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Máfias/Dinheiro Sujo

 

Coisas de Cosa Nostra III.

Por WFM-CARTACAPITAL

Pelo planeta, o crime organizado continua a desafiar governos e a fortalecer sua economia. Promove uma gestão capaz de movimentar capitais sujos no sistema financeiro e de produzir reciclagens em atividades formalmente lícitas.

Brando, no papel de Don Corleone. Nome emprestado da cidade dos chefões da máfia: Riina e Provenzano.


A reciclagem acarreta concorrência predatória, considerada pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), em encontros ocorridos nos anos de 1994 e 1996: a Yakuza, máfia japonesa que interfere em muitas empresas, chegou a obter carta patente para explorar um banco de investimentos.

Com efeito, soam amadoras e enganosas as declarações de vários governos – como já ocorreu no estado de São Paulo –, que se entusiasmam com as vitórias de Pirro e declaram na mídia o fim do crime organizado e a falência patrimonial dos Comandos Vermelhos, PCCs e outras máfias. Em especial de organizações que conseguem manter controles social e de territórios: morros, presídios, bairros, quarteirões etc.

Precursoras do mercado aberto, sem fronteiras, os lucros das associações criminosas transnacionais crescem quase 40% ao ano. Na Sicília, a “máfia-empresa”, que nos anos 20 possuía representação em Nova York, com o nome de Cosa Nostra, fatura alto. Segundo o procurador nacional antimáfia, ela ocuparia o terceiro posto, caso fosse colocada no elenco das empresas italianas.

Cosa Nostra: organização secular, com controle de território e social.


A “governança corporativa”, termo usado no Brasil no Terceiro Setor (ONGs, Osips), sempre foi adotada pelas internacionais criminosas que seguem o modelo piramidal, isto é, aquelas que contam com órgão colegiado de cúpula. As horizontalizadas conseguem formar federações temporárias e crescem mediante a adoção de gestão fundada na confiança e na agilidade de redes flexíveis e capilares de circulação de ilícitos. Para se ter idéia, uma miríade de cartelitos colombianos substituiu os megacartéis de Cali e de Medellín. Os cartelitos espalharam “escritórios” de lavagem de capitais sujos pelo Caribe e centros onshore.

Diante desse cenário, anima a disposição de o Ministério da Justiça trabalhar em conjunto com a polícia do estado de São Paulo, para rastrear e seqüestrar bens de uma presumida associação de narcotraficantes liderada por Ronaldo de Freitas, vulgo Naldinho, e da qual participaria Edinho, filho do Rei Pelé.

O crime organizado e os estados têm velocidades diferentes. Um exemplo tomado no início de junho ajuda o entendimento do fenômeno, em especial pelos precipitados em contar vitórias.

Bernardo Provenzano, de 72 anos, preside desde 1993 o colegiado da máfia. Ele sucedeu ao sanguinário Totó Riina, que estava foragido havia 24 anos, sem deixar a Sicília e a organização mafiosa. Provenzano está na clandestinidade há mais de 41 anos e, como Riina, nunca mudou da Sicília.

Cosa Nostra, nome inventado por Luchy Luciano (Salvatore Lucania) para a máfia de Nova Iorque.


Apelidado de “Contador”, Provenzano tirou a máfia da guerra declarada contra o Estado italiano e a organização submergiu a fim de restabelecer vínculos externos e voltar a influenciar nas eleições políticas.

Nascido na pequena cidade de Corleone, o mafioso foi declarado foragido da Justiça em setembro de 1963. A polícia conseguiu, até agora, uma única fotografia sua, tirada em 1959. Sua fisionomia é conhecida virtualmente, pois foi elaborada por um programa de computação que levou em conta fatores de envelhecimento e relatos de alguns mafiosos que se tornaram “colaboradores” da Justiça.

Nos últimos dez anos, ele permaneceu em Bagheria, porta de entrada de Palermo, e na pequena Ciminna, distante 40 quilômetros. Quando a polícia especial (Raggrupamento Operativo Speciale) cercou em 1998 a casa e o bar freqüentados por esse capo, na operação Grande Oriente, ele já estava em outro lugar.

Provenzano: foto elaborada por computador, mediante programa de envelhecimento natural e combinações com relatos testemunhais.


Provenzano tem problemas de próstata e nunca deixou de ser atendido por médicos de nomeada. Em março deste ano, a polícia prendeu 50 envolvidos na rede de circulação de bilhetes cifrados: “Via dei pizzini”. Uma via de muitas paradas e trocas, inspirada na antiga rede ferroviária italiana: foi elaborada por Provenzano para evitar interceptações telefônicas e uso de postagem eletrônica.

Pelos bilhetes, os serviços de inteligência, ainda em 2005, souberam de uma viagem do mafioso a Marselha (França), para operar a próstata. Foram identificados os médicos, as enfermeiras, o hospital e a casa onde ele permaneceu em convalescença por 19 dias. Para surpresa geral, a cirurgia havia ocorrido em outubro de 2003.

o chefão da máfia, na única foto de 1959.
Na quinta-feira 9, o procurador regional antimáfia mostrou o novo retrato virtual de Provenzano. Um retrato retocado pelos testemunhos de médicos e enfermeiras de Marselha, todos colhidos por meio de demoradas cartas rogatórias trocadas entre a Itália e a França.


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