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Máfias/Dinheiro Sujo

 

DELAÇÕES PREMIADAS: cautelas e experiências.

Por IBGF/Jornal do Terra



OLHO.
A delação premiada foi concebida no século 19 pelo jurista alemão Rudolf von Ihering. Mostra a experiência intyernacional que se deve agir com cautela na aceitação das delações. Na Itália, em média, a aceitação leva de 2 a 4 anos. No Brasil, é o juiz, mediante requerimento do Ministério Público, que aplica a lei do direito premial. FOTO: www.ucho.info/608-htm-





No Brasil, multiplicam-se os candidatos a Tommaso Buscetta e a Mário Chiesa. Buscetta detonou as seculares máfias siciliana e norte-americana, esta no caso "pizza Conection". Por seu turno, Chiesa delatou os esquemas dos partidos políticos italianos. Ou melhor, revelou os "esquemas" de corrupção, envio de dinheiro para o exterior, caixa dois para campanhas, compra de parlamentares, etc.

Coube a Chiesa, numa partilha política de cargos igual a que se faz no Brasil com os Correios de Maurício Marinho, a direção do gigante complexo do Pio Albergo Trivulzio de Milão, um misto de hospital, asilo e orfanato.

Chiesa exigia propinas dos fornecedores. Ele também superfaturava os contratos de prestação de serviços.

Luca Magni, um dos donos da empresa contratada para a limpeza do Pio Albergo, não agüentou os achaques de Chiesa.

Chiesa acabou preso em flagrante quando recebia a "grana" da corrupção. E após passar um mês na cadeia, resolveu colaborar com a Justiça, realizando delações. Ele era filiado ao Partido Socialista Italiano.

Apresentado ao promotor de Justiça Antonio di Pietro, Chiesa sintetizou numa frase a comprometida política partidária italiana: -"Tutti rubiamo cosi" (Todos roubamos assim).

Essa frase foi proferida por Chiesa, em 23 de março de 1992. Pelo jeito, a mesma frase caberia, em 2005, nas bocas Rogério Buratti, Marcos Valério, Duda Mendonça, Roberto Jefferson, João Paulo Cunha, professor Luisinho e tantos outros.

Dois motivos levaram Chiesa a delatar. Primeiro, da cadeia escrevia cartas ao filho de 15 anos e não recebia respostas. O filho estava indignado, não respondia cartas e nem ia visita-lo na cadeia.

Segundo motivo: Bettino Craxi, ex-primeiro ministro e presidente do partido de Chiesa, tinha chamado-o de "mariuolo" (pilantra), como se não soubesse de nada. Dizia que aquilo era fato isolado, como ocorreu no Brasil.

Aliás, a postura do ex-premier Craxi, à época, lembra a recente nota do Partido dos Trabalhadores. Ou seja, frisou o PT: "erramos e pedimos desculpas". Como Craxi, esqueceram de dizer, "roubamos" e vamos tentar encobrir os companheiros delinqüentes e mantê-los no nosso convívio.

Não demorou para as delações de Chiesa atingirem Craxi. E Craxi era também "mariuolo" (pilantra). Para não ser preso, fugiu para a Tunísia e lá morreu depois de 8 anos de exílio forçado.

A rapinagem na Itália foi descoberta pela Operação Mãos Limpas, que atua até hoje e é conduzida pela magistratura do Ministério Público. Nossas CPIs são por tempo determinado e evidenciam manobras corporativistas e oportunistas.

Convém lembrar que, ao tempo de Chiesa, o financiamento para as campanhas políticas na Itália era público.

Portanto, não devemos nos iludir, como desejam muitos políticos brasileiros. Para muitos políticos brasileiros, o financiamento público é necessário para acabar a corrupção e os escândalos, como o do "mensalão". Ledo engano, vão embolsar o público e o privado.

Dos episódios envolvendo Chiesa e o mafioso Buscetta, dois fatos foram marcantes. Ambos viraram delatores sem prêmios. À época, não havia prêmio pelas delações na Itália.

No Brasil, todos os candidatos querem prêmios de abatimentos de penas e, lógico, preservação do patrimônio com a suspensão das investigações. São todos oportunistas e as suas "confissões", "revelações", devem ser tomadas com cautela.

Chiesa e Buscetta sentiram remorsos. Ficaram atormentados. No Brasil, os candidatos querem só é fugir do rigor da lei.





PASSO a PASSO

O jornalista Evandro Spinelli, do Jornal do portal Terra foi o primeiro a noticiar o acordo entre M.Público e Buratti, confirmado uma hora depois.



1.Confira o momento da soltura de Buratti e os comentários

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2.CONFIRA o momento das delações de Buratti ao Ministério Público, acompanhadas pelo jornalista Evandro Spinelli,






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