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CRIME ORGANIZADO. Forças Armadas e Força Nacional de Segurança no Rio de Janeiro. Demora e cautelas.

Por Wálter F Maierovitch/Rádio CBN/Justiça e Cidadania




Como gato escaldado, estou a assistir mais um cansativo capítulo da novela sobre o emprego das Forças Armadas brasileiras para garantia da lei e da ordem.

Enquanto isso, procuro acompanhar as ações dos 7 mil homens enviados pelo recém empossado presidente mexicano para combater o tráfico de drogas e armas.

Também acompanho à distância as ações dos 3.300 destacados para reprimir o cartel de Tijuana. Na guerra mexicana contra o tráfico estão sendo empregadas 29 aviões, 9 helicópteros e 28 lanchas-voadoras.

Ontem, o presidente Felipe Calderon mandou desarmar toda a polícia de Tijuana, pois suspeita ter sido ela cooptada pelo cartel de Tijuana.

Mas, sobre a novela brasileira, num capítulo levado ao ar em junho de 2000, os protagonistas foram o presidente Fernando Henrique e o MST.

O MST invadiu a fazenda do professor Fernando Henrique, então presidente, localizada na cidade mineira de Buriti. Ou seja, uma propriedade rural, particular.

A Constituição foi posta de lado e o Exército Nacional expulsou os invasores da fazenda do então presidente.

À época, o então governador Itamar Franco protestou. Itamar lembrou que o emprego das Forças Armadas só poderia ocorrer mediante intervenção federal aprovada pelo Congresso.

Diante da escalada da criminalidade organizada no Rio de Janeiro, Lula ofereceu o envio das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança Pública.

Já escaldados com o ocorrido na Rocinha, o carioca colocou o pé atrás, pois, em 2004, já havia assistido uma autêntica Batalha de Itararé, ou seja, um embate anunciado, mas que jamais ocorreu entre Exército e os traficantes que tinham tomado a Rocinha.

Pelo declarado pelo ministro Waldir Pires, as Forças Armadas não farão policiamento ostensivo nas ruas. E não atuarão na repressão direta ao crime organizado. Também as Forças Armadas não ocuparão favelas, como sucedeu na última e trágica operação de busca de fuzis furtados do Forte de Copacabana.

Os 5 mil soldados, que já servem no Rio de Janeiro, ficarão de prontidão. Isto para proteger os seus quartéis e, eventualmente, os edifícios públicos federais. Outros soldados, destacados em unidades federativas do Sudeste, não serão enviados ao Rio.



Waldir Pires frisou que as Forças Armadas participarão do gabinete de gestão integrada da segurança pública. Portanto, nada de confronto entre o Exército e o crime organizado.

Pela estabelecido na Constituição, as Forças Armadas só têm poder de polícia, para garantir a lei e a ordem, em caso de intervenção federal aprovada pelo Congresso. E intervenção federal, por meio do estado de defesa, nem o governador Cabral e nem o presidente Lula desejam.

Quanto à Força Nacional de Segurança Pública, 500 homens atuarão em bloqueio na divisa do Rio e não se sabe por quanto tempo.

Espera-se não seja uma espécie de linha Maginot, a linha de defesa que a França construiu e não conseguiu barrar a passagem alemã na 2ª.Guerra Mundial.

PANO RÁPIDO.. Até agora, o governador Sérgio Cabral agiu com acerto e com a coragem necessária para não deixar o Rio refém da criminalidade organizada.

WFM/CBN, 9 janeiro de 2007.


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