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OPERAÇÃO MÃOS LIMPAS:BERLUSCONE, primeiro ministro italiano, tripuidia a Justiça e o Ministério Público.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

A Itália ficou conhecida como o país das “mãos limpas”. Uma decorrência do sucesso da Operazione Mani Pulite, iniciada em março de 1992 para apurar a corrupção na política partidária italiana.

O Ministério Público de Milão, em doze anos de atividade, investigou mais de 3 mil suspeitos e conseguiu a condenação de mais de 1.500 acusados.

O primeiro apanhado com as mãos sujas, Mario Chiesa, era do partido socialista e dirigia o Pio Albergo Trivulzio, misto de asilo e hospital público.

Flagrado ao receber o preço da sua corrupção, declarou, depois de ser chamado pelo premier socialista Bettino Craxi de “mariuolo” (gatuno): -“Tutti rubiamo così” (Todos roubamos assim).

Chiesa tinha razão. E o ex-primeiro ministro Craxi, do seu partido, também acabou apanhado pela Operação Mãos Limpas. Protestando inocência e com medo da cadeia, Craxi, depois de receber um banho de moedas quando deixava o hotel onde ficava em Roma, resolveu fugir para Hammamet, na Tunísia. Lá possuía uma magnífica mansão em estilo mediterrâneo.

Condenado definitivamente pela Justiça italiana à pena de oito anos de reclusão, Craxi permaneceu na Tunísia, que negava pedidos de extradição, até sua morte, em janeiro de 2001. Seu corpo foi trasladado e enterrado na Itália.

Enquanto se desenvolvia a Operação Mãos Limbas, uma trinca da pesada resolveu fundar um partido político, com o nome de “Forza Itália”. Seus nomes: Sílvio Berlusconi, Cesare Previti e Marcello Dell´Utri. Pela ordem, tornaram-se primeiro ministro, deputado e senador. Evidentemente, todos eles réus em vários processos criminais, diante do apurado pelos procuradores milaneses da Operação Mãos Limpas e, com relação a Dell´Utri, pelo pool de magistrados antimáfia de Palermo (Sicília).

Sem a preocupação de evitar a desmoralização das instituições italianas, a referida trinta, com apoio da maioria parlamentar e de paus-mandados como o ministro da Justiça que é engenheiro, encontraram a fórmula para evitar a cadeia e acabar com os processos criminais.

Na quinta feira 16, o parlamento italiano votou a lei “Salva Preveti” e maculou o Estado democrático de Direito e comprometeu a máxima, escrita na entrada de todos os Tribunais Italianos, de que “Todos são iguais perante a Lei”.

Embutida num projeto legislativo denominado “anticrime”, foram reduzidos os prazos prescricionais e eliminada a encarceramento para condenados com 70 anos de idade.

Com isso, o advogado e deputado Previti, condenado duplamente em primeiro grau por corrupção de juízes aos quais encomendava sentenças para favorecer as empresas de Berluscone, terá extinta a punição.

Nos processos contra Previti, o premier Berlusconi é co-réu e, nesta semana, já teve reconhecida a prescrição (já chamada de absolvição pelos seus iguais), por força de uma outra lei que encomendou.Aliás, que o salvou do crime de falso balanço, quando a prova pericial e documental demonstrava a procedência da acusação.

A referida lei “ad personam”, --chamada na Itália de "Salva Previti", vai, também, alcançar Dell´Utri, condenado na sexta-feira 10, em Palermo, por concurso em associação mafiosa.

Na segunda 13, o senador Dell´Utri recebeu solidariedade do presidente do senado, Marcello Pêra, e da câmara, Píer Ferdinando Casini.

Dispensável lembrar que o premier disputa com Blair a posição de maior sabujo de Bush.

Berluscone está entre os 35 homens mais ricos do mundo, com uma fortuna avaliada em US$7,2 bilhões. Manda no setor de telecomunicações e, como premier, compromete as finanças, a educação, a saúde e as garantias trabalhistas. Além, evidentemente, de empobrecer os italianos e desmoralizar a Justiça, de quem, por cautela, resolveu tomar a chave da cadeia.


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