esse esperado conflito. Iniciado o embate, foi enviado helicóptero semi-blindado, ou seja, impróprio. Os dois policiais mortos carbonizados foram enviados em ação repressiva, sem segurança. Uma irresponsabilidade.


Só para recordar, a dupla Garotinho e Rosinha havia criado, em 2003, uma Brigada de Operações Especiais, com a tarefa de combater o crime organizado. O lema da brigada era “Qualquer missão em qualquer lugar, a qualquer hora e de qualquer maneira”.


Com a Guerra da Rocinha, em 2004, Garotinho, depois de 15 dias de desencontros, pediu ao presidente Lula 4 mil homens, “selecionados dentre os mais qualificados”, tais como pára-quedistas e fuzileiros navais”. Eles ficariam sob as ordens do “general Garotinho”, o que foi, por evidente ilegalidade, rejeitado.


Enquanto a família Garotina discutia com o governo federal e carregava-lhe parte da responsabilidade, em 3 de maio de 2004, o crime organizado invadiu e subtraiu 22 fuzis e uma pistola da Aeronáutica.


Como se percebe, poucas e lentas mudanças ocorreram de lá para cá. E o crime organizado agradece.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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