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Máfias/Dinheiro Sujo

 

CAMORRA EM GUERRA-7 novembro de 2004.

Por IBGF/WFM

Qualquer semelhança com o Rio de Janeiro é mera coincidência.

Como as organizações criminosas do Rio de Janeiro, os camorristas de Napoli, ao contrário dos mafiosos da Sicília, não têm órgão de cúpula, ou seja, não se trata de organização piramidal, com governo no vértice.

Como lembrou em depoimento o chamado superbosss dos dois mundos, Tommaso Buscetta (já falecido), "não contrataria um camorrista como guarda noturno da rua onde moro"

. Com efeito, grupos da crimiladade organizada de Napoli, chamada Camorra, entraram em guerra.

As forças de ordem tiveram de agir e prepararam uma "Blitz contra a Camorra".

Foram empregados cerca de mil policiais com apóio de helecópteres, corpo de bombeiros e de forças especiais de segurança.

A polícia logrou prender 53 acusados de ligações com a Camorra, em dois bairros napolitanas. Entre os capturados está o filho do boss camorista Paolo di Laura

Uma imponente operação das forças de ordem começou nas primeiras horas de hoje, 7 de dezembro de 2004. Isso nos bairros napoletanos periféricos de Secondigliano e Scampia.

Esses dois bairros periféricos, há algumas semanas, transformaram-se em palco de uma sangrenta guerra para o controle do tráfico de drogas em Napoli.

Foram presas 53 pessoas na blitz contra a Camorra. Entre os presos figura Ciro Di Lauro, filho do capo-camorrista Paolo Di Lauro.

Paolo Di Lauro é capo chefe de uma das "famiglie" envolvidas na luta pelo controle do tráfico de drogas ilícitas, uma batalha que já dura várias semanas

Embora presas 53 pessoas, a Direção Distrital Antimáfia expediu 65 mandados de prisão, todos assinados por 4 membros do Ministério Público de Napoli.: Corona, Del Gaudio, Frunzio e Di Monte.

Todos os presos estão sendo acusados de associação mafiosa (camorrista). Algus dos arrestados são acusados de participantes dos 4 homicídio ocorridos na semana passada.

Entre esses homicídios está o de Gelsomina Verde, de 22 anos de idade, vítima de uma "vendetta" (vingança) transversal, ou seja, pela sua relação de amizade com um camorrista de grupo rival. Depois de morta, seu corpo foi queimado com gasolina

Segundo circula, as prisões foram, possíveis graças à delação de um colaborador de justiça: camorrista arrependido.

Da operação anticamorra de hoje participaram cerca de mil homens, pertencentes à policia de estado, carabineiros e guarda de finanças. Eles cercaram e controlaram o bairro de Secondigliano

No bairro de Scampia e, principalmente, na zona do "Submundo", os policiais foram assediado por parte de familiares e simpatizantes dos grupos envolvidos, interessados em impedir os trabalhos

As mulheres lançaram dos terraços vários objetos contra os policiais. Depois, desceram para as ruas para tumultuar e impedir as prisões. Prepararam barricadas e colocaram fogo em vários objetos e os policiais do corpo de bombeiros, que acompanhavam a opertação, tiveram de entrar em ação, para apagar e evitar a proliferação das chamas

Enquanto se realizava a operação nos dois supracitados bairros, forças de ordem auxiliares realizaram batidas no litoral e na cidade de Caserta

Nas últimas três semanas em Scampia e Secondogliano o clima é de guerra e os moradores em razão do medo não saem de casa

Nessa guerra da Camorra e até final do mês de novembro já foram executados 24 camorristas

Os camorristas em guerra procuram atemorizar os comerciantes. Suas lojas são metralhadas e, com isso, os negócios são fechados

Ontem, por exemplo, Dario Scherillo, de 26 anos de idade, foi alvejado quando transitava na garupa de uma motocicleta por uma reua do bairro de Secondigliano, onde trabalhava. Ele não tinha qualquer ligação com a criminalidade organizada

. No domingo passado, a Camorra matou em Castellammare di Stabia o trabalhador Guglielmo Scelso, de 42 anos de idade. Guglielmo era irmão de um colaborador da Justiça, ou seja, de um camorrista arrependido

O presidente da República, Carlo Azeglio Ciampi, foi informado da blitz voltada a recuperar territórios, prender e contrastar a criminalidade organizada em luta pelo controle do mercados das drogas

Também o polêmico premier Silvio Berlusconi foi avisado e já se manifestou elogiando os policiais napolitanos pela exitosa blitz

Tudo isso acontece em momento em que o premier, sempre acusado de relações com a máfia siciliana, espera a aprovação de projeto de lei que aumenta as penas para os condenados por associação de modelo mafioso (416-bis-do C.Penal italiano)


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