São Paulo,  
Busca:   

 

 

Máfias/Dinheiro Sujo

 

Máfia. Strage di Via d´Amelio. 15 anos da morte do magistrado Paolo Borselino

Por Blog do Maierovitch www.cbn.com.br

Exlosão em Via d´Amelio- Palermo.


Cadáveres Excelentes.

Um dos grandes escritores sicilianos, Leonardo Sciacia, escreveu que a Máfia faz vítimas anônimas e “cadaveri eccellenti” (cadáveres excelentes).

Não só porque nascido na Sicilia, Sciascia era profundo conhecer do fenômeno mafioso.

Ao usar a expressão supracitada, Sciascia referia-se às pessoas conhecidas no meio social, como juízes, jornalistas, escritores, políticos. Resumindo, personalidades, cujas mortes causam impacto social e deixam o sentido vazio das suas ausências.

No imperdível livro intitulado ”Il Giorno della Civetta” (O Dia da Coruja), ele faz uma análise profunda do poder de intimidação difundido pela criminalidade organizada de matriz mafiosa. Daí, a “omertà”, ou melhor, o silêncio imposto à sociedade civil pela Máfia.

Parêntese. O livro supracitado foi traduzido pelos alunos do Instituto Italiano de Cultura (São Paulo e Rio de Janeiro). Em italiano, pode ser encontrado com facilidade na Livraria Italiana. Fecha-se parêntese.

A expressão “cadavere eccelente” me parece ser o móvel da conduta mafiosa. Matam pessoas a fim de chegar à “omertà”. Melhor explicando: a repercussão do assassinato de uma personalidade mostra a ousadia da criminalidade organizada e a fraqueza do Estado. Com medo e sem confiar no Estado, as pessoas silenciam.

Pois bem, os dois maiores “cadaveri excelenti” da Cosa Nostra Siciliana foram Giovanni Falcone e Paolo Borselino. Ambos eram sicilianos, amigos de 40 anos e juízez do “pool antimáfia” constituído pelo magistrado Rocco Chinici, ele também transformado em “cadavere excelente”

Há 15 anos, no dia 19 de julho de 1992, a Máfia matou o juiz Paolo Boselino e os seus cinco agentes policias de escolta. Dentre eles, uma mulher: era a primeira policial a trabalhar em escolta de pessoa visada pela Máfia. Seu nome: Emanuela Loi.

Nos assassinatos foram utilizados 100 kg de dinamite. A explosão ocorreu em Palermo. Depois de almoçar com amigos, Borselino foi visitar a mãe, residente num prédio de apartamentos localizado na Via d´Amelio.

Quando da rua acionou o interfone da porta de entrada do prédio, ocorreu a explosão. Fora tão violenta que afetou a fachado do prédio.

Borselino era um destacado juiz do “pool antimáfia” e braço direito de Giovanni Falcone, ambos idealizadores e realizadores do exitoso “maxiprocesso”. Pela primeira vez na história judiciária italiana, e em razão do maxiprocesso, foram identificados e condenados os grandes chefes da Máfia.

Pouco antes, em 23 de maio de 1992, a Máfia “explodira” com dinamite o juiz Giovanni Falcone, sua esposa Francesca e os agentes da escolta. Isto ocorreu na autoestrada que ligava o siciliano Aeroporto de Punt Raisa (hoje leva o nome de Aeroporto Falcone-Borselino) à cidade de Capaci. Daí, o termo consagrado “”strage di Capaci” (tragédia de Capaci).

Depois da morte de Falcone, o juiz Borselino sabia que seria o próximo alvo. Até porque a Máfia não se conformava de a maior Corte de Justiça da Itália ter confirmado as condenações dos mafiosos. Em resumo, a Máfia aguardou o trânsito em julgado da decisão condenatória para se vingar dos dois maiores responsáveis.

Às vésperas do 19 de julho, destaco uma frase de Borselino que me tocou muito: Quem tem medo, morre todos os dias. Quem não o tem, uma vez só”


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet