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Drogas Ilícitas

 

DROGAS. War on Drugs chega ao Afeganistão, depois da eliminação do mulá Dadulah. Generais colombianos serão responsáveis pelo adestramento dos soldados afegãos.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

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16 de maio de 2007.

papoulas: da cápsula de sustentação da flor é extraído o ópio (suco, em grego).


Em 2001, sob liderança dos EUA, forças aliadas invadiram o Afeganistão, sob governo dos talebans, que admitiam a permanência, no território afegão, do quartel general da Al Qaeda, comandada por Osama bin Laden, e campos de treinamento de terrorista.

Com a invasão, os talebans ficaram desorientados e se afastaram da capital Cabul. Os dez comandantes militares, hierarquicamente subordinados ao mulá Omar, cuidaram de organizar a resistência e, no futuro, retomar Cabul.

Na região sul, coube ao mulá Dadulah, com 12 mil homens, comandar a resistência. Os talebans comandados por Dadulah conseguiram controlar 80% do território afegão do sul. E no sul, na província de Helmand, estão as grandes áreas de plantio de papoula e extração do ópio.

o frágil presidente Karzai, que aposta no seu novo exército, treinados pelos EUA e NATO. Um grupo fará a War on Drugs, sob coordenação colombiana.


Os principais distritos de cultivo e extração são Garishk, Sanguin e Nahi Sarraj, cujos agricultores recebem, mediante pagamento de taxas, a proteção dos talebans de Dadulah, morto no domingo passado (13 de maio de 2007>.

A Operação Aquiles, iniciada no início da primavera afegã de 2007 pelas tropas da NATO (missão Isaf), objetiva minar a resistência dos talebans no sul. E a blitz que matou 11 talebans no domingo 13 (13 de maio de 2007), incluído o mulá Dadulah, conseguiu impor duro golpe aos membros da resistência.

No momento, os senhores das guerras (chefe-se-tribais) do sul e região meridional ( província de Helmand) preocupam-se, pois os talebans de Dadulah protegiam as áreas de cultivo de papoula, extração de ópio e trânsito do ópio-base para os centros de refino em heroína.

Antes e durante o regime dos talebans, o Afegão sempre foi o maior produtor mundial. E os talebans caíram quando os senhores das guerras apoiaram as forças de coalizão. Só que, depois da invasão, os senhores das guerras, ligados ao comércio do ópio, voltaram a estabelecer vínculo com os talebans subordinados ao mulá Dadulah.

Como se percebe, a situação do país, no que toca ao ópio e depois da invasão pelos aliados, continua igual. Em 1999, o governo dos talebans aceitou uma aproximação com o escritório das Nações Unidas e ficou prometido um grande projeto de cultivos substitutos à papoula: o mulá Omar, o ministério contra o Vício e os Maus Costumes e os comandantes militares, chegaram a promover, para fim de marketing, ações de erradicação, na fronteira com o Paquistão e em pequenas áreas. O certo é que o Afeganistão sempre teve sua economia a depender do ópio. Além de maior produtor mundial, 50% do pib-afegão decorre do mercado do ópio

O corpo de Dadulah mostrado pelo governador de Kandahar.


Neste ano de 2007, a produção de ópio é estimada em 650 mil toneladas, que movimentaram cerca de US$31 bilhões. E os traficantes de ópio possuem o necessário para eleger os governadores das províncias e os políticos. Assim, nenhum governador de província está interessado nas erradicações e todos silenciam quando o tema é a erradicação das áreas de cultivo da papoula.

Depois da morte de Dadulah e perceber que o ópio financia os talebans, o governo dos EUA, -- que nunca preocupou-se com o ópio afegão (ele não chega nos EUA)--, já estuda um projeto de aproveitamento de parte do exército afegão (treinado por generais colombianos) para iniciar a surrada War on Drugs.

campo de papoula, na província de Helmand.


No projeto, consta a criação de tribunais especiais antidrogas, com 70 juízes e um presídio com 56 celas.

Do projeto, entretanto, não consta como se sustentará o pib-afegão, caso perca os valores movimentados pelo ópio.

Os generais colombianos que serão envolvidos foram os responsáveis, na Colômbia, pelo falido Plan Colombia. Só para lembrar, as áreas de cultivo de coca foram fumigadas com herbicidas, despejados por avião.

Em dezembro de 2006, o presidente Karzai disse que não aceitaria a erradicação das áreas de cultivo de papoula com emprego de herbicidas, em razão de irreversíveis danos ecológicos.

16 de maio de 2007.


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