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Máfias/Dinheiro Sujo

 

MAFIA. 007 italiano negociava com a máfia. Confirmado relato de Tommaso Buscetta. Na foto, o condenado Bruno Contrada.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

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10 maio de 2007.

Bruno Contrada, 007 e mafioso.
A mais alta corte italiana (Corte de Cassação) confirmou a condenação de Bruno Contrada,-- terceiro homem na hierarquia do SISDE (Servizio per le Informazioni e la Sicurezza Democrática--.

Por associação externa à Máfia, o 007 do SISDE está condenado à pena de dez anos de reclusão. A Corte de Cassação confirmou, assim, a dec~isão da Corte de Apelação de Palermo (Sicilia).

O SISDE é uma das três agências de inteligência da Itália. Está ligada ao ministério do Interior. As outras duas agências são o CESIS (Comitato Esecutivo per i Servizi d´Informazione), ligada à presidência do Conselho de Ministros, e o SISMI (Servizio per le Informationi e Sicurezza Militare), subordinado ao ministério da Defesa.

Buscetta, quando preso no Brasil


A Corte de Cassação, com base no conjunto das provas produzidas pelo Ministério Público contra Bruno Contrada, entendeu que eram verdadeiras as declarações prestadas por Tommaso Buscetta e Giovanni Brusca, dois mafiosos de ponta. Buscetta era do grupo de Stefano Bontate, assassinado pelo grupo de corleoneses (da cidade de Corleone) em 1980. A morte ocorreu quando em curso a Guerra de Máfia e que levou ao poder os mafiosos de Corleone. Buscetta, quando deflagrada a guerra fugiu para o Brasil.
O testemunho de Brusca foi importante, pois, na Guerra de Máfia, ele era um dos corleoneses. Giovanni Brusca, da famiglia mafiosa de San Giusepe de Jato, foi o mafioso que acionou o telecomando e provocou a explosão que matou, em 1992, o juiz Giovanni falcone, sua esposa Francesca Morvillo, e os agentes da escolta, salvando-se apenas o motorista do auto blindado de Falcone.

O processo contra Contrada durou 15 anos. Ele foi condenado em primeiro grau e absolvido pelo Tribunal de Apelação de Palermo. A Corte de Cassação anulou a decisão do Tribunal de Apelação de Palermo. Em novo julgamento do apelo, o Tribunal de Apelo de Palermo condenou Contrata. Hoje, 10 de maio, a Corte de Cassação confirmou a condenação.

Stefano Bontade, capo mafia assassinado em 1980.


Contrata está com 77 anos de idade e se aposentou do serviço público, onde integrou, como dirigente, o SISDE. Ele descontará a pena em presídio militar, por ter atuado como 007, ou seja, agente de espionagem.

O fato de ser ligado à agência de espionagem nada teve com a sua ligação à Máfia. Ele se associou à organização, ou seja, não era agente do estado infiltrado na organização criminosa (caso fosse, teria registro no SISDE e autorização formal do diretor geral do SISDE e do ministério do Interior).

O presídio militar de Santa Maria Capua Vetere (no sul da Itália) abrigara o 007 mafioso, Bruno Contrada.

Depois das declarações de Buscetta, o 007 Contrada foi preso preventivamente em 24 de dezembro de 1992. Ficou 32 meses encarcerado segundo a Corte de Cassação, demonstrado ficou, de forma induvidosa, que Contrata iniciou relacionamento com a Cosa Nostra mediante apresentação do conde Arturo Cassina, um rico empresário do ramo da construção civil de Palermo.

O conde Arturo era ligado ao então capo-mafia Stefano Bontade. Com o assassinato de Bontade, o 007 Contrada ligou-se ao novo chefe, Totó Riina, capo dei capi da Cosa Nostra.

Durante todo o processo Contrada negou o envolvimento com a Máfia e sustentou nunca ter conhecido um mafioso na vida. Nos interrogatórios, Contrada dizia ser "um homem de Estado", numa alusão ao posto de 007 no SISDE. Ele atribuía as "acusações a "vendetta" (vingança) de criminosos por ele reprimidos no passado".


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