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ESCADINHA ASSASSINADO NO RIO DE JANEIRO

Por IBGF/Jornal do Terra

Escadinha e as outras vítimas

Condenado a mais de 50 anos de prisão por tráfico de drogas, constituição de bando armado e assaltos, José dos Reis Encina, apelidado Escadinho, foi assassinado.

Escadinha teve morte semelhante aos grandes chefes criminosos. Aqueles chefões que depois de um longo período no cárcere retornam ao convívio social. Lógico, antes de deixar a penitenciária, juram arrependimento, mas não cortam os laços com o submundo criminal.

Ficou claro ter Escadinha sido apahado de surpresa e fuzilado. Dois tiros atingiram o seu rosto e os outros cinco espalharam-se “acima da correntinha”.

Tudo foi preparado para Escadinha ter morte instantânea. Morrer sem tempo para revelar o nome do mandante do crime ou da facção rival.

Resumindo, uma cena de enlatado de Hollywood, com motociclista e “garupeiro” um de costas para outro, para melhor posição de tiro.

Tirada uma radiografia da morte de Escadinha, pode-se verificar que a maior das vítimas foi a sociedade fluminense e a carioca.

Fora da prisão, Escadinha virou vice-presidente de uma Cooperativa de Táxi, chamada Elite Service. Dessa cooperativa saíam aparelhos rádio-transmissores para os presos do Comando Vermelho.

A própria polícia apreendeu 14 desses rádio transmissores no Bangu III. Mais ainda 3 deses transmissores eram usados pelo traficante apelidado Coringa, que controla o tráfico de drogas no Complexo do Alemão.

Apesar das evidências, Escadinha continuava solto, a sair da cadeia de dia e voltar só a noite. Às vezes, tinha direito a passar alguns finais de semana em casa, sempre sem vigilância.

Na verdade, Escadinha não estava em regime semi-aberto, que, pela lei é diferente. Estava, basta ver a lei, numa espécie de prisão albergue.

De todo esse episódio, a polícia ainda não sabe as causas do crime. Vale dizer, o serviço de inteligência não produzia informes sobre aquele que já havia comandado o tráfico no Rio e estava de volta às ruas.

Pior ainda. Não tivesse sido Escadinha fuzilado, tudo continuaria igual, sem suspeitas da volta de Escadinho ao crime.

Como se percebe, a política de insegurança pública no Rio é aquela que os bandidos gostam. E o ex-governador e atual secretário Garotinho até escreveu livro sobre segurança pública.

Garotinho é um mestre no assunto, como Escadinha devia considerar, mas, por prudência, nunca falou.

. Na sexta feira 24 de setembro de 2004, Escadinha foi enterrado e cerca de 300 pessoas acompanharam o seu enterro. Foi enterrado com o som de samba, cuja letra falava de um homem bom, que ajudava a comunidade. A recordação maior foi a sua fuga de helicóptero, em 1995, do presídio da Ilha Grande. O responsável pela fuga espetacular de Escadinho foi Luís Carlos Gregório, apelidado Gordo e notório narcotraficante. Gordo acabou morto, como Escadinha. Ambos se tornaram envangélicos na Cadeia. Mencionavam que estavam emendados e se didicavam à religião. Observou o sociólogo Michael Misse, coordenador do Núcleo de Estudos da Violência da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) que desde a década de 90 as facções rivais guerreiam entre si pela disputa de territórios.


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