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Máfias/Dinheiro Sujo

 

BANQUEIRO DE DEUS: morreu o bispo Paul Marcinkus, conhecido por Banqueiro de Deus. A Igreja não se governa com ave-marias, afirmou.

Por walter fanganiello maierovitch-rádio Jovem Pan

Envolvido no escândalo do Banco Ambrosiano (1982), que era ligado às finanças do Vaticano, morreu hoje Paul Marsinkus, aos 84 anos de idade e como bispo.

O escândalo que se envolveu causou um prejuízo de 1,0 bilhão de dólares.
Marcincus, o Banqueiro de Deus, com o papa João Paulo II.


Quando da falência fraudulenta do Banco Ambrosiano, Marsinkus dirigia o Instituto de Obras Religiosas e cuidava do Banco do Vaticano. Ele morreu de morte natural.

Os dois outros envolvidos no escândalo e quebra fraudulenta do Banco Ambrosiano, foram assassinados: Michele Sindona e Roberto Calvi.

Michele Sindona, apelidado de “banqueiro da máfia, foi envenado na prisão, ao tomar o café da manhã e apesar de ter cela individual e vigiada 24 horas.

Roberto Calvi, chamado de banqueiro de Deus, apareceu enforcado numa ponte sobre o Tamisa. Descobriu-se depois que já estava morto e o enforcamento era simulação.

O agora falecido Marsinkus era faixa preta e durante anos atuou como guarda-costa de dois papas. Depois do escândalo, recolheu-se a um mosteiro em Phoenix.

Em 1982, quando da quebra fraudulenta do Banco Ambrosiano, o monsenhor Marsinkus só não foi preso pela Justiça italiana pois tinha imunidade vaticana-eclesiática.

Para muitos, as mortes de Calvi e Sindona estavam ligadas à tentativa de assassinato do papa João Paulo II, pelo turco Ali Agca.

Paul Marsinkus morreu aos 84 anos nos EUA e leva para o túmulo muitos segredos.

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RETROSPECTIVA

*Wálter Fanganiello Maierovitch/ Carta Capital.

Quem armou a mão de Ali Agca?

Mehmet Ali Agca nunca contou a verdade sobre quem armou a sua mão na tentativa de matar o papa Carol Wojtila e na execução do jornalista turco Abdi Ipekei, em 1979.

Ipekei publicou cópia da carta secreta enviada por Agca aos seus superiores da organização mafiosa Lobos Cinzentos. Nela, Agca confirmava que mataria João Paulo II na visita do pontífice à Turquia, programada para novembro de 1979.

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Agca, qu foi posto em liberdade por 8 dias (preso novamente em 20/1/2006), nunca demonstrou arrependimento. Vai continuar a dissimular, confundir e escandalizar. Quanto às motivações, aos partícipes e mandantes dos crimes, as investigações faliram. No entanto, indícios consistentes revelam a presença de uma rede internacional a alimentar interesses criminosos, políticos e financeiros.

Pelos indicativos, o atentado contra o papa Carol Wojtila guarda conexão com: 1. Seqüestro, em junho de 1983, de Emanuela Orlandi, cidadã vaticana de 15 anos, filha de um dos camareiros do papa. 2. Os assassinatos de Roberto Calvi e Michele Sindona, apelidados de Banqueiro de Deus e Banqueiro da Máfia, respectivamente.

Nas diversas investigações, ocuparam espaços os serviços secretos de espionagem do tempo da Guerra Fria, máfias, maçonaria, terrorismo, lavagem de dinheiro nas Bahamas, depósitos vultosos na Suíça, doações ao sindicato polonês Solidarnosc (Solidariedade), sustentação da ditadura nicaragüense de Anastasio Somoza etc.

Diversos foram os circunstantes. Por exemplo, o padre beneditino Eugen Brammertz e o jornalista Hans Jakob Sthele foram “plantados” na cúpula da Santa Sé para passar informações à Stasi, o serviço secreto da então Alemanha Oriental, dirigido pelo célebre general Markus Wolf.

Dois juízes búlgaros estiveram no cárcere italiano para falar com Agca. Um deles, Markov Petkov, serviu à KGB antes de integrar a magistratura búlgara. Logo depois desse encontro, Agca assumiu o papel de doente mental. Passou a proclamar-se a encarnação de Jesus Cristo e desmentiu denúncias anteriores, comprometedoras da Bulgária.

Para Wolf, o turco Agca foi treinado na Bulgária a mando dos Lobos Cinzentos. Só para lembrar, trata-se de uma organização mafiosa fundada nos anos 70 pelo ultradireitista Asplan Tuerkes, apelidado de Basbug, ou seja, capo em turco. Os Lobos Cinzentos realizam tráfico de heroína e armas. A associação contava com uma milícia armada que matou curdos, esquerdistas, sindicalistas e estudantes.

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Por insuficiência de provas, Oral Celik acabou absolvido da acusação de partícipe no homicídio do jornalista turco. Celik, no entanto, é dado como o segundo acompanhante de Agca na Praça de São Pedro, quando do atentado. Para Agca, Celik escreveu o bilhete que remeteu à agência italiana de notícias Ansa cópias de documentos da seqüestrada Emanuela Orlandi.

Os seqüestradores pretendiam trocar a libertação de Emanuela pela de Agca, conforme contatos ocorridos em julho de 1983. Emanuela morava com os pais no Vaticano e voltava de uma aula de flauta quando foi seqüestrada. Se estiver viva, Emanuela conta hoje com pouco mais de 37 anos.

Os seqüestradores apresentaram-se como membros da Frente de Libertação Antidemocrática Tuerkes, ou seja, a tal frente leva o nome de Asplan Tuerkes, o Basbug, o capo fundador dos Lobos Cinzentos, morto em 1997, cujos funerais contaram com a presença do presidente da República e do primeiro-ministro turco.

Quando do arquivamento do inquérito sobre o seqüestro, Vincenzo Parisi, chefe do serviço secreto italiano (Sisde), frisou que a “investigação ficou prejudicada por excesso de reservas e zelos da Santa Sé”.

No meio de tantos mistérios, o processo de Calvi mereceu reabertura na Justiça italiana. Novas perícias provaram a farsa do enforcamento. Calvi já estava morto há algum tempo quando foi pendurado na ponte londrina dos Frades Negros, no Tâmisa.

Calvi assumiu a presidência do Banco Ambrosiano, em 1975. Montou um esquema de “banco paralelo” ligado ao Banco do Vaticano (IOR), dirigido pelo então monsenhor Paul Marcinkus. O esquema envolvia offshore nas Bahamas, holding em Luxemburgo, sociedades piratas na América Central, caixa 2 na Suíça e apoio da loja maçônica P2, ligada a Michele Sindona.

O filho de Calvi sustenta que o assassinato de seu pai está ligado à tentativa de homicídio contra João Paulo II. Já o falecido papa, num dos seus últimos livros, atribuiu o atentado, dado como a terceira revelação da aparição Mariana em Fátima, a uma reação do comunismo em extinção.

Sindona acabou preso, depois de passar 75 dias escondido pela máfia, na Sicília. Sua cela era vigiada dia e noite. Ele morreu em 1987 depois de tomar, sem saber, cianureto misturado ao café. Até o momento, ninguém sabe quem envenenou Sindona.


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