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Máfias/Dinheiro Sujo

 

GOMORRA, de Roberto Saviano.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

19 setembro 2007.




A Camorra usa carrões da Mercedes Benz

. ROMA.. Na região da Sicília, a cidade Corleone ficou conhecida como a que mais gerou chefões mafiosos. De Corleone saíram os capi mais sanguinários da história da criminalidade organizada planetária.

Totó Riina, “il capo dei capi” é de Corleone. Declarou guerra ao estado italiano e bombardeou Roma, Milão e Florenza, em 1992. Mandou dinamitar juízes como Giovanni Falcone e Paolo Borselino, eurodeputados, policiais, etc.

Só que na pequena Corleone os chefões e os mafiosos não compravam automóveis da marca Mercedes Bens para uso. A propósito, nunca foram vistos em carrões.

Quando preso, Totó Riina, foragido há mais de 19 anos sem sair da Sicília, estava num Citroen, padrão médio, e com motorista particular a aparentar ser ele o proprietário do veículo

Os “corleonesi”, como ficaram conhecidos os mafiosos daquela pequena cidade (“paese”), preferiam investir em relógios Rolex e jóias de desenhistas famosos. Frise-se, não usavam esses relógios e jóias. Apenas mantinham-nos guardados em esconderijos.

Totó Riina, por exemplo, tinha, como o bicheiro carioca Anísio Abraão, alguns exemplares do famoso relógio Rolex.

. Ao contrário dos mafiosos corleoneses, os camorristas “casalesi” , da cidadezinha de Casal di Principe, preferem os automóveis Mercedes Benz, sempre último tipo.

Casal di Principe é a cidade que tem, proporcionalmente, a maior quantidade de automóveis Mercedes Benz em circulação no mundo.

Além da cidade com o maior número de Mercedes Benz do mundo, a pequena Casal di Principe tem mais firmas de construção civil do que habitantes (cidadãos).

O velho “capo camorrista” de Casal di Principe é Don Nicola Schiavone . Ele já passou o comando da “famiglia casalesi” para o filho Francesco Schiavone.. Em Casal di Principe, o último “cadáver excelente” (jargão mafioso para assassinatos de pessoas com notoriedade) foi o pobre padre Peppino Diana: criticava a Camorra nos sermões. O penúltimo foi o vice-prefeito, que anulou uma concorrência pública por suspeita de “extorsão” e “fraude”: levou seis tiros na cabeça, enquanto falava ao telefone, com a janela aberta.

Ontem, em Casal di Príncipe, houve uma manifestação para relembrar as vítimas da Camorra. Estavam presentes o presidente da Câmara dos Deputados da Itália e o jornalista Roberto Saviano Roberto Saviano, desde outubro de 2006, está sob escolta. Ele escreveu o livro intitulado GAMORRA (com proposital G, para lembrar Sodoma e Gamorra).

O livro conta a história da Camorra, em especial em Casal di Príncipe, onde estão grandes chefões camorristas que controlam o mercado do cimento e do concreto-armado.
Na Itália, o livro de Roberto Saviano é um recordista de vendas. Foi Saviano que levantou o número de Mercedes Benz que circulam com placa de Casal di Principe. Wálter Fanganiello Maierovitch.


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