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Drogas Ilícitas

 

Overdose do jornal The Independent

Por WFM-CARTACAPITAL

Revista Carta Capital- 20 de Outubro de 2004 - Ano XI - Número 313

A OVERDOSE DO INDEPENDENT:O progressista jornal britânico forçou a mão ao comparar a violência no Rio com genocídios na Chechênia ou no Sudão

No feriadão de terça 12, o jornal britânico The Independent publicou matéria sobre a violência urbana no Rio de Janeiro. Como pretexto, usou o fuzilamento de Escadinha, o traficante arrependido, registrado e batizado como José Carlos dos Reis Encina. Escadinha, no dia 23 de setembro, apanhado de surpresa, foi executado com 12 tiros, todos acima da medalhinha.

O progressista The Independent comparou a violência no Rio Janeiro à presente nos conflitos do Sudão e da Chechênia. Nesse contexto, a conhecida Cidade Maravilhosa virou a “Cidade da Cocaína e da Carnificina”.

No Rio, evidentemente, são preocupantes os dados sobre a violência urbana, como os arremedos de políticas federal e estadual, sociais, preventivas e repressivas. Em 2003, por exemplo, ocorreram 18 assassinatos por dia. Também aumentou a ousadia e o poder corruptor da criminalidade organizada, que difunde o medo para exercer o controle social e de territórios, sem o objetivo de estabelecer uma República Separatista do Comando Vermelho, ao contrário do que pretendem, por outra razão e com outro nome, os rebeldes chechenos.

Segundo as autoridades estaduais, o tráfico de drogas proibidas é a principal fonte de sustentação financeira da criminalidade organizada. O incrível é que o Rio só é consumidor, ou seja, não planta maconha, não refina cocaína nem fabrica drogas sintéticas.

Tal quadro, no entanto, é insuficiente para colocar o Rio de Janeiro em estado de guerra civil. Muito menos de secessão, como ocorre na Chechênia, ou de limpeza étnica, a exemplo do Sudão.

O problema do Rio de Janeiro é de competência para contrastar um fenômeno criminal. Esse fenômeno é ontologicamente desigual ao da Chechênia, que convive com terrorismo separatista e terrorismo de Estado russo, e ao do Sudão, que se tornou independente do condomínio anglo-egípcio em janeiro de 1956, para cair em sangrentas ditaduras militares.

No Rio de Janeiro, a violência urbana não é caracterizada por conflitos étnicos e genocídios. Em 2003, no Rio foram assassinadas 6.624 pessoas. Um número elevado – e lamentável – mas bem menor que os 50 mil da chamada “limpeza étnica” no Sudão.

Em resumo, o The Independent forçou a mão ao comparar o Rio de Janeiro com o Sudão e a Chechênia. O crime organizado no Rio se abastece do tráfico internacional de armas de fogo. E trafica cocaína andina, refinada com insumos vindos de diversas partes do planeta – incluída a nobilíssima Inglaterra – em operações triangulares, pelas ilhas caribenhas de Trinidad e Tobago. Por sinal, ex-possessões britânicas.

Nossa organização em federação, por sua vez, impede uma unidade no enfrentamento das organizações criminosas. O Plano Nacional de Segurança Pública do governo FHC não era para valer. E o de Lula, que apostava no Sistema Único de Segurança Pública, não decola. Pior ainda, com a política da família Garotinho, só se o Redentor der uma mãozinha.


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