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Drogas Ilícitas

 

Governador vive dia de Capitão Nascimento.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

19 de outubro de 2007.

Governador no papel de Capitão Nascimento.


Desculpem se repito abordagens constantes da entrevista publicada hoje ao jornal O Globo ou se repiso considerações insertas no editorial que escrevi para a revista Carta Capita.

O centro da questão, ---depois da carnificina irresponsável consumada na Favela da Coréia, com 12 mortos, incluídas a do menino de 14 anos e de um policial---, é a importação e a execução, pelo governo do Rio de Janeiro, da falida política de matriz norte-americana de guerra às drogas: “war on drugs”.

No Rio, trata-se de uma “war on drugs” burra e geradora de riscos para os moradores em áreas de grande concentração urbana.

E a “war on drugs” colaborou para colocar os norte-americanos como campeões mundiais de consumo de drogas ilícitas, proibidas. E como advertiram as Nações Unidas, pela Convenção de Viena de 1980, o dinheiro sujo do narcotráfico circula pelo sistema bancário internacional.

Sufocar e abater o narcotráfico, como regra, não se dá por operações bélicas, mas pelo desfalque patrimonial. Não há organização criminal, com controle de território e social, que se sustente sem dinheiro. No Rio de Janeiro, as armas e drogas chegam às favelas, são compradas (às vezes a droga é recebida em consignação, mas isto implica em pagamento ou devolução). No dia seguinte à operação do BOPE na favela da Coréia, não havia lá nenhum policial. O bando de Tola já havia reconquistado o território e o comércio, lícito e ilícito, voltado à normalidade.

Um menino de menos de 14 anos, com uma pistola, fazia o papel de assessor de imprensa da organização criminosa liderada por Tola. Ele recebia os repórteres e avisava que não podiam entrar na favela.

Enfim, colocar inocentes favelados no meio do fogo cruzado entre policiais e traficantes, é desrespeitoso e violador de direitos humanos elementares.

Um helicóptero a disparar contra suspeitos em fuga é covardia e imposição sumária de pena capital. E como, pela imagens apresentadas, estavam desarmados, falar em legítima defesa é inaceitável: os dos helicópteros não se defenderam, atacaram.

Além disso, fora casos excepcionais, não se recomenda disparos por atiradores em helocópteros: como é instável (balança), não há possibilidade de precisão nos disparos.

Com a operação na favela da Coréia, a repetir as anteriores havidas na Rocinha e no morro Dona Marta (sem vítimas fatais), o governador Cabral teve o seu dia de Capitão Nascimento, de puro populismo, com mancha permanente de sangue a macular o seu “curriculum vitae”.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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