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MORRE RIINA o capo dei capi da Cosa Nostra siciliana

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 18 de novembro de 2017

Salvatore Totó Riina foi o mais sanguinário de todos os chefes da secular Cosa Nostra siciliana.


Depois de 24 anos preso em regime penitenciário reservado a mafiosos perigosos, faleceu, -- no dia 17 de novembro passado (2017), em decorrência de câncer. Chegou a passar cinco dias em coma, internado no hospital Maggiore, da cidade de Parma.


Salvatore Totó Riina


Riina, aplidado de “La Belva umana” (a Besta humana) deverá ser enterrado na segunda feira, 20 de novembro, pois passará, -- por cautela e se tratar do ‘capo de capi’--, por autópsia, a atender a pedido do procurador Antonio Rústico. Não está autorizado velório para evitar, -- como aconteceu na Colômbia com Pablo Escobar--, manifestações contrárias à ordem pública.


Riina leva para o túmulo muitos segredos. O da suspeita de tratativa Estado-Mafia e que gerou o fim da “guerra” declarada contra o Estado nacional, com ataques a Roma, Florença e Milão. De lembrar, ainda, ter sido declarado foragido em 8 de julho de 1969 e preso apenas em 15 de janeiro de 1993, depois das mortes dos magistrados Giovanni Falcone e Paolo Borsellino, por ele determinadas. Nesses mais de vinte anos de fuga, Riina não tirou os pés da Sicília e nunca deixou de comandar a Cosa Nostra. O antigo sistema de a Cosa Nostra ser governada por um órgão de cúpula foi modificado por Riina, declarado o “chefe dos chefes”.


Poucos meses antes de falecer Riina pediu, em razão do avanço inexorável do câncer produtor de metástases, para ser removido a prisão domiciliar em Corleone, residência da sua mulher e de uma filha solteira: Coreleone é a cidade siciliana que mais forneceu “chefões mafiosos”: Luciano Liggio, Bernardo Provenzano e Salvatore Riina, apelidado Totó, “o curto” (pela sua baixa estatura). O pedido de domiciliar restou indeferido,pela periculosidade de Riina, que, na mesma ocasião do pedido, deu ordem, -- interceptada no presídio--, para matar um magistrado do “pool” antimafia de Palermo.


Nascido em 16 de novembro de 1930, Riina, aos 15 anos de idade, virou um matador e ingressou no grupo de Liggio, chefe de um grupo de escolta de um dono de latifúndio. Riina teve quatro filhos: dois homens e duas mulheres. Um deles, o mais velho, está preso por homicídio. O outro, que leva o nome do pai, cumpriu 8 anos de prisão fechada por associação à Máfia.


Riina, como foragido, casou na Igreja com NInetta Bagarella, irmã do “general do exército” da Cosa Nostra guiada por Riina e condenado à prisão perpétua. Os seus filhos, -- sempre com Riina foragido, nasceram na melhor maternidade de Palermo, com a parturiente com nome falso. Todos foram registrados e a polícia, só depois de anos, veio a saber dos nascimentos e registros civis regulares.


A mãe de uma das vítimas fatais do ataque mafioso ocorrido em Florença, disse ao jornal La Repubblica: “ que Deus se apiede dele, pois nós nunca conseguiremos o perdoar”.


--WFM-


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