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Máfias/Dinheiro Sujo

 

A história de MININ EFIMOVICH, a envolver suspeitas de traficos de armas, diamantes, drogas e lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro

Por WFM-CARTACAPITAL

AK.47 russo.


O nome é complicado, Minin Leonid Efimovich. À primeira vista, parece possuidor de uma apurada vocação altruísta. Um ucraniano filantropo que, sem nunca ter pisado no Brasil, enviou US$60 mil para distribuição aos nossos carentes.

Minin, de 57 anos de idade, residência em Israel e empresas sediadas na Suíça e na Rússia, remeteu o donativo a uma pessoa física, certamente da sua confiança e moradora na Cidade Maravilhosa, ao que tudo indica.

Documento obtido junto à magistratura do Ministério Público da Itália revelou que uma das empresas de Minin, de nome Limad AGH, transferiu eletronicamente, por meio do Banco de Lugano (Suíça), os “sessentinha” para o Brasil, ou melhor, a Paul Ivanovich Lojnikov, correntista do Bank Boston, onde consta possuir a conta bancária de número 124236-04.

Ao determinar a transferência dos US$60 mil, Minin consignou em carta que a sua meta era fazer caridade: “in favor of Paul Ivanovitch is meant charity purpose”. Ainda consta ter a mencionada carta sido transmitida por fax à agência carioca do Bank Boston, por meio da linha telefônica 021.3256412.

O Ministério Público federal desconhece a supracitada remessa de Lugano ao Rio de Janeiro. Ao Brasil ainda não chegaram as suspeitas que pesam contra Minin, acusado pelo ministério público italiano de traficar armas de guerra, munições e explosivos. Isso para países sob embargo da Organização das Nações Unidas e mergulhados em guerras intestinas.

Como até o presidente George W.Bush já percebeu, circulam pelas infovias dos sistemas bancário e financeiro internacionais a maior parte dos capitais sujos das associações criminosas que atuam sem limitação de fronteiras, incluídas as organizações terroristas.

Conforme destacou Alison Jamieson, uma pesquisadora escocesa do tema lavagem de dinheiro, as máfias operam mais o mouse do que a metralhadora. Apesar disso, os sistemas bancários não conseguem estabelecer filtros para evitar a lavagem, a ocultação e a reciclagem.

A propósito, o Brasil é subscritor da Convenção de Viena, elaborada pelas Nações Unidas em 1988. Essa Convenção, ainda em vigor, chamou a atenção para a lavagem do dinheiro das drogas ilícitas, realizada pelos cartéis de narcotraficantes e mediante o aproveitamento dos sistemas bancário e financeiro internacionais. Em outras palavras, a falta de vigilância e os meios de transferências de capitais pela telemática estavam a contribuir com a escalada do crime.

Não demorou muito tempo para se perceber que as máfias, além do ganho com as drogas ilícitas, lavavam no sistema bancário outros capitais como, por exemplo, o obtido com tráfico de armas de fogo. Para se ter idéia, o mercado bélico, por baixo e anualmente, movimenta cerca de US$290 bilhões.

Preocupados com o frisado pela Convenção de Viena, os representantes das instituições bancárias firmaram o chamado Pacto da Basiléia e a regra imperativa ficou sendo a do “conheça o seu cliente”, o que implica um dever de vigiar.

Em face da Convenção de Viena, os países do Primeiro Mundo aperfeiçoaram as suas legislações para reprimir a lavagem de dinheiro e impedir a reciclagem de capitais branqueados em atividades formalmente lícitas. A mitigar o sigilo bancário, surgiu o denominado “dever de vigilância” dos bancos.

A lei brasileira de março de 1998, que dispõe sobre a tipificação do crime de lavagem de dinheiro e cuida da repressão e prevenção desse delito, estabeleceu o dever de vigilância bancário. Os bancos têm o dever de vigilância e a obrigação de participar às autoridades as movimentações suspeitas, sem avisar o correntista.

Até a benemerência, como por exemplo no caso Minin, deve gerar desconfiança, em especial diante de antecedentes policiais e criminais. Para a Interpol, Minin também é suspeito de traficar de armas de guerra, munições e explosivos, além de lavar dinheiro.

Depois de remeter os US$60 mil ao Brasil, Minin foi preso no luxuoso Hotel Europa, em Cinisello Balsamo (Itália). Tinha levado algumas “garotas de programa” para o seu apartamento. Para seu azar, a polícia desconfiava que algumas dessas mulheres usavam consumiam cocaína e, na diligência realizada, encontrou 200 gramas da droga no apartamento do até então desconhecido Minin.

A grande surpresa policial ficou por conta de Minin. Ele não portava cocaína, mas carregava documentos sobre tráfico de armas e munições. De quebra, possuía diamantes lapidados, avaliados em alguns milhões de euros.E, no Brasil, drogas são trocadas por diamantes nas regiões de Mineração.

Segundo o Ministério Público italiano, o ucraniano Minin enviou 113 toneladas de material bélico para a Libéria e 68 toneladas para Serra Leoa, entre final de 1999 e julho de 2000. Vale lembrar que Libéria e Serra Leoa estavam sob embargo da ONU e não podiam adquirir e receber armas e munições.

Para driblar o embargo das Nações Unidas, sempre conforme o Ministério Público italiano, Minin comprava as armas na Rússia e falsificava, para a exportação, os obrigatório “certificados de destinação final”. Neles fazia constar a venda de armas para a Costa do Marfim e para Burkina Faso, na áfrica Ocidental, próximos da Libéria e de Serra Leoa.

Num desses documentos, o presidente da Costa do Marfi, general Robert Guei, autorizava a empresa Aviatren Limited, com sede em Moscou e representado por Cherny Valery (ligado a Minin), a comprar, para o seu país, armas russas. Tais armas foram parar na Libéria e Serra Leoa. Depois de compradas na Rússia, elas eram enviadas para a África em vôos que partiam da Ucrânia.

Minin negou as todas as acusações. Para justificar seus vínculos com a Libéria, afirmou que a sua empresa madereira, de razão Exotic Tropical Timbers Enterprise, enviava caminhões, tipo Trucks, para transporte de madeiras naquele país.

Para o processo italiano vieram os relatórios elaborados por Johan Paceman, comissário das Nações Unidas e encarregado de fiscalizar o atendimento do bloqueio de armas à Libéria e Serra Leoa.

O comissário Johan tirou fotografias aéreas de aviões procedentes da Ucrânia e que descarregavam armas na Costa do Marfim e Burkina Faso. Essas armas, depois, eram reembarcadas em aviões da AERO LEASING-BAC-III, isso com destino à Libéria e Serra Leoa.

O aviões BACC III tinham sido contratados pela Limad AGH, ou seja, a empresa de Minin. A mesma empresa que consta haver enviado US$60 mil para o Rio de Janeiro. Na Costa do Marfim foram descarregados 10.500 fuzis AK47. O governo de Burkina Faso, a princípio, negou o recebimento das armas e de servir de despiste para o envio de armas para Serra Leoa, onde eram recebidas pelos guerrilheiros da RUF- Frente Unida Revolucionária, à época empenhada numa guerra civil que durou dez anos.

A história de Minin acabou tendo o final que ele desejava. Na Itália, a Justiça entendeu que os crimes de Minin não foram praticados em território italiano. Como ninguém pediu a extradição, Minin acabou solto em 2004. E, lógico, levando os preciosos diamantes.

O episódio Minin lembra o personagem interpretado por Alberto Sordi no cinema. Aquele vendedor de armas de fogo que corria o mundo e dizia com ironia ao seu bolso: “Finchè c´è guerra, c`è sperança” (enquanto existir guerra, há esperança).


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