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Drogas Ilícitas

 

Vovó Cannabis e Doutor Maconha. Volta o debate da maconha para uso terapêutico.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

10 de julho de 2007.

Vovó Cannabis ou Patrícia Tabram.


Hoje, num bate-papo com a Fabíola Cidral, brava jornalista da CBN, comentei que pensara no Dr. Maconha e na Vovó Cannabis.

Nada sem causa. Basta ver no blog, o post abaixo. Ou seja, tive a informação,-- e confirmei--, sobre uma decisão, --de repercussão internacional--, que acabara de ser proferida pelo Tribunal de Lugano, que fica na Confederação Helvética. A popular Suíça.

O Dr. Maconha é um clínico geral, Seu consultório médico fica no suíço Cantão de Ticino. Sim, Ticino. Lá onde a máfia siciliana lavava dinheiro e a procuradora geral da Confederação Helvética, Carla del Ponte, bloqueou toda a grana. A propósito e com todos os méritos, Carla del Ponte é a chefe do ministério público do Tribunal Penal Internacional.

A britânica Vovó Cannabis, --de 67 anos e que vive próximo a Londres--, é uma quituteira de mão-cheia. No caso dela, não seria impróprio dizer quituteira de mão-esverdeada.

Ambos, --o Doutor e a Vovó--, viraram celebridades em razão dos processos criminais que enfrentaram.

Até o momento só conheço pessoas que provaram as pílulas do Frei Galvão. Nenhuma que tenha experimentado as “gotinhas-terapêuticas” do Dr. Werner Nussbaumer. E nem um bocado dos os doces e os salgados da Vovó Patrícia Tabram.

O apelidado Dr. Maconha foi condenado a sete meses de prisão, com suspensão condicional da pena.

Em 59 pacientes e para fins medicinais, o Dr. Maconha ministrara “gotas” à base do tetra-hidro-canabinol, ou seja, o princípio ativo da maconha.

Segundo o médico Werner, as “gotas” faziam desaparecer dores e espasmos musculares.

Na sua defesa processual, Werner sustentou que o uso terapêutico da maconha data mais de 5 mil anos.



Só que a sentença do Tribunal concluiu que, no Cantão de Ticino, a lei proíbe. Em outras palavras e com o latim de volta à Igreja: “dura lex, sed lex”, ou seja, a lei deve ser aplicada, ainda que possa parecer injusta.

A Vovó Cannabis, condenada a seis meses de prisão teve a pena suspensa e extinta. Ela continua a faturar com a venda do seu livro de culinária intitulado “A Vovó que Come Maconha”.

A condenação deveu-se ao fato de ela levar pratos,-- feitos com a erva canábica fresca--, para o almoço semanal com a sua turma de aposentados. Mais, a Vovó,-- que não fuma--, cultivava em casa, ilegalmente, 31 pés de maconha. Todos eles apreendidos pela polícia e periciados.

Como a Vovó Cannabis continua polêmica, dizem que ela teria comemorado a saída de Tony Blair com uma fritada de ovos feita com ervas finas e frescas.

Vovó Cannabis em passeada pela liberação da maconha para finalidade médico-terapêutica.


A condenação do Dr. Maconha e a extinção da pena da Vovó Cannabis reabre o debate acerca do uso terapêutico da maconha, mediante receita médica.

No Canadá, o próprio governo fornece a erva canábica aos pacientes, por indicação médica. Na Holanda, desde 2004 e na forma de sachê, a maconha é vendida em farmácias, tudo mediante apresentação de receita médica. Em Barcelona, 10 farmácias vendem experimentalmente a erva. E três hospitais ministram em internos (sempre com prescrição médica), cápsulas de maconha.

Inconformado com leis estaduais a autorizar o uso médico-terapêutico da erva canábica, o presidente Bush resolveu provocar a Corte Suprema. E a Corte declarou ser da exclusiva competência federal a elaboração de lei sobre drogas. Ou seja, seriam inconstitucionais as leis estaduais.

Apesar disso, 10 estados norte-americanos mantém leis autorizando o uso médico-terapêutico. Apenas um estado revogou a lei estadual.

No Brasil, a lei proíbe e o assunto ainda não foi debatido com profundidade.


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