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Máfias/Dinheiro Sujo

 

MAFIA: depois de 17 anos, colaborador histórico da Justiça deixa o programa de proteção.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF,26 de maio de 2006.

Mannoia, virou colaborador em 1989.



Quando se fala em colaboradores da Justiça, o primeiro nome é o de Tommaso Buscetta.

Depois de Biscetta vem Franceco Marino Mannoia, apelidado de "Mozzarella". Ele pertencia à "famiglia mafiosa" de Santa Maria de Gesù (vizinha a Palermo), controlada pelo ex-capo mafia Stefano Bontane.

Na segunda guerra de máfia, Bontate, amigo de Buscetta, foi fuzilado pelos corloneses de Totó Riina e Bernardo Provenzano, ambos em cárcere de segurança máxima. Bontate não seguiu o conselho de Buscetta, que aconselhou a fuga ao Brasil.

Pelos dezessete anos de colaboração com a Justiça, Mannoia, que está com 55 anos, deixa o programa de proteção com um "bonus" de hum milhão de euros, pagos pelo governo italiano.

A Itália conta com mais de 100 programas de proteção. Os ex-mafiosos de ponta, como precisam sobreviver fora da organização, recebem estipêndio do Estado. Parte do estipêndio é guardado para entrega quando o colaborador (arrependido) deixa o programa. Isso aconteceu com Mannoia.

Com a "poupança", o arrependido (pentito) pode iniciar uma nova atividade econômica.

Mannoia continuará na Itália. Como se sabe, Buscetta foi transferido para os EUA e lá morreu, de morte natural. A mulher de Buscetta, que é brasileira, continua a viver nos EUA, com os dois filhos.

Outro importante colaborador de Justiça, - o arrependido Salvatore Contorno-, encontra-se nos EUA, com nova identidade e onde se adaptou. Não mais voltará para a Itália.

A escolha de Mannoia, no sentido de mudar de lado (deixou a máfia e passou a colaborar com o Estado) saiu cara. Mannoia entrou para o sistema de proteção em outubro de 1989. Desde então, a máfia, sob controle dos corleoneses (cidade de Corleone), matou a mãe, a irmã e a tia de Mannoia. Na máfia, Mannoia atuava como químico e era o responsável pelo refino da heroína encaminhada pela criminalidade organizada da Turquia (lobos cinzentos- luppi grigi).

O depoimento de Mannoia foi importante para condenar Giulio Andreotti,-- sete vezes primeiro ministro---, por associação mafiosa.

Andreotti era ligado ao grupo de Bontate e se afastou da máfia quando os corleoneses tomaram o governo da organização criminosa. Como o crime presceveu (levou-se em conta o período que Bontate governou a Cosa Nostra), Andreotti continuou senador vitalício.


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