São Paulo,  
Busca:   

 

 

Máfias/Dinheiro Sujo

 

MÁFIA. Da lupara à dinamite. Boserselino, 15 anos faz.

Por Blog do Maierovitch www.cbn.com.br

19 julho de 2007.

19/7/1992. Via d´Amélio- Palermo (Sicilia).


Ainda sinto dor na alma pela tragédia ocorrida no aeroporto de Congonhas, no estado de São Paulo (Brasil)
.
E hoje a tristeza aumenta. Há 15 anos a Máfia dinamitou uma pessoa que eu conhecia. Refiro-me ao juiz Paolo Borselino.

A explosão ocorreu em Palermo, defronte ao prédio de apartamentos onde morava a velha mãe do magistrado Borselino, na Via d´Amelio. Cinco agentes de escolta também foram atingidos pela explosão e morreram. Só se salvou um deles, que estava distante e a fiscalizar o entorno.


Parêntese. Nos primórdios, a secular Máfia empregava, para matar, a ”lupara” . A “lupara” era o nome dado ao fuzil de caça a lobos (lupus). Tinha valor simbólico, pois essa arma era propositadamente deixada ao lado do corpo da vítima. Portanto, bastava a presença de uma lupara para se identificar um delito de autoria mafiosa.

Da “lupara” evoluiu-se para armas mais modernas, com a metralhadora russa e os ataques tornaram-se surpreendentes, inesperados para as vítimas.

Naquela estação de ataques contra o Estado, --sempre em 1992--, a Máfia partiu para os explosivos, como se fazia em Belfast (Irlanda) na guerra civil entre católicos e protestantes. E isso a Máfia realizava para difundir o medo e fazer o Estado refém. Bombas mafiosas explodiram em Roma, Florença e Milão, com danos ao patrimônio artístio-cultural.

Fechado o parêntese, volto àquele trágico 19 de julho de 1992, com o assassinato de Borselino e cinco agentes da sua escolta.

Dentre eles estava a policial Emanuela Loi, de 21 anos de idade. Emanuela foi a primeira mulher da polícia de Estado a se tornar mártir na luta contra o crime organizado.
No atentado de 19 de julho de 1992, a Máfia usou 100 kg de dinamite.

Certa vez, em Palermo, tive oportunidade de ler, na sede da Direção Investigativa Antimáfia (DIA) o relato de um mafioso arrependido, prestado aos dinamitados juízes Paolo Borselino e Giovanni Falcone.

O mafioso que passou a colaborar com a Justiça se chamava Gaspare Mutullo. Ele revelou um segredo de mafiosos e de corruptos. Disse que para eles,-- mafiosos e corruptos---, “é melhor estar na cadeia com dinheiro do que gozar de liberdade sem nada no bolso”, ou seja “duro”.

Quando recordo do relato de Gaspare, penso de imediato na brasileira Georgina Maria de Freitas. Aquela fraudadora da previdência social que saiu da cadeia com a fortuna preservada, ou melhor, com grande parte dos proventos do crime.

Esse ensinamento de Gaspare mostra a importância de se atacar as finanças dos criminosos. Lógico, isso vale também para o Brasil.

Passados 15 anos da tragédia, a Máfia, hoje, fatura por ano o dobro da Fiat. E dez vezes mais do que a Telecom.
No ano de 2006, a Máfia lucrou 75 bilhões de euros, quantia só pouca coisa inferior ao faturamento da ENI, que corresponde à Petrobrás italiana.

A receita básica para combater o crime organizado,-- (e a regra é o desfalque patrimonial)--vale para o terrorismo e para os corruptos espalhados pelo planeta.

Conforme recentes suspeitas, corruptos brasileiros,, para lavar dinheiro, usam até falsas transações com mugires.

Enquanto lavam com mugires, fazem os cidadãos honestos passarem por muares, ou seja, por bestas.

Até quando ?

Walter Fanganiello Maierovitch, 15 horas.


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet