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Máfias/Dinheiro Sujo

 

UNIVERSITÁRIOS viram laranjas dos cartéis de drogas

Por IBGF/Jornal do Terra





Como precisa lavar o dinheiro sujo dos seus negócios ilícitos, a criminalidade organizada sempre inventa uma maneira para enganar as autoridades e driblar as instituições bancárias.

Segundo os estudiosos do fenômeno da criminalidade organizada de modelo mafioso, lavar dinheiro sujo depende da criatividade do lavador.
TRÁFICO transforma universitários em laranjas.


No Brasil, o ex-parlamentar João Alves comprava bilhete premiado de loteria para justificar a origem do dinheiro que desviava do Orçamento da União.

Ainda no campo da "sorte", é conhecida a lavagem por meio da compra de fichas de cassinos. E para justificar os capitais transferidos planetariamente de uma conta bancária para outra, alega-se o "ganho em cassinos".

Na Colômbia, há poucos meses e depois de quase dez anos de investigações, o Ministério Público descobriu que os irmãos Orejuela, fundadores e operadores do Cartel de Cáli, tinham reciclado o dinheiro da cocaína na formação de uma mega-rede comercial. Ou melhor, montaram uma rede composta por 432 farmácias.(Obs: sobre a rede de drogarias La Rebaja, consulte o site do IBGF)

Essa rede de farmácias, chamada La Rebaja, que se espalhou por todos os cantos da Colômbia, empregava 4.200 pessoas, com registro e carteira de trabalho assinadas.

Portanto, têm razão os especialistas ao afirmar que lavar depende da imaginação do lavador-fautor.

A última descoberta sobre lavagem de dinheiro sujo ocorreu no Carnaval. Envolveu o Cartel colombiano do Vale Norte e cinqüenta e dois estudantes da Universidade de Cali.

Até esta quarta-feira de cinzas (09 de feveriro de 2005), já foram presos cerca de 20 estudantes universitários. E existem mais de 30 mandados de prisão expedidos pela Justiça colombiana contra universitários.

A respeito, o Ministério Público colombiano descobriu que o Cartel do Vale Norte, usando universitários como "laranjas", lavaram US$10 bilhões, em dez anos, ou seja, US$1 bilhão por ano.

O narcotraficante colombiano Kaled Hkalit Cherabi, de origem árabe e integrante do Cartel do Vale Norte, oferecia aos estudantes da Universidade de Cali uma comissão em dinheiro, em troca da abertura de contas-correntes bancárias, em especial nas agências da cidade de Jamundi.

As contas eram abertas no valor de US$100 e depois cresciam para abrigar milhões de dólares. Uma vez abertas, as contas passavam a ser controladas por procuradores constituídos, todos laranjas e prontos a assinar cheques e ordenar transferências eletrônicas.

Para a abertura das contas-correntes, os universitários viajavam até a cidade de Jamundi.

Todos os universitários presos negaram a abertura das contas bancárias. Só que, na Colômbia, os bancos colhem, além das assinaturas, as impressões digitais dos correntistas.

Uma primeira perícia concluiu que as digitais pertencem aos universitários presos e que ganhavam comissões do narcotraficante Kaled.

Em síntese, essa nova forma de lavagem do dinheiro da cocaína usou universitários, ou melhor, laranjas de qualidade.


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