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Máfias/Dinheiro Sujo

 

ANTIMÁFIA. Chega a Palerno a Nave da Legalidade, para recordar os 15 anos da Tragédia de Capaci, onde perderam a vida o juiz Falcone, a esposa e três policias da escolta.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

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23 de maio de 2007, às 17 horas (21 horas em Palermo).

23/5/2007, Nave da Legalidade aporta a Palermo para os 15 anos de memória.


Com a Nave della Legalità desembarcaram em Palerno 1.300 jovens para lembrar a chamada Tragédia de Capaci, onde uma carga de dinamite, colocada pela máfia na autoestrada, escondida numa tubulação de escoamento de águas pluviais e acionada por telecomando à distância, atingiu e matou Giovanni Falcone, sua esposa Francesca Morvillo e três policiais da escolta. Sobreviveu apenas o motorista do segundo carro, onde estavam Falcone e a mulher.

Os jovens recém chegados juntaram-se a muitos outros residentes na Sicília. Muitas faixas foram exibidas. Numa delas, estava grafado: “ Existe necessidade de memória. Existe necessidade de pensar, existe necessidade de coragem e existe necessidade de sonhar”.

O presidente da República enviou uma mensagem à irmã de Falcone, que preside a Fundação Giovannie Francesca Falcone. Na mensagem, o presidente Giorgio Napolitano frisa “o dever de recordar o bárbaro atentado de Capaci e o atentado criminoso, logo depois ocorrido, que matou o juiz Paolo Borselino.”

Cose di Cosa Nostra, livro testamento de Giovanni Falcone. Autores: Giovanni Facone e Marcelle Padovani.


Na nave que saiu de Civittàvecchia e aportou em Palermo estavam o presidente do Senado, o ministro da Defesa, o minsitro da Educação e o procurador nacional antimáfia.

Todos os jovens, os ministros e os organizadores do encontro dirigiram-se à célebre sala-buncker de audiências, onde ocorreu o mega-julgamento de mafiosos, que assistiram a sessão processual numa individual cela (parecida com uma jaula). Na sala-bunker de audiências os jovens dialogaram com as autoridades presentes e falaram sobre a mobilização nacional de luta à legalidade e contra as máfias.

No final da tarde, uma passeada saiu do presídio Ucciardone, que abrigou os grandes chefes mafiosos até a salutar mudança do Código Penitenciário (criou sistema de cárecere duro, com construções de presídios especiais fora da Sicília). Do célebre presídio Ucciardone os jovens rumaram até a "Árvore Falcone", planta na entrada do prédio de apartamentos onde morava o juiz Falcone: a árvore foi plantada há 15 anos e, durante anos, ficou sob a vigilância de soldados de Exército, pois se temia que a máfia pudesse arrancá-la ou envenenar a raiz. A árvore está plantana na via Notarbartolo (avenida com o nome do ex-diretor do Banco da Sicília, dado como inimigo e metralhado pela máfia.

Às 17,58 (hora italiana) houve um minuto de silêncio, pois foi a hora da morte do juiz Falcone, que chegou em coma ao hospital de Palermo, mas não resistiu.

Giovanni Falcone, morto pela máfia em 23 de maio de 2007.


Outro cortejo, formado por estudantes e professores, saiu do Ucciardone e, em viaturas e ônibus, rumou até a cidade de Corleone, onde nasceram os mais sanguinários chefes mafiosos e ocorreu, há hum ano e um mês, a prisão do capo mafia Bernardo Provenzano (ficou foragido 43 anos, sem tirar o pé da Sicília).

Em Corleone, os estudantes e professores se dirigiram à avenida 11 de abril 2006, nome dado para recordar a dia da prisão de Provenzano e o local onde se escondia (uma chácara). O local foi transformado em parque público e as manifestações ocorreram no parque.

No momento, 21 horas (hora da Itália), está chegando ao final a manifestação, na Praça Politeama (centro de Palermo), onde se realiza um concerto gratuito, com o espetáculo chamado" Mil noites contra a Máfia", com a apresentações dos célebres Carmen Consoli e Daniele Silvestri. WFM, 23/5/2007.


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