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Máfias/Dinheiro Sujo

 

MÁFIA. Pedido 8 anos de prisão ao governador da Sicília por favorecer a Cosa Nostra.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

16 de outubro de 2007.

Totó Cuffaro, quando em campanha para governador da Sicília.


O procurador adjunto antimáfia de Palermo acaba de pedir, -- em alegações finais--, a condenação de Salvatore Cuffaro (Totó Cuffaro), governador da Sicília (denominado presidente da região da Sicília, em face da Itália ser um estado unitário e não federado como o Brasil e os EUA).

Segundo o procurador Giuseppe Pignatone , o caso não é de associação mafiosa mas de favorecimento, agravado pela função pública que permitiu o recebimento de informes.

Com tal postura, Pignatone, mais uma vez, divide a Procuradoria Antimáfia. Muitos procuradores, --que trabalham em processsos originários da investigação principal chamada Operação Topera (iniciada em 1991)--, entendem que seria caso de associação mafiosa e não de favorecimento.

Pignatone notabilizou-se por se opor ao juiz Givanni Falcone, mártir na luta contra a Máfia, que sustentava ligações da Cosa Nostra com políticos.

Pelo crime de favorecimento agravado, o governador Totó Cuffaro , segundo Pignatone, deverá ser condenado à pena de oito (8) anos de reclusão. Com isso, perderá, como efeito da condenação, o cargo e novas eleições deverão ser designadas.

Totó Cuffaro nega as acusações. A prova mais contundente revela que o boss mafioso de nome Guttadauro foi avisado de que uma microespia fora colocada na sua casa. Assim, conversas comprometedoras com políticos estavam sendo registradas.

Com a informação, o chefe mafioso Guttadauro vasculhou e destruiu paredes e forrações da sua residência. Acabou por encontrar e destruir o equipamento de escuta ambiental.

O mafioso comunicava-se muitas vezes com Domenico Miceli, amigo íntimo de Totó Cuffaro e eleito deputado regional na lista do partido Udc, comandado, na Sicília, pelo referido Cuffaro.

Conforme a acusação, -- e o processo criminal conta com outros réus menos ilustres--, Cuffaro passaria informações reservadas sobre investigações, obtidas junto à Procuradoria Antimáfia de Palermo, e referentes a pessoas ligadas à Cosa Nostra. Tudo com o intuito de favorecer a organização criminosa.

A sentença, a ser lançada por órgão colegiado (formado por juízes leigos e togados), deverá ser anunciada,-- segundo cálculo otimista-- nos próximos dez dias.

A investigação contra Cuffaro foi extraída de uma outra maior, camada Operação Topeira. Ela apurou ligações de mafiosos com políticos e empresários.

Também se investigoua fuga de notícias saída da Procuradoria Antimáfia de Palermo. No particular, é acusada Antonella Buttita, que era secretaria da Procuradoria Antimáfia de Palermo.

O ambiente na Procuradoria Antimáfia é o pior possível. O procurador Gaetano Paci conduzia a investigação e estava convencido de denunciar Totó Cuffaro por associação externa à máfia. Seu sucessor, Pignatone, entendeu ser apenas caso de favorecimento.


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