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Máfias/Dinheiro Sujo

 

MÁFIA KAZAKA-formada por ex-agentes da KGB. Aliada ao ditador do Usbequistão, que é apoiado por Bush e Putin

Por WFM-CARTACAPITAL

O sanguinário ditador KARIMOV


A POLÍTICA DO MASSACRE.

Aliado de Bush e Putin, o presidente do Usbequistão promove perseguição religiosa e o terror de Estado.

Por Walter Fanganiello Maierovitch.

No Usbequistão, são permanentes as violações aos direitos humanos, conforme denunciou a Anistia Internacional, no seu relatório de 2004. Portanto, o massacre, na cidade de Andijan, de cerca de 500 civis que protestavam contra o presidente Islam Karimov, ocorrido na sexta-feira 13, não representou algo surpreendente.

Neste 2005, cresceu no Usbequistão a onda de protestos contra as supressões das liberdades públicas e individuais, a intolerância religiosa, as prisões arbitrárias, os encarceramentos sem acusações e direito de defesa, a tortura nos cárceres e a violência das forças policiais.

Antes do massacre de sexta-feira, Fátima Mukhadirova era a única vítima internacionalmente conhecida da ditadura Karimov, considerado pela diplomacia norte-americana “um aliado estratégico dos EUA” na luta contra o terrorismo. Em 2004, Fátima, de 63 anos, recebeu condenação a seis anos de cárcere, mais trabalhos forçados.

O crime de Fátima foi ter denunciado à Comunidade Internacional, em 2002, a tortura e a execução, pela polícia política, do seu filho Muzaffar Avazon, de 35 anos, opositor de Karimov.

Fátima conseguiu fotografar o corpo do filho queimado. Karimov sustentou ter sido autolesão, provocada com o derrame de chá quente. Exames periciais com base nas fotografias apresentadas, realizadas em Glasgow a pedido do embaixador inglês, Craig Murray, concluíram ter sido Muzaffar jogado numa banheira com água fervente. Desde o tempo em que figurava como república federada no âmbito da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), o Usbequistão é marcado pela intolerância religiosa, corrupção endêmica, pesadíssima influência mafiosa e cerceamento à liberdade de expressão.



Sua posição geoestratégica na Ásia Central e as reservas naturais de petróleo, gás, ouro, zinco e bauxita contam, além do proclamado combate ao terrorismo, para que os presidentes Bush e Putin apóiem incondicionalmente Karimov, no poder desde 1990.

O Usbequistão tornou-se independente em agosto de 1991 e, logo em novembro, participou da fundação da Comunidade de Estados Independentes (CEI). Sua Constituição de 1992 instituiu o sistema presidencialista, com mandato por cinco anos. A religião islâmica, que já fora proibida ao tempo da URSS, tornou-se oficial, mas à moda de Karimov.

Na liderança do nominal Partido Democrático do Povo (PDP), Karimov tornou-se o primeiro presidente eleito, em 1991. A partir daí, eliminou a oposição. Não satisfeito, reelegeu-se com suspeitos 90% dos votos, na velha fórmula utilizada por Saddam Hussein, no Iraque. Em abril de 2002, o Parlamento prorrogou seu mandato por mais dois anos, a findar em 2007.

Logo depois do trágico 11 de setembro, Karimov cedeu o território do Usbequistão para os EUA implantarem e operarem bases militares. Ele também agrada a Putin, é pró-Rússia e prega a luta contra o terrorismo dos separatistas chechenos.

Seus opositores são rotulados como aliados dos talebans e da Al-Qaeda, com a desculpa de o Usbequistão ser vizinho do Afeganistão. Para ter idéia, Karimov, pelo Ministério para Assuntos Religiosos, controla a prática religiosa islâmica e dita a linha oficial em matéria de culto. Não admite movimentos islâmicos independentes.

Com isso, proibiu e passou a chamar de membros do “Islã paralelo” os que não aderem à religião oficial. Nos últimos dois anos, o governo Karimov prendeu 7 mil fiéis islâmicos, incluindo mulheres, todos considerados adeptos do “islamismo paralelo”, ou seja, terroristas.

Karimov gaba-se de praticar o contrário do pregado pelos fundamentalistas, a começar por não admitir o uso da barba. Manda prender barbados, considerados suspeitos de adesão aos talebans. Como se sabe, a barba é um símbolo do fundamentalismo islâmico, que tem adeptos pacíficos e fanáticos talebans. Apenas os anciãos com mais de 75 anos não são presos pelo uso de barba.

KGB: os símbolos de uma época de força.


Por outro lado, a máfia usbeque é a mais violenta da região e aprova Karimov. Ela está ligada a uma potente rede criminosa, a incluir no lado europeu as máfias da Geórgia e do Azerbaijão. Essa network, que conta com poder político, econômico e social, é operada pela chamada máfia kazaka, isto é, pela máfia formada pelos antigos agentes da extinta KGB.

Para ter idéia, a mencionada rede controla 40 mil sociedades comerciais e 550 bancos. No Usbequistão, o presidente Karimov usa de concessões aos EUA e à Rússia para sustentar-se no poder.

Como lembrou Tom Malinowski, diretor do Human Right Watch, “o Usbequistão não pode ser um bom aliado dos EUA contra o terrorismo. Isso porque não pára de perseguir muçulmanos na sua pacífica expressão de fé”.


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