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Drogas Ilícitas

 

As últimas sobre a maconha.

Por IBGF/WFM

As discussões sobre a maconha continuam a freqüentar as pautas. Da mesma maneira que aconteceu com os cigarros da erva canábica, os debates se multiplicaram e se tornaram cada vez mais acesos a partir dos anos 60, quando chegaram à Organização das Nações Unidas e geraram a Convenção Única de Nova York, em 1961.

O certo é que até hoje digladiam liberalizantes e proibicionistas, termo este nascido com a lei seca norte-americana, produtora de chefões do porte do apelidado Luchy Luciano, --nascido Salvatore Lucania--, colocado no elenco dos mais “endinheirados” do século XX, pelo semanal Time.

Nos últimos anos, prevaleceu o proibicionismo mitigado da maconha, como acontece com o tabaco: só pode ser fumado em áreas determinadas. Na Holanda, o Café Sarasani, pioneiro na venda legal de maconha para consumo interno, completou 36 anos em 28 de novembro de 2004. Em toda a Holanda, existem mais de 800 cafés autorizados a vender até meio-quilo de cannabis por dia.

Ao contrário do cigarro de tabaco, fumar maconha pelas ruas não é admitido em nenhum país do mundo. Em alguns lugares, como no Brasil, o porte da maconha para consumo próprio continua sendo considerado crime. Em outros, a exemplo de Portugal, não mais ocorre criminalização, mas proibição na forma de infração administrativa, como jogar lixo na calçada ou dirigir sem habilitação.

A dependência provocada pela maconha tem sido a econômica, a sustentar PIBs e bolsos variados, até dos que vendem papel de seda para enrolar cigarros.

. O Marrocos, por exemplo, detém deste 2003 o título de maior produtor mundial de marijuana (maconha) e da sua resina denominada haxixe.

No mercado internacional, o seu haxixe é chamado de “chocolate marroquino”: vendido em tabletes e conteúdo na cor marrom-chocolate.

O plantio e o cultivo da cannabis são encontrados no norte do Marrocos, nas zonas de Rif e Yebala. Cobrem uma área de cerca de 200 mil hectares e rendem US$10 bilhões por ano.

Na produção e na venda estão envolvidos 1,5 milhão de marroquinos, num país de quase 29 milhões habitantes, conforme senso de 2001. Em 2003, o Marrocos colocou 3 mil toneladas de maconha e haxixe na Europa, via Espanha.

A produção marroquina não chega ao Brasil, que recebe a maior quantidade da droga do Paraguai.

Nos EUA existem plantios ilegais da Flórida, uma sofisticação semelhante ao Polígono da Maconha de Pernambuco. A Colômbia, o México e o Caribe, são os grandes fornecedores de marijuana e haxixe ( pasta e óleo) aos norte-americanos.

Para se ter idéia do crescente consumo mo Mundo Ocidental, este ano de 2004 começou contabilizando mais de 30 milhões de fumantes rotineiros da erva canábica.

Fora os do “fumacê” habitual, são contados mais de 100 milhões pessoas, que já consumiram maconha e os seus derivados ao menos uma vez nas suas vidas.

Até agora e para a alegria dos pais e das mães, nunca houve no planeta morte por overdose de maconha ou de haxixe. Ao contrário do que sucede com a cocaína, a heroína e as drogas sintéticas.

A dose mortal de maconha foi estimada em 4quilos, segundo dados de laboratórios científicos, depois de experiências feitas com ratos. Ninguém no mundo reúne condições de manter um consumo crônico de 4 quilos.

Além disso, o denominado efeito-eficaz é conseguido com 1/10 de gramo. Por outro lado, o aumento na potência da erva (tetra-hidrocanabinol-THC de 4% a 18%) não influencia no risco. Só para recordar, o princípio ativo, ou seja, o tetra-hidro-cabinol (THC), variou de 4% a 18%, nas apreensões policiais realizadas em 2003, na Europa e nos EUA.

Quando o THC fica mais forte (óleo de haxixe, shunk-hidropônico e maconha trangênica), o usuário habitual reduz o número de tragadas. Ou coloca menos erva na feitura do cigarro.

No consumo lúdico de erva comum, não passa de sete a média de tragadas. Elas reduzem-se a três, quando o THC é mais potente.

O presidente George W.Bush tem urticárias num debate aceso sobre a maconha, ainda que limitado ao emprego terapêutico, já admitido em oito Estados federados.

Em dezembro passado e para entrar em vigor neste janeiro, acabou regulamentada a lei da Califórnia (SB420) que legalizou o uso terapêutico da maconha e autorizou a expedição de cédula de identificação dos pacientes. Isso para evitar surpresas policiais nas ruas e nas praças, tipo revistas e prisões em flagrante.

Pela nova lei da Califórnia, um paciente poderá cultivar em casa até seis plantas adultas. Ou optar por doze pequenos arbustos. Não é permitido armazenar mais de 200 gramas da cannabis.

Numa das inúmeras manifestações públicas em favor da liberação da maconha para fins médicos, um portador de HIV, usuário de maconha para aumentar seu apetite, exibiu um cartaz reproduzindo o Ecclesiastico: “Deus fez crescer nos campos erva com o poder de curar, que o homem deve saber usar”.

A propósito, a venda em farmácia já é feita na Holanda, para infusões e com o alerta de que fumar dá câncer. Em 2004, a Bélgica disponibilizará em farmácias.

Ao tempo do presidente Richard Nixon, iniciador da política da War on Drugs (Guerra às Drogas), iniciou-se uma campanha apoiada na teoria chamada “Droga de Passagem”.

Como se descubriu depois, o objetivo era dar um “susto nos maconheiros” e inibir o consumo. Pela referida “teoria”, a cannabis seria a porta de entrada (passagem) para as drogas mais pesadas.

A própria Casa Branca, em 1972, reconheceu a falácia da campanha. Como ainda muitos acreditam nessa estória mentirosa da “Droga de Passagem”, especialmente no Brasil, o próprio W.Bush vem sendo usado como exemplo pessoal para desmenti-la. Caso fosse real a “passagem” de uma droga mais branda para outra mais pesada, o presidente W.Bush poderia ter passado de uma droga de abuso (álcool) para uma droga proibida.

Em 1965, cerca de 100 mil norte-americanos fumavam habitualmente a erva canábica. Em dezembro de 2003, chegou-se a 14 milhões. Quanto aos que já experimentaram e pararam, estima-se em 70 milhões.

Nessa faixa, por exemplo, pode-se incluir o ex-presidente Bill Clinton. Surpreendido em campanha com a pergunta se havia fumado maconha, Clinton respondeu que fumara, sem tragar.

Sobre o que achava da maconha, foi questionado o recém empossado primeiro ministro do Canadá, Paul Martin. Ocorreu na tradicional entrevista de Natal à Canadian Television (CTV). Numa das respostas, foi enfático ao defender, para 2004, o projeto de não criminalização do pequeno porte de maconha:-“Reconheço a irritação dos nossos vizinhos estadunidenses sobre esse importante passo do Canadá, mas isso não desviará os programas do nosso governo. Apenas falta acertar a definição do pequeno porte”.

Assim, o novo premier canadense prestigiou a política de Jean Chrétien, seu antecessor. Só para lembrar, em dezembro de 2003, Chrétien trocou farpas com o governo Bush e reprovou a tentativa de intromissão em assuntos internos do Canadá. Para ironizar, Chrétien frsiou que, uma vez sancionada a lei para drogas leves, seria visto a segurar um cigarro de maconha e uma nota de dólar canadense, para pagar a multa.

Quando candidato à reeleição, W.Bush manteve a promessa de continuar a velha e ineficaz política da War on Drugs (Guerra às Drogas), nascida com o republicano Richard Nixon, ampliada por Ronald Reagan e George Bush, e prestigiada pelo democrata Bill Clinton. Dentre os democratas, apenas Jimmy Carte desprezou a política militarizada e criminalizante da Guerra às Drogas.

Nesse ambiente de luta pela presidência dos EUA, uma rede televisa, na véspera do Natal, reuniu os nove pré-candidatos democratas. Três deles, John Edwards, John Kerry e Howard Dean (ex-governador de Vermont e apontado como vencedor das prévias), admitiram já ter fumado maconha, sem dar alterações, vexames ou escândalos públicos. O mais veemente na defesa de mudanças foi Dennis Kucinic. Ele ressaltou que o aparato antiproibicionista custa ao contribuinte, anualmente, US$10 bilhões.

Os pré-candidatos democratas lembraram algumas pesquisas. Por exemplo, nos hospitais dos EUA só existe disponível um leito para cada dez usuários desejosos em se desintoxicar. Em Nova York, 94% dos presos acusados de porte de drogas pertencem às minorias. Para a Human Rights Watch, a proporção de negros presos em flagrante por posse de drogas é cinco vezes maior que a de brancos.

Para rematar esse quadro, a polícia federal norte-americana (FBI) apresentou o relatório de fechamento do ano. Detectou um aumentou de 14,1% na prisão de mulheres e, cerca de 40% delas, estavam encarceradas por delitos relativos às drogas, incluída posse de maconha para uso próprio.

A batizada War on Drugs trouxe aos norte-americanos o título de campeões mundiais de consumo de drogas ilícitas e a maconha é a mais popular delas. No Brasil, continua em vigor a política de modelo americana implantada, por decreto, no final do governo FHC.


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