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Drogas Ilícitas

 

Vamos a la playa: Cicareli, Freud, Cartéis, Bush, Lula, Força Nacional de Segurança, Exército etc.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL

Playa Cadiz- Espanha.



Vários fatos marcantes merecem abordagem nesta Linha de Frente pela cidadania, neste início de janeiro de 2007.

No contraste à criminalidade organizada no Rio de Janeiro, percebeu-se que o ritmo “zero-quilômetro” do governador Sérgio Cabral não é acompanhado pelos ministros que atuam como agentes da autoridade do presidente Lula nos ministérios da Defesa e da Justiça.

Por outro lado, da reunião de governadores do Sudeste – que culminou com a formalização de vários pedidos ao presidente da República e a instalação de gabinete de gestão integrada – renasceu a antiga esperança de sinergia para o enfrentamento ao fenômeno representado pela criminalidade organizada. Convém lembrar que a falta de comunicação e o corporativismo já resultaram na proposta de fusão das polícias estaduais.

Uma avant-première da nova estratégia antiterror de Bush, válida não só para o Iraque mas urbi et orbi, ocorreu no sul da Somália e aterrorizou. Mais de 20 civis inocentes acabaram mortos por raids disparados de avião e de helicópteros decolados do porta-aviões Eisenhower, baseado no Índico. Serviu de pretexto a existência de uma base da Al-Qaeda e as presenças nela de executores dos ataques, em 7 de agosto de 1998, às embaixadas americanas em Nairóbi, no Quênia, com 247 mortes, e Dar Es-Salaam, na Tanzânia, com 10 vítimas.

A modelo Cicarelli voltou a mostrar que, por si ou por interposto namorado da vez, o seu destino é ocasionar confusões. E a Justiça acabou por censurar o site de vídeos compartilhados YouTube, tirado do ar. A medida liminar apenas deveria suspender a exibição do vídeo. Um vídeo que feria a intimidade de Cicarelli e do seu parceiro de sexo. O que a dupla de namorados não sabe é que a lei espanhola pune o atentado ao pudor coletivo em praia não privada

. Por outro lado, pesquisa realizada na Grã-Bretanha e na Espanha serviu para mostrar aquilo que as esquinas brasileiras já sabiam: a cocaína passou de droga de ricos a fenômeno de consumo de massa.



Sigmund Freud, em 1884, definiu a cocaína como droga mágica no ensaio intitulado Ueber Coca. Lógico, Pablo Escobar acreditou e investiu no negócio de procedência andina. Nos salões aristocráticos tomados pela alta burguesia era chique cheirar uma pitada de cocaína, tirada de antigos estojos de rapé, cravejados de brilhantes e rubis.

Durante anos, a cocaína só foi acessível aos ricos que aspiravam o pó-mágico com canudo feito de papel-moeda de valor alto.

Nesta semana, divulgou-se em Londres uma pesquisa a mostrar que 99,9% das notas mínimas, de 10 e 20 esterlinas, tinham resíduos de cocaína: o pó penetra nas fibras e não desaparece com o manuseio do papel-moeda. O valor baixo das notas mostra que a cocaína chegou aos pobres mais rápido do que a distribuição de rendas.

Na Espanha, pesquisadores recolheram em supermercados e farmácias populares cédulas usadas como troco. Em 94% das cédulas havia resíduo de cloridrato de cocaína. Segundo o governo Zapatero, 475 mil espanhóis usam habitualmente cocaína.

Com menos de mês de mandato, o presidente mexicano, Felipe Calderón, cumpriu a promessa de enfrentar o tráfico de drogas e armas de fogo, operados pelos potentes cartéis de Tijuana, Juárez, Nova Laredo e do Golfo do México.

Para o estado de Michoacán, na costa do Pacífico, foi enviada uma Task Force de 7 mil homens e em Tijuana, fronteira com a americana San Diego, aportaram 3,3 mil policiais. Em Tijuana, os policiais locais tiveram as armas apreendidas em razão de suspeita de ligações com o cartel que leva o nome da cidade e cujos chefões são os irmãos Arellano Félix. Nas duas operações foram empregados 21 aviões, 9 helicópteros e 28 lanchas voadoras.

Somália, no chifre a África: importância geoestratégica.


Enquanto isso, no Brasil, a promessa de envio das Forças Armadas para o Rio de Janeiro esbarra no óbice constitucional. As Forças Armadas só têm poder de polícia no caso de intervenção federal aprovada pelo Congresso Nacional. Talvez isso tenha levado o ministro Waldir Pires a afirmar que o Exército não ocupará favelas, os seus soldados não farão policiamento ostensivo etc.

A Força Nacional de Segurança nada mais é do que uma Task Force, cujos integrantes, de vários estados, se reúnem em situações especiais. No Rio, ela atuará em apoio e, como já ficou estabelecido, não participará de ações em áreas de favelas.

Sem prazo determinado e demora na chegada, a Task Force, no Rio, vai fiscalizar as divisas do estado para evitar o tráfico de armas e drogas. Espera-se não seja uma Linha Maginot, concebida no fim da Primeira Guerra Mundial e, quando da Segunda, não impediu a passagem das tropas de Hitler.

WFM?Carta Capital, janeiro de 2007.


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