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MENSALÃO: Valério candidato a Buscetta brasileiro

Por Wálter Fanganiello Maierovitch



O mafioso Tommaso Buscetta foi um fugitivo da Justiça italiana que viveu no Brasil. Ele também fugia da Segunda Guerra da máfia. O seu grupo mafioso tinha perdido o governo da organização criminosa e os novos “capi” (chefes) mataram vários dos seus familiares, incluídos filho e genro, que não faziam parte da máfia.

Buscetta: colaborador com única exigência de proteção à família.


Em janeiro de 1981, Buscetta chegou ao Brasil com nome falso e aqui permaneceu até ser extraditado em julho de 1984. Em segundas núpcias casou com a carioca Vera Cristina Guimarães, com a qual teve dois filhos.

Na Itália, Buscetta quis falar com o juiz Giovanni Falcone, do pool de magistrados antimáfia.

Buscetta desejava se tornar um colaborador da Justiça e delatar os chefões da máfia. Desnudou inteiramente a máfia siciliana. Em troca, só quis proteção à sua família.

Tendo em vista o teor das suas confissões, foi cumprir a pena nos EUA, para não ser eliminado. O juiz Falcone ficou na Itália e a máfia o “dinamitou”.

Antes de iniciar as delações, Buscetta avisou que se Falcone estivesse disposto a tomar os seus depoimentos seria, cedo ou tarde, morto pela máfia. E Falcone respondeu que sabia disso e estava disposto a morrer.

Buscetta morreu de câncer nos EUA, em abril de 2000, aos 72 anos de idade. A viúva e os dois filhos continuam a viver por lá.

Ao delatar, Buscetta não queria prêmio, como redução de penas e liberdade. Achou que deveria “lavar a alma” e reconquistar a dignidade. Não gostava de ser chamado de “arrependido”. Preferia considerar-se um homem cansado e atormentado com o passado criminal.

O empresário Marcos Valério também é um criminoso. Participava de um esquema ilegal de corrupção a enlamear, emporcalhar, a vida política partidária nacional

. Ao contrário de Buscetta, o empresário Valério não está arrependido e nem atormentado pelos crimes de lesa pátria, perpetrados em co-autoria com partidos políticos e parlamentares.

Valério deseja, apenas, obter vantagens, de preferência pegar condenações leves. Em outras palavras, trocar algumas poucas verdades por pena alternativa de prestação de serviços à comunidade, como, por exemplo, entregar mensalmente cestas-básicas a carentes. Talvez, cestas-básicas para o Fome Zero.

Cosa Nostra: Valério quer colaborar com a Justiça, pela "lei de Gerson".


Ele pretende, no máximo, cumprir as penas em regime de prisão albergue domiciliar.

Não se trata de um “arrependido”, mas de um oportunista que só oferece colaboração quanto a fatos já conhecidos, pois revelados documentalmente.

Na Itália, a legislação de colaboradores de Justiça,-- conhecida internacionalemnte como “direito premial”--, é rígida. Leva-se muito tempo para se outorgar um benefício.

Muitos candidatos à colaboração, já procuraram subverter provas e favorecer outros condenados. Portanto, todo o cuidado é pouco, na concessão do benefício.

Em resumo, Valério é candidato a Buscetta brasileiro. Só que um Buscetta falso, que quer a lei da vantagem do ex-futebolista Gerson. Na verdade, Valério quer ser um Buscetta made in Paraguai.


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