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Máfias/Dinheiro Sujo

 

COSE di Cosa Nostra. Sequestro desfalca Máfia.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

14 outubro 2007.

Mais uma vez relembro o título do livro Cose di Cosa Nostra (Coisas de Cosa Nostra). No livro, a jornalista francesa Marcelle Padovani reúne depoimentos do juiz Giovanni Falcone , mártir da luta contra a criminalidade organizada transnacional, de modelo mafioso.

Giovanni Falcone.


Marcelle está radiacada na Itália há anos e, além de escritora, é correspondente da respeitada Nouvelle Observateur. O seu livro é considerado o testamento deixado por Falcone.

Com efeito. Neste final de semana, a Direção de Investigação Antimáfia (DIA) da siciliana cidade de Catânia seqüestrou 5 cavalos puro-sangue inglês pertencentes ao clã mafioso de Nitto Santapaola.

Dentre os cavalos estava o campeão Mister Personal . Na sua última corrida, o campeão foi montado por Frankie Dettori um dos mais famosos jóqueis europeus. E faturou o grande prêmio da Sicília.

Cada cavalo apreendido, segundo avaliação da DIA, custa 50 mil euros, ou seja, cerca de R$150.000,00.

O cavalo Mister Personal foi parar nas mãos do clã por uma extorsão velada. O clã chegou a recomendar ao anterior proprietário cuidados especiais na verificação daquilo que o cavalo comia, para evitar envenenamento. Também para que mantivesse prudência no transporte do animal a fim de evitar acidentes, como, por exemplo, uma pata quebrada.

O capo-clan é Nitto Santapaola que está preso e condenado a prisão perpétua. Ele ficou foragido da Justiça italiano durante 13 anos, sem perder o controle do clã e manter como quartel-general todo o bairro de San Cristoforo.

Nitto integrava a cúpula mafiosa (Comissione), no período de gestão dos corleoneses (cidade de Corleone) Totó Riina e Brenardo Provenzado.

Em San Cristoforo tudo gira em torno de corridas de cavalos, uma das paixões mafiosas. Isto a ponto de transformar a atividade em “negócio”, com controle de apostas fora de hipódromos e corridas de “cavalos drogados”: fora de hipódromo e com cavalos drogados a ponto de muitos caírem mortos no meio da corrida.

O clan Santapaola controla, também, o mercado de carne eqüina, vendida em supermercados.

Com a prisão de Nitto, o clã ficou sob gestão do seu problemático e violento sobrinho, Ângelo Santapaola. Este se deu mal e atritou com a cúpula mafiosa controlada, após a prisão de Riina, por Bernardo Provenzado.

A ordem de Provenzano era de a “Máfia” fingir-se de morta, depois do período de guerra ao Estado promovido por Riina. Todos os assassinatos foram proibidos por Provenzano. As exceções, só com ordens de Provenzano.

Ângelo Santapaola não obedeceu as ordens. O clã continuou a cometer homicídios. Em setembro passado, por exemplo, foram quatro assassinatos em quatro dias, em Catânia.

No dia 1 de outubro transato, Ângelo Santapaola pagou o preço da desobediência. Foi fuzilado e queimado junto com o seu guarda-costa.

Enfim, Cose di Cosa Nostra . Máfia que continua viva e forte, depois do primeiro aniversário de prisão de Provenzano.

No momento, para ter idéia, o governador da Sicília, Salvatore Cuffaro, responde a processo criminal por favorecer a Máfia.

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