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Máfias/Dinheiro Sujo

 

CINEMA: pela primeira vez, a história real de uma mulher no comando mafioso.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

1)As últimas confissões de Gyusi Vitale (20 de junho de 2005)

2) Retrospectiva: DONNA DI MAFIA- Giusy Vitale.

3)Retrospectiva: ESTRELAS DE HOLLYWOOD SOB A MIRA DA MÁFIA

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1)Confissões da primeira mulher chefe de "famiglia mafiosa"

"Para dar um futuro aos meus dois filhos escolhi colaborar com a Justiça"

Os irmãos presos reagiram ao declarado por Giusy e partiram para o insulto: "Ela é um inseto venenoso"
,br> Já se fala de um filme para contar a vida de Giusy e a sua "famiglia" mafiosa (bando mafioso-cosca mafiosa).

Giusy foi ouvida como testemunha do processo criminal que apura homicídios consumados quando se desenvolvia a II Guerra de máfia, a envolver os Corleoneses (grupo do sanguinário Totó Riina.

Riina nasceu na cidade de Corleone, e se tornou o chefe dos chefes mafiosos (capo dei cai). É o mandante da morte dos juízes Giovanni falcone e Paolo Borsellino, além de ter declarado guerra contra o Estado-italiano, bombardeando Roma, Florença e Milão). Giusy resolveu virar colaboradora de Justiça depois de ter sido condenado à pena de 4 anos e 6 meses de reclusão por associação mafiosa.

"Enquanto estava presa (foi presa em 1998) recebi, depois de anos, a visita do meu filho de 12 anos de idade. E ele perguntou-me por que estava presa. E fiquei espantada quando perguntou-se, "mamãe o que é associação mafiosa?".

"Lógico, eu não sabia o que responder. O abracei e o coloquei sentado numa cadeira, aí, tentei explicar algumas coisas. Disse-lhe que a máfia é uma coisa feia e quando tivesse mais idade poderia explicar-lhe melhor, mais aprofundadamente".

Na audiência realizada por vídeo-confer~encia no cárcere de Rebibbia (Roma), Giusy confirmou sua intenção de colaborara e explicou como era o vínculo de sangue (ritual de iniciação para ingresso na máfia) que todos são submetidos. "Meu filho me falou, Mãe vá em frente eu estou com você para sair da máfia". É por ele e pela minha família que rompo essa ligação de sangue, imposta quando entrei na máfia". Os irmãos presos assistiram o relato por meio de vídeo-conferência. Acrescentou Giusy: " vivia como na Idade Média. para mim a vida era aquela com os meus irmãos mafiosos. Para mim era impossível contestá-los. E não sabia como era possível viver num outro mundo, diverso do mafioso. Era impedida de freqüetar a universidade para fazer um curso superior. Isso porque tinha a obrigação de servir de "pombo-correio e executar as ordens que recebia deles do cárcere."

"Meu irmão Leonardo era ciumento e não me deixou prosseguir nos estudos, onde fui até o terceiro ano da escola média." "Estou cansada dessa vida. Quero renascer para a vida, não para mim mas para os meus filhos. Sei que estou fazendo a coisa certa, mas não foi fácil posicionar-me contra aqueles que são do meu sangue".

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Giusy: mafiosa confessa crimes próprios e da "famiglia" mafiosa da cidade de di Partinico(Sicília).


Mais uma "donna di mafia" (mulher da Máfia) arrependida, que passa à condição de Colaboradora da Justiça italiana. Só que é a primeiura vez que uma chefe de clã vira colaboradora.

Desta vez, a mulher estava no comando da organização mafiosa de Partinico (Sicília). Seu nome: Giusy Vitale, que aparece nas fotografias ao lado.

Giusy Vitale foi aceita como "pentita" (arrependida) e passou a admitir crimes próprios e os da organização criminosa de Partinico. Confessou homicídios, extorsões, lavagem de dinheiro na construção civil e benefícios em concorrências de obras públicas.

Presa no início do ano, Giusy deu sinais de que não queria permanecer presa e suportar, em cárcere especial para mafiosos, os rigores da lei. Resolveu colaborar e, ontem (18 de abril de 2005), começou suas confissões e declarações.

Suas primeiras revelações resultaram em mais de 10 prisões de mafiosos, todas realizadas ontem ( 18 de abril de 2005)

A associação delinqüencial ("famiglia" ou "cosca") da cidade de Partinico foi, com autorização do órgão de governo da Máfia ("chamada "Comissione"), constituída pelos irmãos Leonardo e Vito Vitale, que se encontram presos.

Em razão da prisão de Leonardo e de Vito, a "capo-mandamento" (chefe de uma coluna de criminosos) da "famiglia" de Partinico, passou a governá-la. E a "capo-mandamento" era Giusy Vitale, irmã de Leonardo e Vito.

Leonardo e Vito estão presos em cárcere especial para mafioso. Estão no cárcere especial da cidade de Parma (norte da Itália), ou seja, bem distantes da Sicília.

Caterine Zeta-Jones


Leonardo e Vito respondem a mais de 100 processos em Palermo (Sicília). Todas as audiências são realizadas por vídeo-conferência, ou seja, nenhum deles sai do cárcere de Parma. Ontem (18 de abril de 2005), Leonardo e Vito participaram, sempre por vídeo-conferência, de uma audiência onde são acusados de mandantes do homicídio de um comerciante.

No final da audiência, Leonardo Vitale pediu para falar. Disse que já sabia das delações da irmã, que iria influenciar e condenar a todos (Leonardo, Vito e Giusy) naquele processo de homicídio do comerciante.

Disse, também, "nós a renegamos, seja em vida ou depois de morta e esperamos que a morte dela venha a ocorrer o mais rápido".

Diante das declarações, foi redobrado o esquema de segurança de Giusy, que está sob proteção em lugar especial para detenção de Colaboradores da Justiça.

2)ESTRELAS DE HOLLWOOD NA MIRA DA MÁFIA (retrospectiva)



Na Sicília (Itália), um lugarejo à beira mar conhecido por Scopello, na província de Trápani, foi escolhido para compor uma das cenas do filme "Ocean's Twelve", uma megaprodução da Warner.

Segundo afirmam, em Scopello o mar Mediterrâneo adquire uma cor particular. O verde esmeralda das suas águas fascina e o cenário é integrado por rochas e cardumes de atuns fosforescentes.
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George Clooney


Na semana passada, a filmagem do "Ocean's Twelve" começou à meia-noite, com Catherine Zeta-Jones banhando-se nas águas de Scopello, com câmeras, luzes e ações sob controle do famoso diretor Steven Soderbergh. Na praia de pedras, aguardavam para entrar em cena os astros George Clooney e Brad Pitt.

Fora do alcance das câmeras filmadoras, cem carabineiros da Direção Investigativa Antimáfia guarneciam a área, com armas pesadas engatilhadas.

Os carabineiros inibiram as ameaças feitas pela "famiglia mafiosa" (não família de sangue) de Castellammare Del Golfo.

Como a filmagem estava sendo rodada em território sob influência mafiosa, o clã de Castellamare quis cobrar "taxa de proteção". Na gíria mafiosa, a Warner deveria pagar o tradicional "pizzo" (taxa de proteção). Caso não pagasse, a máfia ameaçava mandar os seus soldados para atacar "os invasores".

A atuação mafiosa surpreendeu a Direção Antimáfia. Isso porque o "capo" da máfia de Castellamare, Gioacchino Calabró, encontrava-se preso. O segundo do clã, Francesco Domingo, também estava trancafiado no cárcere Ucciardone, da distante Palermo.

Brad Pitt


Em face da extorsão mafiosa à Warner, os carabineiros passaram a investigar freneticamente. Por fim, descobriram que a "famiglia" mafiosa de Castellamare continuava atuante, apesar das prisões dos chefões.

A organização criminosa passou a ser comandada por Antonella Graziano e Rosa Fiordilillo.

Antonella e Fiordilillo são esposas dos "capi mafie" presos, Gioacchino e Francesco. Os carabineiros apreenderam vários bilhetes com as duas mulheres mafiosas. Os bilhetes foram escritos no cárcere de Palermo por Gioacchino e Francesco. As mensagens estavam escritas no verso de rótulos de garrafas plásticas de água mineral, servidas no presídio.

Do episódio, ficou reiterada uma velha lição. Sempre foi falso o estereótipo das mulheres santinhas. Daquelas que nada sabiam a respeito dos maridos mafiosos e só cuidavam da casa, dos filhos. O papel da mulher sempre foi determinante para garantir a coesão interna da Cosa Nostra.

Em resumo, os carabineiros prenderam 23 mafiosos envolvidos na extorsão à Warner. E seria recomendável que Zeta-Jones, Pitt e Clooney dessem "um tempo" antes de voltarem à Sicília.


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