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Máfias/Dinheiro Sujo

 

Lavagem de Honra Suja pelo Suicídio

Por Wálter F Maierovitch/Rádio CBN/Justiça e Cidadania

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31 de maio de 2007.

Samurai desonrado


Estou no meio de um debate sobre “lavagem de honra suja”, por meio de suicídio.

As debatedoras são duas das minhas canetas. Sem carregar nas tintas, elas estão a citar exemplos em que a vergonha levou corruptos a suicídios com excelência.

Gabriele Cagliari, então presidente da ENI, que é “petrobrás italiana”, foi apanhado pela Operação Mãos Limpas e preso preventivamente.

Depois de 4 meses de cadeia e provas de que mantinha na empresa um “fundo” para comprar partidos e políticos. E, também, manter contas bancárias para ocultar propinas, Gabriele partiu para o suicídio restaurador da dignidade.

Matou-se na própria cela e deixou uma carta contendo confissões Envergonhada, a surpreendida viúva devolveu ao governo italiano milhões de liras, que era a moeda corrente da época.

Outra carta-confissão interessante foi a do ministro da agricultura japonês. Aquele que se suicidou poucas horas antes do pronunciamento, --orientado por advogados e pleno de omissões--, do senador Renan Calheiros.

Acusado de ter recebido um milhão de yens de uma empreiteira (cerca 19 mil reais) o ministro Matsouoka escreveu na carta-confissão: -“Estou bem consciente das minhas responsabilidades de ministro. É meu dever evitar que coisas semelhantes voltem a se repetir”. Como solução, Matsouoka optou pela corda e uma porta de sustentatação do seu corpo.

Parece que o espírito de Saigo Takamori, o mais famoso dos samurais, inspirou, quanto ao tema da desonra, corruptos em vários partes do mundo, exceção ao Brasil.

Só que nenhum deles usou o ritual do harakiri dos guerreiros japoneses (vestir-se de branco e golpear com espada o estômago). Praticaram o jisatsu, ou seja, o suicídio sem ritual, para lavar com sangue a vergonha dos seus atos de corrupção e fraudes ao erário público.

Por falar em samurais, eles seguiam Buda e Confúcio e se orientavam por sete princípios básicos. O primeiro deles era a honestidade.



Sidartha Gautama, o Buda, iluminou a mente do célebre escritor alemão Herman Hesse, que escreveu o best-seller Sidartha.

Pelo jeito, Zuleido Veras deu o nome de Gautama à sua empreiteira para passar a falsa idéia de honradez e respeito ao cidadão.

PANO RÁPIDO. Com o desvirtuamento do instituto da prisão cautelar, corruptos e fraudadores, para se precaver, já podem pensar em preparar o kit-prisão-relâmpago: peças e utensílios básicos. Algo para uma emergência, que não dura mais do que 20 dias de cadeia.


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