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Máfias/Dinheiro Sujo

 

MÁFIA:Condenados os mafiosos que blindaram, por 42 anos, o chefão Provenzano(foto ao lado).

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

o capo Provenzano, após a prisão.



IBGF, 17 de novembro de 2006.

OLHO.

Palermo-Sicília. Uma rede proteção integrada por 57 mafiosos davam proteção ao capo Bernardo Provenzano, apelidado de Don Binnu.

Essa rede permitiu que o chefão ficasse foragido por 42 anos: só saiu da Sicilia para ser operado da prostata em Marselha (França).

As condenações dos 57 mafiosos do "núcleo duro" do governo de Provenzano somam 300 anos.

A sentença, em processo criminal de rito abreviado, é da juíza Adriana Piras.

Provenzano foi preso em 11 de abril de 2006, está em cárecere de segurança máxima bem distante da Sicília. Por videoconferência e sem sair da cela, Provenzano é ouvido pela polícia e Justiça.

MATÉRIA.

Outro duro golpe sofreu a Cosa Nostra siciiliana. Mas, enquanto a Cosa Nostra é enfraquecida, a mafia calabresa, N´Drangheta, cresce e já é a maior organização criminosa transnacional.

. Os condenados integravam duas "famiglie mafiose", de Villabate e Bagheria.

Essas "famiglie" eram encarregadas de dar protenção ao superboss Provenzano. Cada réu condenado tinha uma tarefa específica: motorista, caseiro, guarda-costa, secretário, carteiro (Provenzano só se comunicava por bilhetes- "pizzini"- e as mensagens, que eram trocadas de mãos nas estações ferroviárias, seguiam um sofisticado esquema. Jamais usava telefone fixo, celular ou internet).

Dentre os condenados, apenas um "peixe-grande", ou seja, o "capo mandamento" (chefe regional) Benedetto Spera. Spera coordenava a região de Belmente Mezzagno e recebeu a pena de 28 anos de reclusão.

Em outros três processos, por assassinatos, tráfico internaciional de drogas e associação mafiosa, Spera encontra-se condenado à pena de prisão perpétua.

. A rede de proteção a Provenzano,-- que culminou na sua prisão em 11 de abril de 2006---, começou a ser desbaratada na Operação Grande Mandamento, conduzida por magistrados do Ministério Público, dentre eles Marzia Sabella.

Povenzano, co-réu condenado à revelia pelo assassinato do juiz Giovanni Falcone (23 de maio de 1972), sucedeu Totó Riina (conhecido por "capo-dei-capi", chefes dos chefes), preso em 15 de janeiro de 1973.

Riina foi considerado foragido em 8 de julho de 1969 e, como Provenzano, tinha uma rede de proteção e nunca tirou os pés da Sicília (morava num condomínio, em aristocrático bairro de Palermo). Riina, preso em 15 de janeiro de 1993 e condenado em vários processos à prisão perpétua, nega pertencer à Máfia (Cosa Nostra siciliana).

Retrato falado de Provenzano realizado por computadores e repassado aos policias, durante os 42 anos que esteve foragido.





RETROSPECTIVA IBGF, a partir de 11 de abril de 2006, quando ocorreu a prisão de Bernardo Provenzano.

Com a frase “Que o Senhor vos proteja”, Bernardo Provenzano, – capo dei capi da Cosa Nostra preso na semana passada –, encerrava os bilhetes datilografados enviados aos seus aliados.

Hoje, em Palermo, a frase que mais sai da boca dos mafiosos atuantes como políticos, empreiteiros, funcionários públicos, advogados, médicos, oficiais dos cartórios de Registro de Imóveis, corretores de valores é a mesma de Provenzano, só que trocam o “vi” (vós) pelo “ci” (nós): “Que o Senhor nos proteja”.

O temor tomou conta da cidade onde ocorreu o maior “processo de legalização da ilegalidade”, na feliz síntese de Umberto Santino, um dos maiores especialistas no tema Cosa Nostra.

A razão da paura chamava-se Marzia Sabella, magistrada antimáfia da Procuradoria do Ministério Público de Palermo. Na terça-feira 18, Marzia terminou de decifrar os 200 bilhetes apreendidos no refúgio de Provenzano.

Corre à boca pequena ter Marzia identificado alguns dos envolvidos na rede de proteção a Provenzano. Ou melhor, ela já teria levantado 77 nomes que ajudaram Provenzano a permanecer fora do alcance da Justiça por quase 43 anos. Isso tudo sem renunciar ao governo da Cosa Nostra e sem precisar deixar de pôr os pés na barroca palermitana Bagheria e na sua natal Corleone.

Os bilhetes revelariam, também, negócios escusos em face de obras públicas, com licitações ganhas por empreiteiras indicadas por Provenzano. O teor dos bilhetes confirma os relatos de Angelo Siino, colaborador de justiça e ex-ministro de Obras Públicas da Cosa Nostra.

Siino conta que, ao tempo do chefão Totò Riina, a distribuição das comissões indevidas recebidas pela intermediação mafiosa – e pagas pelos empreiteiros – obedecia à seguinte tabela: 20% para os políticos, 20% para os servidores públicos da panela, 0,8% para o gestor Totò Riina e o restante para o caixa da Cosa Nostra. Um caixa administrado por Pino Lipari, ministro da Fazenda da organização, a quem carecia, por exemplo e consoante Siino, comprar armas, subornar agentes penitenciários e pagar os advogados contratados para a defesa dos mafiosos presos.

Ainda segundo Siino e no que toca às Obras Públicas, com Provenzano no governo, isto depois da prisão em 1993 de Riina, tudo mudou. Provenzano não recebia os 0,8%, pois tinha o seu próprio negócio.

Além disso, Provenzano implantou na Máfia um eqüitativo processo de distribuição de renda, a compensar os “mandamentos” (territórios) dos chefes menos afortunados pela carência de obras públicas e outras fontes de exploração ilícita.

Enquanto setores de Palermo abalavam-se pelo contido nos bilhetes, a cidade de Terni (Úmbria) recebia, no seu estabelecimento prisional, o advogado Salvatore Traina.

Traina, há anos, é defensor constituído de Provenzano. Numa entrevista dada em março ao jornal La Repubblica, ele mencionou as suas equivocadas suspeitas sobre a morte de Provenzano, ocorrida há muitos anos.

Quando se descobriu que Provenzano tinha operado a próstata em um hospital de Marselha (França), Traina continuou a duvidar. Argumentou que o DNA colhido no hospital francês não tinha valor, pois a Itália não possuía elementos de cotejo.

Giovanni Falcone, morto pela máfia-23/5/92.



Na segunda-feira 17, Traina conversou com Provenzano por duas horas. Tudo foi filmado, com interlocução por microfone e um vidro blindado a separá-los. Nos dias 2 e 5 maio, pelo sistema de videoconferência e em dois processos diversos, Provenzano será ouvido pela Justiça.

No final do colóquio no cárcere de Terni e diante do corpo de policiais, ouviu-se Provenzano dizer a Traina: “Grazie, che Dio vi benedica” (Obrigado, que Deus o abençoe).

Provenzano é observado 24 horas por telecâmeras e a sua comida é preparada em cozinha exclusiva, com todos os controles e cautelas para se evitar envenenamento. De manhã, Provenzano mantém o costume de tomar apenas um copo de leite. No almoço e jantar obedece a uma dieta médica.

Provenzano pediu sem sucesso audiência ao capelão do presídio. Também não logrou de volta o seu exemplar da Bíblia Sagrada, todo marcado e do qual colheu inspiração para elaborar um código cifrado, usado nos bilhetes.

Os hábitos religiosos de Provenzano incomodam o bispo Giuseppe Costanzo. No contato com os agentes penitenciários, por exemplo, ele movimenta o braço direito e solta um Che il Signore vi Protegga.

Para o bispo, a religiosidade do boss é imatura, distorcida e beira a superstição. A esta altura, e do inferno, Tommaso Buscetta, o ex-capo dos dois mundos e inimigo da famiglia mafiosa de Corleone, deve estar gargalhando e vibrando o tridente de Lúcifer, o qual ganhou num jogo de pôquer com cartas marcadas.

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RETROSPECTIVA.

esconderijo onde preso Provenzano-11 abril 2006.








IBGF.18 de abril de 2006.

OLHO

Bernardo Provenzano fez o seu primeiro pedido à direção do presídio especial de Terni (Úmbria). Solicitou o exemplar da sua Bíblia Sagrada.

Como o exemplar pedido está apreendido ( o capo-mafia usava um código criado a partir do números dos versículos da Bíblia) e em fase de perícia, Provenzano acabou atendido apenas em parte.

Das autoridades penitenciárias, ele recebeu um exemplar novo da Bíblia, que será trocado diariamente. Na casa de refúgio (vide foto ao lado), as perícias foram encerradas.

Nas imediações do "esconderijo", a polícia continua as verificações e os juízes antimáfia, Marzia Sabella, Giuseppe Pinatore e Michele Prestipino, ainda trabalham para desvendar, com base nos 200 bilhetes apreendidos, a rede de cumprlicidade que permitiu a Provenzano permancer foragido por quase 43 anos.

MATÉRIA.

Na cela do cárcere de disciplina dura de Terni (na região da Úmbria-coração da Itália), Provenzano não tem televisão e nem rádio. Não recebe jornais e nem revistas. Ele pode pedir livros da biblioteca, cuja relação encontra-se sobre a mesa da sua cela.

Da relação, consta a Bíblia Sagrada, mas Provenzano pediu um exemplar em especial e que fora apreendido, junto com 4 outros, na casa que lhe servia de refúgio.

Como se sabe (vide matéria abaixo), Provenzano governava a Máfia por meio de pequenos bilhetes ("pezzini"), onde grafava vários números. Os peritos já descobriram que Provenzano criou um código secreto, por ele engendrado, e a partir dos números dos versículos da Bíblica e combinações com letras. Ou seja, os 200 bilhetes encontrados na casa-refúgio estão sendo desvendados. O velho e anotado exemplar não foi devolvido a Provenzano, mas ele recebeu um novo da Bíblia Sagrada, sem nenhuma anotação ou marcação. O exemplar será trocado ao menos a cada 24 horas.

Os magistrados que estão desvendando os 200 bilhetes são Marzia Sabella (juíza antimáfia), Giuseppe Pignatore e o substituto Michele Prestpino. Ontem (17 de abril de 2006) eles terminaram a elaboração de um quadro de conexões. Pretendem, dentre outras coisas, desvendar a rede de cumplicidade que dava sustentação à fuga de Provenzano. A polícia continua a realizar buscas em imóveis da região de Montagna dei Cavalli (onde fica a casa-refúgio) para verificar se encontra um posto onde poderiam estar guardados os arquivos de Provenzano ou, até um "escritório", tipo "gabinete" do "capo de i capi".

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IBGF-13 de abril de 2006.
manifestação antimáfia. Omertà é a lei do silêncio da máfia.



OLHO.

Provenzano, diariamente, lia dois dos jornais italianos de maior circulação. Recortava todas as notícias e os artigos sobre a Cosa Nostra, que eram arquivados em pastas. O capo dei capi usava "fraudão" em razão de ter perdido o controle da micção depois da operação da prostada realizada em Marselha (França). Costurado na cinta que passava em cima do "fraudão", Provenzano guardava 1.000 euros. MATÉRIA O capo Provenzano levava uma vida espartana, cheia de restrições e cuidados especiais.

A casa onde foi preso era modestíssima (veja fotos abaixo). Ele usava apenas um quarto, onde cozinhava, e banheiro. As janelas e portas eram lacradas com material que impedia a passagem da luz de dentro.

Provenzano usava um micro-ondas e a sua velha máquina de escrever era elétrica. Por coincidência o mesmo modelo da usada pelos membros das Brigadas Vermelhas para elaboração das mensagems, quando, em 1968, sequestratram e mataram o ex-premier Aldo Moro. No seu refúgio foram encontrados dois aparelhos de televisão pequenos, um deles quebrado. O boss, que não deixava o quarto, diverti-ase com a televisão e a leitura diária de dois jornais italianos de grande circulação (presume-se Corriere della Sera e La Repubblica).

Com uma espátula, Provenzano cortava e arquivava em pastas todas as notícias e os artigos sobre a Cosa Nostra.

No quarto foram encontrados 5 exemplares de bívlia e algumas imagens. O boss era muito religioso.

Os policiais descobriram ter Provenzano, com base na numeração da Bíblica, bolado um código, que era usado nos bilhetes de comunicação.

Pelas datas, o último bilhete que recebeu antes de ser preso (terça 11 de abril) foi no sábado. O bilhete é do seu filho menor, Francesco Paolo Provenzano, que mora na Alemanha com o tio paterno e estuda línguas strangeiras na Universidade. O bilhete do filho termina com um desejo ao pais:Dio ti protegga"

Nos 200 bilhetes apreendidos, percebe-se contatos do boss com empresários e informações de mafiosos sobre valores de extorsões (pizzo pago pelos comerciantes). Em muitos bilhetes fala-se em empresários que, ajudados e reconhecidos, venceram concocorrências para construções de obras públicas.

O boss mantinha, costurado num cinto, 1.000 euros. Ele usava "fraudão", pois perdeu o controle da micção depois da operação de prostata realizada em Marsellha-França (veja matéria abaixo).

Num dos bilhetes em elaboração, Provenzano acusa o recebimento de um pedido de um capo mandamento da máfia e responde: Farà intervenire il nostro amigo (farei intervir o nosso amigo).

À prisão de Provenzano seguiu-se, ontem (12 de abril de 2006) do camorrista Salvatore Terraciano, em Napoles.

Terraciano controlava o tráfico de drogas no Quartier Spagnoli. Com ele foram presas suas 4 irmãs, 1 filho e 6 "soldados". do seu clan. A prisão gerou protestos (veja foto).

A Camorra napoletana não tem a mesma formação da Cosa Nostra e nem órgão de governo (cúpula). Ela é horizontalizada, ao passo que a Cosa Nostra (máfia siciliana) é verticalizada.
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Provenzano, frente e perfil de um superboss.





IBGF-12 de abril de 2006.

OLHO.

A polícia começa a revelar as pistas que levaram ao mafiosoO supreboss deixou o cárcere de Palermo (Ucciardone) onde passou a noite e, logo cedo, foi transferido para o distante presídio especial localizado na cidade de Terni (região da Umbria). Durante toda a noite três membros do ministério público trabalharam com os 200 bilhetes apreendidos na casa onde Provenzano escondia-se, próximo de Corleone (sua terra natal), em local chamado de Montagna dei Cavalli. Nesse local, estaõ trabalhando peritos especializados em coleta de provas. Na madrugada, foram presos 3 mafiosos do grupo de suporte de intendência de Provenzano.

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MATÉRIA.

1.A esposa de Provenzano e os dois filhos moram na cidade de Corleone (cida berço da máfia e que levou ao designativo Don Corleone, no filme Poderoso Chefão).

Savéria Palazzolo, esposa de Provenzano, sempre foi muito vigiada. Chamou a atenção da polícia um utilitário de uma lavanderia estacionado na cidade, distante da casa de Saveria.

Desse veículo aproximou-se o sobrino de Provenzano e realizou a entrega de roupas de cama, banho e peças do vestuário íntimo masculino.

As peças de roupa, lavas e passadas por Savéria destinavam-se a Provenzano.

2.Localizada a casa onde escondia-se o capo-mafia, começou o trabalho da polícia que, no interior da casa, conseguiu instalar um aparelho de micro-espia.

A casa ficava próxima da cidade de Corleone, em local chamado de Montagna dei Cavalli.

Depois da prisão, entrou na casa uma equipe especial de peritos. São peritos do ERT (Esperti Ricerca Tracce), ou seja, especializados em recolher provas, em especial os detalhes.

Foram apreendidos 200 bilhetes. Num deles, Provenzano pedia "Pasta al Forno".

O boss comunicava-se apenas por meio de bilhetes (vide matéria abaixo sobre o Sistema de Circulação de Bilhetes, de modelo de Rede Ferroviária).

Foram presos 3 pessoas, no curso do dia, que davam apoio de intendência ao chefe Provenzano. Um deles era seu sobrinho.

3.Provenzano dormiu no célebre cárcere palermitano Ucciardone (que já foi controlado pela máfia). Logo cedo, deixou a Sicília.

De helicóptero foi transferido para o cárcere especial (recebe mafiosos em regime penitenciário duto) localizado na cidade de Terni.

EStá isolado e vigiado 24 horas.

No mesmo cárcere está o filho de Totó Riina,-- Giovanni Riina--.

Totó Riina, também de Corleone, antecedeu Provenzano no governo da Cosa Nostra. Foragido desde 8 de julho de 1969, acabou preso em 15 de janeiro de 1993.

4.Três procuradores do Ministério Público (dois homens e uma mulher) passaram a noite lendo os 200 bilhetes apreendidos e estabelecendo um mapa das conexões.

Por meio de bilhetes, Provenzano passava as ordens e mantinha o controle de toda as familías mafiosas sicilianas. ..............................

RETROSPECTIVA.

Matteo Messina Denaro, sucessor de Provenzano.



IBGF-11/4/2006.
OLHO.

Bernardo Provenzado foi preso numa casa de campo (chácara-sítio) próximo a entrada da cidade de Corleone. A sua única foto datava de 1959. Sua voz era desconhecida. Ao ser preso, ele negou tratar-se da pessoa procurada, mas o exame de DNA confirmou sua identidade. Ele integrava a cúpula mafiosa que decidiu pelas execuções dos juízes Giovanni Falcone e Paolo Borselino. Conhecido pelo apelido de "contador" ele tinha o papel de fazer contato com os políticos italianos.

MATÉRIA.

Bernardo Provenzano, 73 anos de idade, sucedeu Totó Riina (Salvatore Riina), que permaneceu foragido desde 8 de julho de 1969 e acabou preso em 15 de janeiro de 1993.

Com a prisão do sanguinário Riina, apelidado de a Besta, passou Provenzano a reger a Cosa Nostra siciliana.

Ao contrário de Riina, que decretou guerra ao Estado, Provenzano era concliador e fez a organização submergir, fingir-se de morta, depois da prisão de Riina. Provenzano tem várias condenações à pena prisão perpétua. Foi considerado um dos mandantes das tragédias de Capaci e Via d´Amelio, onde os juízes Giovanni falcone e Paolo Borselino foram mortos em face de ataques com explosivos.

O superboss não falava ao telefone e nem usava computador. Criou um sistema de comunicações por bilhetes, que passavam por muitas mãos e lugares diferentes antes de chegar ao destinatário: o sistema era conhecido como Rede Ferroviária (alusão ao trem que parava em vários estações e mudava de passageiros).

Quando da prisão, Provenzano tinha o bolso cheio de bilhetes (pezzini). Ele chamou os policiais mascarados de "bastardos" e, no Distrito Policial (Questura) falou-se que fora preso em razão de investigações (a pista foi um dos bilhetes) e não de delação de companheiro mafioso.

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RETROSPECTIVA.

COMENTÁRIO por radio.
-11/4/2006.

. Bernardo Provenzano, o chefão da potente Cosa Nostra, acaba de ser preso num sítio, localizado na entrada da cidade de Corleone.

Ele estava foragido há 42 anos. Isso sem tirar os pés da Sicília e sem deixar a cúpula de governo da Máfia.

Condenado em 5 processos às penas de prisão perpétua, Provenzano foi um dos mandantes dos assassinatos com emprego de bombas dos juízes Giovanni Falcone e Paolo Borselino.

Provenzano sucedeu o sanguinário Totó Riina, “capo dei capi”.

A esposa de Provenzano mora em Corleone com o filho. Seu irmão mora há mais 30 anos na Alemanha e sobre ele pesa a suspeita de lavar dinheiro para o irmão Provenzano.

Ao ser preso, Provenzano falou que a polícia estava enganada. Sua única foto era virtual, feita por um programa de envelhecimento a partir de uma foto tirada em 1959, quando tinha 26 anos. O exame de DNA confirmou tratar-se de Provenzano.

A prisão de Provenzano, que está com 73 anos de idade, encerra a fase da máfia dos grandes chefes. Provenzano não falava ao telefone, não usava computador e nem internet. Comunicava-se por meio de pequenos bilhetes (pezzini), que passavam por muitas mãos.

A polícia especial antimáfia chegou a Provenzano por meio de um desses bilhetes e não por “traição” de mafioso arrependido. Como a tendência pós Provenzano, é a autonia das “famiglie” (células criminosas), a seguir o mesmo modelo dos cartelitos colombianos. Enquanto a Itália anuncia com júbilo a prisão de um grande mafioso, os nossos brasileiros, de espírito e fé mafiosa, continuam longes das grades, como Delúbio, Marcos Valério e outros da mesma caterva.
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IBGF,4 de maio de 2006.

Quarto de Provenzano, no seu último esconderijo.







OLHO

Enquanto o ex-chefão da Cosa Nostra, Bernardo Provenzano, participava, --do cárcere de Terni (Úmbria) e por videoconferência--, da primeira audiência judicial do chamado processo Trash (fraudes em licitações e execucuções de obras públicas, sob comando mafioso), --que tramita em Palermo (Sicília)--, a Squadra Mobile Antimafia predia o seu secretário particular.

O tal secretário, já anteriormente condenado e preso por associação mafiosa, era nos bilhetes identificado pelo número 123.

Trata-se de Carmelo Garifo, de 47 anos e sobrinho de Provenzano. MATÉRIA

1. Carmelo Gariffo era uma espécie de chefe-de-gabinete de Bernardo Provenzano, o capo-dei-capi (chefe dos chefes) da Cosa Nostra.

Dentre as suas tarefas estava a de se comunicar com o médico que tratava de Provenzano, que, apesar da operação de prostata realizada em Marselha durante o longo período que ficou foragido (quase 43 anos), continua a precisar de cuidados especiais.. Gariffo morava em Corleone e teve a prisão preventiva decretada. Acabou preso nesta quinta feira (4 de maio de 2006). No seu pequeno escritório mantinha um computador, apreendido e com o disco-rígido já enviado à perícia. Vários bilhetes,--escritos na máquina de Provenzano, foram encontrados e apreendidos. Servem para confirmar, entre outras coisas, que Gariffo era o identificado pelo número 123. E o 123 era tratado, por Provenzano, como um secretário particular.

Gariffo era o único a receber e a encaminhar bilhetes a Provenzano. Tudo era centralizado no seu escritório.

Os magistrados do Ministério Público têm uma outra pessoa a identificar e, também, referida por número. Trata-se do médico que visitava e cuidava de Provenzano. Até agora não se sabe quem é o médico, mas com os novos documentos, apreendidos no escritório de Gariffo, se poderá ser identificado nas próximas horas. Quando preso, Provenzano tinha consigo muitos remédios, a maioria com compra condicionada á apresentação de receita médica. A maior parte dos remédios, no entanto, eram "amostras grátis". Essas amostras grátis era fornecidas, evidentemente, por médicos. Gariffo não era um velho secretário do super-boss, pois, até poucos meses atrás, estava preso, descontando pena por associação mafiosa. Depois de cumprir a pena, Garrifo tinha desaparecido. Acabou encontrado com base em investigações realizadas no local de refúgio de Provenzano, que era próximo da entrada da cidade de Corleone (Monte dei Cavalli).

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2.No Palácio da Justiça de Palermo teve início (4 maio de 2006) a audiência do chamado processo Trash. Provenzano dela participou por videoconferência, isso da prisão de Terni (Úmbria).

Sua voz cansada e fraca foi ouvida e sua imagem transmitida na sala de audiências de Palermo. O boss declinou o seu nome e disse o nome do seu advogado, ou seja, de Francesco Marasà, contratado depois da prisão.

O advogado Marasà requereu a suspensão da audiência para se inteirar da acusação. O pedido foi negado pelo magistrado, pois, desde 18 de abril, uma petição de juntada de procuração,-- com a sua constituição--, estava nos autos do processo. Ou seja, ele tinha tido tempo e os autos a disposição para consulta desde 18 de abril (Provenzado fora preso em 11 de junho). ..............................
RETROSPECTIVA

O dono da chácara onde Provenzano se escondia.







IBGF, janeiro de 2006.

Comentário de Wálter Fanganiello Maierovitch, para o Portal do Jornal Terra, em janeiro de 2006.

Mais uma vez, a máfia mostrou a sua força e as autoridades pagaram o mico.

Bernardo Provenzano, o chefe-dos-chefes da secular máfia, encontra-se foragido desde 8 de setembro de 1963, ou seja, há mais de 41 anos. Isso sem deixar de morar na Sicília. Provenzano está condenado è pena de prisão perpétua, em vários processos. A única fotografia que a polícia antimáfia possui dele é de 1959, quando tinha 26 anos de idade. Agora, Provenzano está com 72 anos. A polícia antimáfia trabalha com uma sua fotografia virtual. Uma imagem obtida por programa de computador, que envelhece as pessoas, a partir de uma fotografia conhecida. A voz de Provenzano não é conhecida pelas autoridades. Ele não usa telefone e nem utiliza recursos tecnológicos modernos, como celular, computador, internet, etc.

Graças ao relato por chefe mafioso “arrependido”, os procuradores antimáfia souberam que a voz de Provenzado apareceria circunstancialmente numa interceptação telefônica policial realizada em 1995. A fita gravada fazia parte do famoso processo conhecido por Pizza Conection. Aquele sobre tráfico de drogas e lavagem de dinheiro ocorridos na Itália e nos EUA. Nessa gravação, um dos interlocutores, chamado pelo apelido de Binnu, seria Provenzado. Os procuradores desarquivaram o processo e ficaram perplexos: a fita gravada tinha desaparecido. À época, o tal Binnu não fora identificado e se livrou do processo. Provenzado se comunica com os chefes regionais da máfia por meio de pequenos bilhetes (pizzini). Esses bilhetes são em parte cifrados e cheios de expressões elevadas. Por exemplo, que Deus o proteja. Não faça mal ao próximo. Tenha compaixão, etc.

A circulação desses bilhetes, conforme revelado pelo magistrados antimáfia, segue o modelo de uma rede ferroviária, com muitas paradas e trocas em diferentes estações. O percurso de chegada e eventual retorno é estimado em 15 dias.

Neste mês, o procurador antimáfia da Sicília saiu numa operação ultra-secreta de caça a Provenzano. A operação reuniu as polícias da França e da Itália. E as autoridades chegaram a Marselha (França), mas Provenzano não foi preso.

Em Marselha, Provenzano tinha operado a próstata e lá permanecera por 19 dias. Só que isso tinha ocorrido em outubro de 2003.

O procurador antimáfia da Sicília e os policiais chegaram atrasados 1 ano e 8 meses. Agora, querem ouvir os médicos e as enfermeiras que atenderam Provenzano. Isso para atualizarem o retrato de Provenzano, que é de 1959.

Como se pode notar, a máfia e o Estado imprimem velocidades diferentes.

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