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Máfias/Dinheiro Sujo

 

MÁFIA. Festa em Corleone, berço dos chefões mais sanguinários.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

abril de 2007.

A pequena cidade siciliana de Corleone, menos de 12 mil habitantes, está em festa desde terça 10, véspera do primeiro aniversário da prisão do capo-mafia Bernardo Provenzano.

Essa cidade meridional foi berço dos mais sanguinários chefões da Cosa Nostra, que exerciam absoluto controle de território. Por mais de 70 anos, os seus moradores viveram sob o jugo mafioso, o rigor da omertà e as limitações à liberdade de locomoção, de manifestação do pensamento, de reunião, etc. Assim, o 11 de abril passou a representar uma data especial.

No bosque de Ficuzza, mais de 3 mil pessoas cantaram e dançaram, numa espécie de preliminar às festas do 11 abril . Em Ficuzza fica a chácara (masseria) onde se escondia Provenzano. Ele permaneceu foragido da Justiça por mais de 43 anos e só deixou a Sicília para operar a prostata em Marselha (França).

Ficuzza tem um importante valor simbólico na história do movimento de reconquista da cidadania. Entre suas árvores ocorreu a execução, há pouco mais de 30 anos, do coronel carabineiro Giuseppe Russo, um dos baluartes da luta antimáfia. Russo foi assassinado pelo corleonese Leoluca Bagarella, ministro do exército da Cosa Nostra, cunhado e conterranêo do sanguinário Salvatore Tóto Riina, o capo dei capi (chefe-dos chefes) da Máfia.

A animação nas festas contagiou o prefeito Nicolò Nicolasi, que soltou o verbo. Ele disse coisas jamais ditas em outros tempos e deletou da memória um conhecido provérbio siciliano, de raiz mafiosa: “Uomo avvisato è mezzo salvato” (homem prevenido vale por dois).

Para Nicolosi, em Corleone não nascerão mais os Navarra ( referência ao médico Michelle, capo máfia e conhecido no dialeto siciliano por Ù Patri Nostru), Liggio (chefão no pós-guerra), Riina e Provenzano.

A estrada de acesso à chácara-refúgio em Ficuzza mudou oficialmente de nome e da nova placa consta “ Via 11 Aprile”. No meio de tanta alegria, ocorreu apenas um constrangimento, a envolver o governador da Sicília, Totò Cuffaro. Isso por ocasião da solenidade de outorga, na sede da prefeitura, de títulos de cidadania honorária de Corleone. Por descuido do cerimonial, o governador Cuffaro, que está sendo processado por crime de associação mafiosa, foi colocado ao lado do procurador antimáfia.

Com a sutileza do vulcão Etna em erupção, a assessoria do governador informou aos presentes que Cuffaro é apenas imputado e goza de presunção de inocência. Aliás, como todos os acusados, incluídos os mafiosos não condenados definitivamente.

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RETROSPECTIVA.

10 de abril de 2007.

visão do local de refúgio, com a casa utilizada em destaque..






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Provenzano, nascido em Corleone, foi preso em 11 de abril de 2006.

Estava foragido há mais de 43 anos e só havia deixado a Sicília para uma operação de prostata na França.

Desde a vépera do primeiro aniversário a cidade de Corleone festeja a prisão do supre-boss e dos seus antecessores.

Mais de 3 mil pessoas cantaram e dançaram no bosque de Ficuzza. Nesse bosque fica o sítio (masseria) onde foi preso Bernardo Provenzano, então "capo-dei-capi" da Cosa Nostra.

No bosque de Ficuzza ocorreu, há mais de 30 anos, o assassinato do coronel carabineiro Giuseppe Russo, da antimáfia. Um dos matadores foi Leoluca Bagarella (preso-prisão perpétua), que era o general do exército da máfia, e cuja irmã (Ninetta Bagarella) era casada com Totó Riina, o mais sanguinário de todos os chefes mafiosos: Provenzano sucedeu Riina, após a sua prisão. Supracitado trio mafioso, Riina, Provenzano e Bagarella, são os mandantes dos assassinatos dos juízes Giovanni falcone e Paolo Borselino.

Para o prefeito de Corleone, Nicola Nicolasi, são cenas jamais vista. Isto porque os corloneoses tinham medo de sair de casa e a Cosa Nostra impunha a lei de silêncio.

Os mafiosos impediam o contato dos cidadãos para evitar a formação de grupos de resistência. Hoje, os cidadãos aproveitam a volta plena da liberdade e desfrutam de uma sadia vida comunitária.

O sítio-refúgio (masseria di Ficuzza) estará, a partir de 11 de abril´, aberto para visitação. Ele fica localizado à Via 11 Aprile, nome dado para registro da importante data de uma vitória do Estado contra a Máfia.

Na masseria, no período da manhã do dia 11 de abril, serão homenageados, com a outorga da Cidadania de Corleone, várias personagem da luta antimáfia, incluído uma homenagem póstuma ao antigo arcebispo da célebre catedral de Monreal, don Catadaldo Navarro (falecido ha 6 meses). Don Cataldo dirigiu e organizou o Centro de Documentação Antimáfia de Monreale.

Serão também homenageados o chefe-de-polícia de Palermo, Giosuè Marino, que trabalhou com avinco na prisão de Provenzano, e o juiz Leonardo Guarnotta.

Já confirmou presença na cerimônia de outorga de títuos de cidadãos de Corleone o governador da Região da Sicília, Totò Cuffaro. O governador, lá chamado de presidente da região, destinou verbas para as festividades. O único problema, a causar constrangimentos, é que Totó Cuffaro responde, em Palermo, a processo criminal: ele é acusado de favorer a Máfia e de concurso externo com associação mafiosa.

Para o prefeito municipal Nicolasi, a cidade conseguiu, finalmente, libertar-se dos Navarra (médico), Liggio (falecido), Riina (prisão perpétua) e Provenzano (prisão perpétua e processos em curso), que governaram a Máfia por muitos anos. A cidade de Corleone está em festa desde a véspera do 11 de abril. Mais de 3 mil pessoas cantaram e dançaram no bosque de Ficuzza, onde ficava a chácara onde se escondia Provenzano. .........................................

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RETROSPECTIVA, de 11 de abril de 2006 a 24 de abril de 2006.

24.abril 2006.

Provenzano com jaqueta da polícia, quando do embarque para o presídio de Terni, na Úmbria.


OLHO:
A Máfia está exposta. A prisão do chefão Provenzano poderá resultar no desmonte de uma vasta rede de apoiadores e coniventes da COsa Nostra. Com a frase "Que o Senhor vos Proteja", Provenzano, o chefe-dos-chefes, encerrava os bilhetes datilografados enviados aos aliados. Em Palermo, agora, o que mais se fala é "Que o Senhor nos proteja". Razão: estão sendo desvendadas as redes de cumplicidade e de proteção a Provenzano.

MATÉRIA:

Com a frase “Que o Senhor vos proteja”, Bernardo Provenzano, – capo dei capi da Cosa Nostra preso na semana passada –, encerrava os bilhetes datilografados enviados aos seus aliados.

Hoje, em Palermo, a frase que mais sai da boca dos mafiosos atuantes como políticos, empreiteiros, funcionários públicos, advogados, médicos, oficiais dos cartórios de Registro de Imóveis, corretores de valores é a mesma de Provenzano, só que trocam o “vi” (vós) pelo “ci” (nós): “Que o Senhor nos proteja”.

O temor tomou conta da cidade onde ocorreu o maior “processo de legalização da ilegalidade”, na feliz síntese de Umberto Santino, um dos maiores especialistas no tema Cosa Nostra.

A razão da paura chamava-se Marzia Sabella, magistrada antimáfia da Procuradoria do Ministério Público de Palermo. Na terça-feira 18, Marzia terminou de decifrar os 200 bilhetes apreendidos no refúgio de Provenzano.

Corre à boca pequena ter Marzia identificado alguns dos envolvidos na rede de proteção a Provenzano. Ou melhor, ela já teria levantado 77 nomes que ajudaram Provenzano a permanecer fora do alcance da Justiça por quase 43 anos. Isso tudo sem renunciar ao governo da Cosa Nostra e sem precisar deixar de pôr os pés na barroca palermitana Bagheria e na sua natal Corleone.

Os bilhetes revelariam, também, negócios escusos em face de obras públicas, com licitações ganhas por empreiteiras indicadas por Provenzano. O teor dos bilhetes confirma os relatos de Angelo Siino, colaborador de justiça e ex-ministro de Obras Públicas da Cosa Nostra.

Siino conta que, ao tempo do chefão Totò Riina, a distribuição das comissões indevidas recebidas pela intermediação mafiosa – e pagas pelos empreiteiros – obedecia à seguinte tabela: 20% para os políticos, 20% para os servidores públicos da panela, 0,8% para o gestor Totò Riina e o restante para o caixa da Cosa Nostra. Um caixa administrado por Pino Lipari, ministro da Fazenda da organização, a quem carecia, por exemplo e consoante Siino, comprar armas, subornar agentes penitenciários e pagar os advogados contratados para a defesa dos mafiosos presos.

Ainda segundo Siino e no que toca às Obras Públicas, com Provenzano no governo, isto depois da prisão em 1993 de Riina, tudo mudou. Provenzano não recebia os 0,8%, pois tinha o seu próprio negócio.

Além disso, Provenzano implantou na Máfia um eqüitativo processo de distribuição de renda, a compensar os “mandamentos” (territórios) dos chefes menos afortunados pela carência de obras públicas e outras fontes de exploração ilícita.

Enquanto setores de Palermo abalavam-se pelo contido nos bilhetes, a cidade de Terni (Úmbria) recebia, no seu estabelecimento prisional, o advogado Salvatore Traina.

Traina, há anos, é defensor constituído de Provenzano. Numa entrevista dada em março ao jornal La Repubblica, ele mencionou as suas equivocadas suspeitas sobre a morte de Provenzano, ocorrida há muitos anos.

Quando se descobriu que Provenzano tinha operado a próstata em um hospital de Marselha (França), Traina continuou a duvidar. Argumentou que o DNA colhido no hospital francês não tinha valor, pois a Itália não possuía elementos de cotejo.

Na segunda-feira 17, Traina conversou com Provenzano por duas horas. Tudo foi filmado, com interlocução por microfone e um vidro blindado a separá-los. Nos dias 2 e 5 maio, pelo sistema de videoconferência e em dois processos diversos, Provenzano será ouvido pela Justiça.

No final do colóquio no cárcere de Terni e diante do corpo de policiais, ouviu-se Provenzano dizer a Traina: “Grazie, che Dio vi benedica” (Obrigado, que Deus o abençoe).

Provenzano é observado 24 horas por telecâmeras e a sua comida é preparada em cozinha exclusiva, com todos os controles e cautelas para se evitar envenenamento. De manhã, Provenzano mantém o costume de tomar apenas um copo de leite. No almoço e jantar obedece a uma dieta médica.

Provenzano pediu sem sucesso audiência ao capelão do presídio. Também não logrou de volta o seu exemplar da Bíblia Sagrada, todo marcado e do qual colheu inspiração para elaborar um código cifrado, usado nos bilhetes.

Os hábitos religiosos de Provenzano incomodam o bispo Giuseppe Costanzo. No contato com os agentes penitenciários, por exemplo, ele movimenta o braço direito e solta um Che il Signore vi Protegga.

Para o bispo, a religiosidade do boss é imatura, distorcida e beira a superstição. A esta altura, e do inferno, Tommaso Buscetta, o ex-capo dos dois mundos e inimigo da famiglia mafiosa de Corleone, deve estar gargalhando e vibrando o tridente de Lúcifer, o qual ganhou num jogo de pôquer com cartas marcadas.

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RETROSPECTIVA.

IBGF.18 de abril de 2006.

OLHO

Bernardo Provenzano fez o seu primeiro pedido à direção do presídio especial de Terni (Úmbria). Solicitou o exemplar da sua Bíblia Sagrada.

Como o exemplar pedido está apreendido ( o capo-mafia usava um código criado a partir do números dos versículos da Bíblia) e em fase de perícia, Provenzano acabou atendido apenas em parte.

Das autoridades penitenciárias, ele recebeu um exemplar novo da Bíblia, que será trocado diariamente. Na casa de refúgio (vide foto ao lado), as perícias foram encerradas.

Nas imediações do "esconderijo", a polícia continua as verificações e os juízes antimáfia, Marzia Sabella, Giuseppe Pinatore e Michele Prestipino, ainda trabalham para desvendar, com base nos 200 bilhetes apreendidos, a rede de cumprlicidade que permitiu a Provenzano permancer foragido por quase 43 anos.

MATÉRIA.

Na cela do cárcere de disciplina dura de Terni (na região da Úmbria-coração da Itália), Provenzano não tem televisão e nem rádio. Não recebe jornais e nem revistas. Ele pode pedir livros da biblioteca, cuja relação encontra-se sobre a mesa da sua cela.

Da relação, consta a Bíblia Sagrada, mas Provenzano pediu um exemplar em especial e que fora apreendido, junto com 4 outros, na casa que lhe servia de refúgio.

Como se sabe (vide matéria abaixo), Provenzano governava a Máfia por meio de pequenos bilhetes ("pezzini"), onde grafava vários números. Os peritos já descobriram que Provenzano criou um código secreto, por ele engendrado, e a partir dos números dos versículos da Bíblica e combinações com letras. Ou seja, os 200 bilhetes encontrados na casa-refúgio estão sendo desvendados. O velho e anotado exemplar não foi devolvido a Provenzano, mas ele recebeu um novo da Bíblia Sagrada, sem nenhuma anotação ou marcação. O exemplar será trocado ao menos a cada 24 horas.

Os magistrados que estão desvendando os 200 bilhetes são Marzia Sabella (juíza antimáfia), Giuseppe Pignatore e o substituto Michele Prestpino. Ontem (17 de abril de 2006) eles terminaram a elaboração de um quadro de conexões. Pretendem, dentre outras coisas, desvendar a rede de cumplicidade que dava sustentação à fuga de Provenzano. A polícia continua a realizar buscas em imóveis da região de Montagna dei Cavalli (onde fica a casa-refúgio) para verificar se encontra um posto onde poderiam estar guardados os arquivos de Provenzano ou, até um "escritório", tipo "gabinete" do "capo de i capi". ............................

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IBGF-13 de abril de 2006.
Na casinha de janela vermelha (quarto e banheiro) ficava escondido Provenzano



OLHO.

Provenzano, diariamente, lia dois dos jornais italianos de maior circulação. Recortava todas as notícias e os artigos sobre a Cosa Nostra, que eram arquivados em pastas. O capo dei capi usava "fraudão" em razão de ter perdido o controle da micção depois da operação da prostada realizada em Marselha (França). Costurado na cinta que passava em cima do "fraudão", Provenzano guardava 1.000 euros. MATÉRIA O capo Provenzano levava uma vida espartana, cheia de restrições e cuidados especiais.

A casa onde foi preso era modestíssima (veja fotos abaixo). Ele usava apenas um quarto, onde cozinhava, e banheiro. As janelas e portas eram lacradas com material que impedia a passagem da luz de dentro.

Provenzano com jaqueta da polícia, quando do embarque para o presídio de Terni, na Úmbria.




Provenzano usava um micro-ondas e a sua velha máquina de escrever era elétrica. Por coincidência o mesmo modelo da usada pelos membros das Brigadas Vermelhas para elaboração das mensagems, quando, em 1968, sequestratram e mataram o ex-premier Aldo Moro. No seu refúgio foram encontrados dois aparelhos de televisão pequenos, um deles quebrado. O boss, que não deixava o quarto, diverti-ase com a televisão e a leitura diária de dois jornais italianos de grande circulação (presume-se Corriere della Sera e La Repubblica).

Com uma espátula, Provenzano cortava e arquivava em pastas todas as notícias e os artigos sobre a Cosa Nostra.





Refúgiu: casa de um quarto, em primeiro plano.






























No quarto foram encontrados 5 exemplares de bívlia e algumas imagens. O boss era muito religioso.

Os policiais descobriram ter Provenzano, com base na numeração da Bíblica, bolado um código, que era usado nos bilhetes de comunicação.

Pelas datas, o último bilhete que recebeu antes de ser preso (terça 11 de abril) foi no sábado. O bilhete é do seu filho menor, Francesco Paolo Provenzano, que mora na Alemanha com o tio paterno e estuda línguas strangeiras na Universidade. O bilhete do filho termina com um desejo ao pais:Dio ti protegga"

Nos 200 bilhetes apreendidos, percebe-se contatos do boss com empresários e informações de mafiosos sobre valores de extorsões (pizzo pago pelos comerciantes). Em muitos bilhetes fala-se em empresários que, ajudados e reconhecidos, venceram concocorrências para construções de obras públicas.

O boss mantinha, costurado num cinto, 1.000 euros. Ele usava "fraudão", pois perdeu o controle da micção depois da operação de prostata realizada em Marsellha-França (veja matéria abaixo).

visão do local de refúgio, com a casa utilizada em destaque..




































Num dos bilhetes em elaboração, Provenzano acusa o recebimento de um pedido de um capo mandamento da máfia e responde: Farà intervenire il nostro amigo (farei intervir o nosso amigo).

À prisão de Provenzano seguiu-se, ontem (12 de abril de 2006) do camorrista Salvatore Terraciano, em Napoles.

Terraciano controlava o tráfico de drogas no Quartier Spagnoli. Com ele foram presas suas 4 irmãs, 1 filho e 6 "soldados". do seu clan. A prisão gerou protestos (veja foto).
Nápolis: protesto popular contra prisão do camorrista e traficante Salvatore Terraciano, controlador do Quartier Spagnoli.


A Camorra napolitano não tem a mesma formação da Cosa Nostra e nem órgão de governo (cúpula). Ela é horizontalizada, ao passo que a Cosa Nostra (máfia siciliana) é verticalizada. ..................................

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IBGF-12 de abril de 2006.

OLHO.

A polícia começa a revelar as pistas que levaram ao mafiosoO supreboss deixou o cárcere de Palermo (Ucciardone) onde passou a noite e, logo cedo, foi transferido para o distante presídio especial localizado na cidade de Terni (região da Umbria). Durante toda a noite três membros do ministério público trabalharam com os 200 bilhetes apreendidos na casa onde Provenzano escondia-se, próximo de Corleone (sua terra natal), em local chamado de Montagna dei Cavalli. Nesse local, estaõ trabalhando peritos especializados em coleta de provas. Na madrugada, foram presos 3 mafiosos do grupo de suporte de intendência de Provenzano.

O dono da casa-de-campo onde Provenzano se escondia.


1.A esposa de Provenzano e os dois filhos moram na cidade de Corleone (cida berço da máfia e que levou ao designativo Don Corleone, no filme Poderoso Chefão).

Savéria Palazzolo, esposa de Provenzano, sempre foi muito vigiada. Chamou a atenção da polícia um utilitário de uma lavanderia estacionado na cidade, distante da casa de Saveria.

Desse veículo aproximou-se o sobrino de Provenzano e realizou a entrega de roupas de cama, banho e peças do vestuário íntimo masculino.

As peças de roupa, lavas e passadas por Savéria destinavam-se a Provenzano.

2.Localizada a casa onde escondia-se o capo-mafia, começou o trabalho da polícia que, no interior da casa, conseguiu instalar um aparelho de micro-espia.

A casa ficava próxima da cidade de Corleone, em local chamado de Montagna dei Cavalli.

Depois da prisão, entrou na casa uma equipe especial de peritos. São peritos do ERT (Esperti Ricerca Tracce), ou seja, especializados em recolher provas, em especial os detalhes.

Foram apreendidos 200 bilhetes. Num deles, Provenzano pedia "Pasta al Forno".

O boss comunicava-se apenas por meio de bilhetes (vide matéria abaixo sobre o Sistema de Circulação de Bilhetes, de modelo de Rede Ferroviária).

Foram presos 3 pessoas, no curso do dia, que davam apoio de intendência ao chefe Provenzano. Um deles era seu sobrinho.

3.Provenzano dormiu no célebre cárcere palermitano Ucciardone (que já foi controlado pela máfia). Logo cedo, deixou a Sicília.

De helicóptero foi transferido para o cárcere especial (recebe mafiosos em regime penitenciário duto) localizado na cidade de Terni.

EStá isolado e vigiado 24 horas.

No mesmo cárcere está o filho de Totó Riina,-- Giovanni Riina--.

Totó Riina, também de Corleone, antecedeu Provenzano no governo da Cosa Nostra. Foragido desde 8 de julho de 1969, acabou preso em 15 de janeiro de 1993.

4.Três procuradores do Ministério Público (dois homens e uma mulher) passaram a noite lendo os 200 bilhetes apreendidos e estabelecendo um mapa das conexões.

Por meio de bilhetes, Provenzano passava as ordens e mantinha o controle de toda as familías mafiosas sicilianas. ..............................

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IBGF-11/4/2006.
Provenzano: primeira foto oficial, na Questura (sede da polícia) de Palermo.


OLHO.

Bernardo Provenzado foi preso numa casa de campo (chácara-sítio) próximo a entrada da cidade de Corleone. A sua única foto datava de 1959. Sua voz era desconhecida. Ao ser preso, ele negou tratar-se da pessoa procurada, mas o exame de DNA confirmou sua identidade. Ele integrava a cúpula mafiosa que decidiu pelas execuções dos juízes Giovanni Falcone e Paolo Borselino. Conhecido pelo apelido de "contador" ele tinha o papel de fazer contato com os políticos italianos.

MATÉRIA.

Bernardo Provenzano, 73 anos de idade, sucedeu Totó Riina (Salvatore Riina), que permaneceu foragido desde 8 de julho de 1969 e acabou preso em 15 de janeiro de 1993.

Com a prisão do sanguinário Riina, apelidado de a Besta, passou Provenzano a reger a Cosa Nostra siciliana.

Ao contrário de Riina, que decretou guerra ao Estado, Provenzano era concliador e fez a organização submergir, fingir-se de morta, depois da prisão de Riina. Provenzano tem várias condenações à pena prisão perpétua. Foi considerado um dos mandantes das tragédias de Capaci e Via d´Amelio, onde os juízes Giovanni falcone e Paolo Borselino foram mortos em face de ataques com explosivos.

O superboss não falava ao telefone e nem usava computador. Criou um sistema de comunicações por bilhetes, que passavam por muitas mãos e lugares diferentes antes de chegar ao destinatário: o sistema era conhecido como Rede Ferroviária (alusão ao trem que parava em vários estações e mudava de passageiros).

Quando da prisão, Provenzano tinha o bolso cheio de bilhetes (pezzini). Ele chamou os policiais mascarados de "bastardos" e, no Distrito Policial (Questura) falou-se que fora preso em razão de investigações (a pista foi um dos bilhetes) e não de delação de companheiro mafioso.

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Provenzano, na apresentação á imprensa.


COMENTÁRIO para a radio Jovem Pan
-11/4/2006.

Ele estava foragido há 42 anos. Isso sem tirar os pés da Sicília e sem deixar a cúpula de governo da Máfia.

Condenado em 5 processos às penas de prisão perpétua, Provenzano foi um dos mandantes dos assassinatos com emprego de bombas dos juízes Giovanni Falcone e Paolo Borselino.

Provenzano sucedeu o sanguinário Totó Riina, “capo dei capi”.

A esposa de Provenzano mora em Corleone com o filho. Seu irmão mora há mais 30 anos na Alemanha e sobre ele pesa a suspeita de lavar dinheiro para o irmão Provenzano.

Ao ser preso, Provenzano falou que a polícia estava enganada. Sua única foto era virtual, feita por um programa de envelhecimento a partir de uma foto tirada em 1959, quando tinha 26 anos. O exame de DNA confirmou tratar-se de Provenzano.

A prisão de Provenzano, que está com 73 anos de idade, encerra a fase da máfia dos grandes chefes. Provenzano não falava ao telefone, não usava computador e nem internet. Comunicava-se por meio de pequenos bilhetes (pezzini), que passavam por muitas mãos.

A polícia especial antimáfia chegou a Provenzano por meio de um desses bilhetes e não por “traição” de mafioso arrependido. Como a tendência pós Provenzano, é a autonia das “famiglie” (células criminosas), a seguir o mesmo modelo dos cartelitos colombianos. Enquanto a Itália anuncia com júbilo a prisão de um grande mafioso, os nossos brasileiros, de espírito e fé mafiosa, continuam longes das grades, como Delúbio, Marcos Valério e outros da mesma caterva.
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RETROSPECTIVA

comentário de Wálter Fanganiello Maierovitch, para o Portal do Jornal Terra, em janeiro de 2006.

Mais uma vez, a máfia mostrou a sua força e as autoridades pagaram o mico.

Bernardo Provenzano, o chefe-dos-chefes da secular máfia, encontra-se foragido desde 8 de setembro de 1963, ou seja, há mais de 41 anos. Isso sem deixar de morar na Sicília. Provenzano está condenado è pena de prisão perpétua, em vários processos. A única fotografia que a polícia antimáfia possui dele é de 1959, quando tinha 26 anos de idade. Agora, Provenzano está com 72 anos. A polícia antimáfia trabalha com uma sua fotografia virtual. Uma imagem obtida por programa de computador, que envelhece as pessoas, a partir de uma fotografia conhecida. A voz de Provenzano não é conhecida pelas autoridades. Ele não usa telefone e nem utiliza recursos tecnológicos modernos, como celular, computador, internet, etc.

Graças ao relato por chefe mafioso “arrependido”, os procuradores antimáfia souberam que a voz de Provenzado apareceria circunstancialmente numa interceptação telefônica policial realizada em 1995. A fita gravada fazia parte do famoso processo conhecido por Pizza Conection. Aquele sobre tráfico de drogas e lavagem de dinheiro ocorridos na Itália e nos EUA. Nessa gravação, um dos interlocutores, chamado pelo apelido de Binnu, seria Provenzado. Os procuradores desarquivaram o processo e ficaram perplexos: a fita gravada tinha desaparecido. À época, o tal Binnu não fora identificado e se livrou do processo. Provenzado se comunica com os chefes regionais da máfia por meio de pequenos bilhetes (pizzini). Esses bilhetes são em parte cifrados e cheios de expressões elevadas. Por exemplo, que Deus o proteja. Não faça mal ao próximo. Tenha compaixão, etc.

A circulação desses bilhetes, conforme revelado pelo magistrados antimáfia, segue o modelo de uma rede ferroviária, com muitas paradas e trocas em diferentes estações. O percurso de chegada e eventual retorno é estimado em 15 dias.

foto virtual, a partir de uma datada de 1959, quando Provenzano tinha 26 anos.


Neste mês, o procurador antimáfia da Sicília saiu numa operação ultra-secreta de caça a Provenzano. A operação reuniu as polícias da França e da Itália. E as autoridades chegaram a Marselha (França), mas Provenzano não foi preso.

Em Marselha, Provenzano tinha operado a próstata e lá permanecera por 19 dias. Só que isso tinha ocorrido em outubro de 2003.

Provenzado: única foto, de 1959.


O procurador antimáfia da Sicília e os policiais chegaram atrasados 1 ano e 8 meses. Agora, querem ouvir os médicos e as enfermeiras que atenderam Provenzano. Isso para atualizarem o retrato de Provenzano, que é de 1959.

Como se pode notar, a máfia e o Estado imprimem velocidades diferentes.

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