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Máfias/Dinheiro Sujo

 

Drangheta. Nove mulheres presas. Integravam a organização.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

31 de agosto de 2007.



Roma. Hoje os jornais noticiaram a prisão de 32 membros da ‘Ndrangheta, a chamada máfia da Calábria. E nove eram mulheres, ou seja, mulheres de máfia (‘ndrangheta).

Desde 1982, a lei penal italiana tipifica, além de quadrilhas e bandos (associações delinqüenciais comuns), organizações criminais especiais, de “stampo mafioso”.

A tipificação decorreu de projeto apresentado pelo deputado siciliano Pio La Torre. Logo que a lei entrou em vigor, La Torre foi metralhado e morto pela máfia siciliana.

La Torre conseguira introduzir no Código Penal (artigo 416, bis), tudo aquilo que a Máfia não desejava, pois, até então, muitos sustentavam que ela não existia e era obra de ficção.

Parêntese .No caso do mensalão, José Dirceu, por seu advogado e na recentíssima sustentação oral no Supremo Tribunal Federal (STF), frisou que a denúncia do Procurador Geral da República era obra de ficção. Vale lembrar que a denúncia foi recebida, ou seja, existiam indícios suficientes a revelar formação de quadrilha e corrupção. Parêntese fechado

Com efeito. Depois da Lei La Torre, que era deputado eleito pelo então partido comunistas italiano ( o euro-comunismo de Enrico Berlinguer, que se opunha ao comunismo soviético), a Itália identificou quatro associações de “stampo mafioso”: Camorra (Napoli), Cosa Nostra (Sicília), Sacra Corona Unita (Puglia) e ‘Ndrangheta (Calábria).

Voltando às mulheres de máfia, as nove presas tinham papel importante, segundo um comissário da Direção Distritual Antimafia com o qual almocei hoje: pasta e vino, só um copo. As nove presas pertenciam à ‘ndrangheta, na condição de esposas, noivas, namoradas, irmãs e mães dos dois clãs que estão em guerra no bairro de San Luca, em Reggio Calábria.

Conforme interceptações telefônicas e ambientais, elas escondiam os “´ndrini” (mafiosos), cuidavam dos recursos financeiros dos clãs, levavam mensagens. Enfim, e numa definição do amigo do almoço, elas ofereciam “supporto logistico ai clan”

Na citada “contrada” (bairro) de San Luca, estão em guerra dois clãs. De um lado, as famílias-mafiosas dos Pelle-Vottari e, do outro, os Nirta-Strangio.

O processo antidrangheta conta com 942 páginas e as atividades das mulheres ficaram bem comprovadas.

A procuradoria distrital antimáfia de Reggio Calábria expediu 43 ordens de prisão. E a blitz que resultou em 34 arrestos foi ordenada pelos procuradores antimáfia Adriana Fimiani, Salvo Boemi, Nicola Graterri, Federico Perrone Capano.

Na luta antimáfias, os procuradores do Ministério Público (são magistrados), trabalham em perfeita sinergia com as polícias. Isso não ocorre no Brasil, onde Nelson Jobim, quando estava no STF, entendeu que o ministério Público não pode investigar: o STF ainda não decidiu a respeito da absurda tese de Jobin.

Wálter Fanganiello Maierovitch.


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