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Drogas Ilícitas

 

DROGA. Volta ao lar.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

1 de agosto de 2007.

Noriega, ex general e antigo narcoditador panamenho.




Antes de falar sobre o antigo ditador e ex-general panamenho Manuel Antonio Noriega, condenado nos EUA à pena de 30 anos por narcotráfico internacional e lavagem de dinheiro, gostaria de registrar o e.mail que me trouxe essa notícia.

Uma amiga fraterna, Telva Barros, enviou o e.mail do Panamá, onde ela representa as Nações Unidas (ONU).

Se não me engano, a Telva entra no seu segundo ano de Panamá, depois de três na África, mais especificamente em Moçambique.

Trabalhei junto com Telva no Conselho Estadual de Entorpecentes de São Paulo nos anos 80. Em 1998, assumimos a Secretaria Nacional Antidrogas, junto ao gabinete do Presidente da República: um tucano que tinha medo da polícia federal e não quis implantar uma moderna política de drogas.

Por coincidência, nascemos no dia 10 de maio e no mesmo ano. Não vou dizer que foi no ano de 1947 porque as mulheres, dizem, não gostam de revelar a idade.

Certa vez, um general pediu-me a cabeça da Telva, subsecretária nacional, pois ela defendia políticas “avançadas” no campo da prevenção ao consumo de drogas.

Lógico, contei a ela, que me falou: o cargo fica à disposição, nossa amizade continuará a mesma. Essa é a Telva, num mundo de poucos com caráter.

Respondi a Telva que a decisão já estava tomada e anunciada. Ou seja, preferia a lucidez e o humanismo emanado da sua estrela do que o brilho das que ficam nos ombros de fardas.

Além disso, tínhamos as mesmas posições sobre não criminalização de usuários, a necessidade de políticas de redução de danos e trato duro com traficantes, a começar pelo desfalque do seu patrimônio.

Pois bem. Os “sessentinha” comemoramos diferentemente. Ela, na Grécia, a incluir passeios pelas ilhas. Eu, no morro do Alemão num curso intensivo de como desviar de balas perdidas: terminei sem ferimentos: brincadeira, lógico.

Pablo Escobar, chefão do cartel de Medellín e sócio de Noriega.


Agora, ao que interessa, sem mais.
No e.mail, a Telva avisa que o país está agitado, pois noticiada e confirmada, para os próximos dias, a volta do ex-ditador e general Manuel Antonio Noriega.

Noriega está preso em Miami desde 3 de janeiro de 1990.

Antigo agente da CIA (agência de inteligência dos EUA), a ditadura Noriega interessava, nos campos geopolíticos e geoestratégicos, ao governo de Bush, o pai.

. Afinal de contas, o Canal do Panamá estava sob concessão norte-americana e Noriega adorava,--como “cucaracho” sabujo, a presença dos “gringos”. Em especial porque a capital panamenha era uma das maiores lavanderias do mundo e os “gringos” só pensavam no Canal.

No Panamá de Noriega, o sigilo bancário era absoluto e nem adiantava chegar carta-rogatória de país interessado em desvendar movimentos de traficantes de drogas ilícitas.

Só para lembar, o colombiano Pablo Escobar, chefão do cartel de Medellín, tinha contas nos bancos do Panamá. Mais, virou sócio do Noriega.

Como passou da conta do suportável, George Bush (pai) mandou prender Noriega. Uma operação militar, denominada “Justa Causa” apeou Noriega do poder e levou-o preso para Miami, em 3 de janeiro de 1990.

Segundo o Bush da época, Noriega comandava parte do tráfico de cocaína e maconha para os EUA.

Com dezessete anos da pena cumprida nos EUA, Noriega volta ao Panamá. Eterno retorno, ironiza a Telva no e.mail.

Hoje e quanto ao narcotráfico, Noriega é carta fora do baralho e Escobar foi morto pelo Bloque de Busqueda, orientado pela CIA e DEA, ou seja, as duas agências norte-americanas.

Fora o fato de ser carta fora do baralho, o Canal do Panamá já foi devolvido e Noriega tem que ter alguma vantagem, afinal já trabalhou para a CIA.

Walter Fanganiello Maierovitch, 17 horas.


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