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CAMORRA: guerra de secessão. Drogas, por dia Camorra movimenta 500 mil euros. Balanço de assassinatos em 2004: 128.

Por IBGF/WFM

I.QUADRO GERAL.

a)Balanço de 2004:

-128 assassinatos de autoria da Camorra, em 2004.

-durante a guerra de secessão que se desenvolve (grupo Di Lauro x Camorritas da Secessão): 28 mortos

-mercado de drogas da Camorra: 500 mil euros por dia de movimentação.

II.Entenda a Guerra.

a)9 dezembro de 2004:

Nunca se viu coisa igual.

Mulheres com crianças nos braços ocuparam a centro do bairro chamado Fiori (flores), local usado pela Camorra no "despacho e venda" de cocaína, heroína e drogas sintéticas fabricadas em fundo de quintal.

O abastecimento de heroína decorre das ligações da Camorra com as máfias da Turquia, Síria e Egito. A cocaína é colombiana e a cannabis e o haxixe vêm do Marrocos

a.1)a Guerra da Camorra, cuja intervenção das forças de ordem verificou-se no dia 7 de dezembro passado, decorreu, --como é própria da Camorra--, da disputa de pontos de venda de droga em Napoli (capital da Campania) e em toda essa região (Campania).

Existem 2 grupos camorristas em disputa.

O mais forte e enraizado é o de Paolo Di Lauro, que teve o filho preso na mega-operação anticamorra da terça feira passada(7/12/2004-matéria abaixo reproduzida da seção Máfia, do nosso site-IBGF). O clã de Paolo Di Lauro iniciou um embate contra unidos grupos independentes, que passou a se chamado de "grupo da secessão". Ou seja, sem vinculação ao grupo de Lauro e, portanto, livres para operar nos territórios controlados pela criminalidade organizada, em especial na periferia de Napoli, isto é, nos bairros de Secondigliano e Scampia.

a.2) A Região meridional da Campania é composta por mais de 500 "municípios" (A Itália é um estado unitário, com divisão administrativa diversa dos estados federados).

A população da Campania é superior a 5 milhões. Há o problema dos chamados "extracomunitários", ou melhor, de imigrantes que entraram ilegalmente no país e buscam a proteção da Camorra na região da Campania, em especial na bela cidade de Casserta.

Os extracomunitários são utilizados pelos clãs da Camorra, em troca garante as suas presenças nos territórios.

. a.3.Trata-se da 3a.Guerra da história da Camorra e nela já morreram 24 pessoas (até 8 de dezembro de 2004), inclusive cidadãos não pertencentes à organização e aos grupos em choque.

a.4. A Camora nasceu no século XIX, quando Napoli pertencia ao Reino das Duas Sicílias, dos Bourbons.

Portanto, nasceu antes da unificação do Estado Italiano e da batalha de independência do reino dos Burbons. A batalha ocorreu em Teano (atual região da Campania), vencida por Garibaldi.

E Garibaldi entregou o sul italiano ao reino do Piemonte, conduzido por Vittorio Emanuelle.

A Camorra nasce entre quadrilhas da chamada "mallavita" (marginalidade).

a.5.Ao contrário da Máfia Siciliana (origem rural), a Camorra teve origem urbana.

. Também ao contrário da Máfia, a Camorra nunca conseguiu unificar os cerca de 100 grupos criminais que matém controle de territórios.

Assim e sempre diferentemente da Máfia, nunca conseguiu a Camorra ter um vértice (cúpula de governo. Na Máfia, a cúpula chama-se Comissione). a.6. A primeira tentativa de unificação dos clãs ocorreu nos anos 60. Isso para melhor explorar o contrabando do tabaco.

Como não se conseguia a unificação, Raffaele Cutolo, numa última tentativa, criou a chamada Nova Camorra Organizada. Isso ocorreu na segunda metade dos anos 70.

Segundo os especialistas no fenômeno, Cutolo pretendia estabelecer regras e uma disciplina à exploração do contrabando de cigarro, que era a rgande fonte de renda da criminalidade organizada campana.

a.7.Nos anos 80, em oposição a Cutolo, unem-se os clãs comandados por Zaza (Nicola Zaza, o rei do contrabando de cigarro norte-americano na Itália), Bardellino e Nuvolete

. Entram em guerra aberta.

a.8.A segunda guerra da Camorra envolve grupos potentes. De um lado, a famiglia Nicoletta apoiada pelos clãs de Carmine Alfieri e Antonio Bardellino. Os rivais eram liderados por Valentino Gionta

. A segunda guerra é marcada pelo massacre de Torre Annunziata.

a.9.A última tentativa de dar governabilidade e reunir os grupos camorristas independentes deu-se em 1992, numa inciativa de Carmine Alfiere.

Ele fundou a denominada Nova Máfia Campania, que não vingou nem com a mudança de nome, pois, na Sicília, a veradadeira Máfia reagiu e interpretou como tentativa de confusão entre elas.

a.10.Além do tráfico de drogas, a Camorra dedica-se ao contrabando, "enterro de lixo tóxico" (tráfico de lixo), exploração do lenocínio, jogos de azar,etc.

A Camorra foi a primeira organização criminosa a empregar meninos no tráfico de drogas.

III.A ÚLTIMA GUERRA (7 de dezembro de 2004)

Qualquer semelhança com o Rio de Janeiro é mera coincidência.

Como as organizações criminosas do Rio de Janeiro, os camorristas de Napoli, ao contrário dos mafiosos da Sicília, não têm órgão de cúpula, ou seja, não se trata de organização piramidal, com governo no vértice.

Como lembrou em depoimento o chamado superbosss dos dois mundos, Tommaso Buscetta (já falecido), "não contrataria um camorrista como guarda noturno da rua onde moro"

. Com efeito, grupos da crimiladade organizada de Napoli, chamada Camorra, entraram em guerra.

As forças de ordem tiveram de agir e prepararam uma "Blitz contra a Camorra".

Foram empregados cerca de mil policiais com apóio de helecópteres, corpo de bombeiros e de forças especiais de segurança.

A polícia logrou prender 53 acusados de ligações com a Camorra, em dois bairros napolitanas. Entre os capturados está o filho do boss camorista Paolo di Laura

Uma imponente operação das forças de ordem começou nas primeiras horas de hoje, 7 de dezembro de 2004. Isso nos bairros napoletanos periféricos de Secondigliano e Scampia.

Esses dois bairros periféricos, há algumas semanas, transformaram-se em palco de uma sangrenta guerra para o controle do tráfico de drogas em Napoli.

Foram presas 53 pessoas na blitz contra a Camorra. Entre os presos figura Ciro Di Lauro, filho do capo-camorrista Paolo Di Lauro.

Paolo Di Lauro é capo chefe de uma das "famiglie" envolvidas na luta pelo controle do tráfico de drogas ilícitas, uma batalha que já dura várias semanas

Embora presas 53 pessoas, a Direção Distrital Antimáfia expediu 65 mandados de prisão, todos assinados por 4 membros do Ministério Público de Napoli.: Corona, Del Gaudio, Frunzio e Di Monte.

Todos os presos estão sendo acusados de associação mafiosa (camorrista). Algus dos arrestados são acusados de participantes dos 4 homicídio ocorridos na semana passada.

Entre esses homicídios está o de Gelsomina Verde, de 22 anos de idade, vítima de uma "vendetta" (vingança) transversal, ou seja, pela sua relação de amizade com um camorrista de grupo rival. Depois de morta, seu corpo foi queimado com gasolina

Segundo circula, as prisões foram, possíveis graças à delação de um colaborador de justiça: camorrista arrependido.

Da operação anticamorra de hoje participaram cerca de mil homens, pertencentes à policia de estado, carabineiros e guarda de finanças. Eles cercaram e controlaram o bairro de Secondigliano

No bairro de Scampia e, principalmente, na zona do "Submundo", os policiais foram assediados por parte de familiares e simpatizantes dos grupos envolvidos, interessados em impedir os trabalhos

As mulheres lançaram dos terraços vários objetos contra os policiais. Depois, desceram para as ruas para tumultuar e impedir as prisões. Prepararam barricadas e colocaram fogo em vários objetos e os policiais do corpo de bombeiros, que acompanhavam a opertação, tiveram de entrar em ação, para apagar e evitar a proliferação das chamas

Enquanto se realizava a operação nos dois supracitados bairros, forças de ordem auxiliares realizaram batidas no litoral e na cidade de Caserta

Nas últimas três semanas em Scampia e Secondogliano o clima é de guerra e os moradores em razão do medo não saem de casa

Nessa guerra da Camorra e até final do mês de novembro já foram executados 24 camorristas

Os camorristas em guerra procuram atemorizar os comerciantes. Suas lojas são metralhadas e, com isso, os negócios são fechados

Ontem, por exemplo, Dario Scherillo, de 26 anos de idade, foi alvejado quando transitava na garupa de uma motocicleta por uma reua do bairro de Secondigliano, onde trabalhava. Ele não tinha qualquer ligação com a criminalidade organizada

. No domingo passado, a Camorra matou em Castellammare di Stabia o trabalhador Guglielmo Scelso, de 42 anos de idade. Guglielmo era irmão de um colaborador da Justiça, ou seja, de um camorrista arrependido

O presidente da República, Carlo Azeglio Ciampi, foi informado da blitz voltada a recuperar territórios, prender e contrastar a criminalidade organizada em luta pelo controle do mercados das drogas

Também o polêmico premier Silvio Berlusconi foi avisado e já se manifestou elogiando os policiais napolitanos pela exitosa blitz

Tudo isso acontece em momento em que o premier, sempre acusado de relações com a máfia siciliana, espera a aprovação de projeto de lei que aumenta as penas para os condenados por associação de modelo mafioso (416-bis-do C.Penal italiano)


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