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TERROR EM BERLIM

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 21 de dezembro de 2016.

TERROR EM BERLIM


Caminhão-TIR- arremessado contra civis em local que abrigava um mercadinho de Natal, com bancas diversas.


--1. Quando a Al Qaeda começou a perder força e Bin Laden teve de rumar para esconderijo seguro, sobrou-lhe um átimo de tempo para, via cyberterror, recomendar aos jihadistas o “faça você mesmo a sua parte”.


Bin Laden deixava claro referir-se apenas às ações terroristas praticáveis sem o seu “nihl obstat”. Sua meta era difundir o terror pelo planeta, sem fixar, num primeiro momento, a Al Qaeda em território onde pudesse proclamar como seu califado.


O terrorista Bin Laden permaneceu longo tempo no Afeganistão e lutou com o apoio da CIA (agência norte-americana de inteligência) para expulsar os soviéticos. Manteve-se pelo Afeganistão (estava proibido de voltar à Arábia Saudita, sua terra natal) enquanto o país esteve sob domínio dos talebans: o seu sogro, -- o já falecido Abu Omar--, controlava esse país. Pós 11 de setembro deve, diante da dura reação norte-americana, de correr do Afeganistão.


Palpites sobre a organização alquaedista, ou a respeito de religião, Bin Laden jamais admitiu. Fora do seu controle, só o ‘faça você a sua parte na jihad’. Isto a guerrear para liquidar com a cultura do Ocidente.


Isolado no seu esconderijo, Bin Laden morreu frustrado por não ter tido tempo para controlar um território a fim de transformá-lo no sonhado califado.


A estratégia de Al Bagdadi, o chefão do Isis, foi oposta a de Bin Laden, ambos sunitas fundamentalistas. Al Bagdadi deixou o terrorismo internacional de lado e cuidou de se estabelecer num enorme espaço geográfico no Iraque e na Síria. Aí, se autoproclamou califa. Enquanto não foi atacado, não praticou terrorismo fora das áreas sob seu controle.


No ataque terrorismo ocorrido em Berlim na última segunda-feira (19 de dezembro), o Isis assumiu a autoria e a responsabilidade pelas 12 mortes e pelos 48 feridos: dos mortos, seis são cidadão alemãos.


O caminhão gigante de 40 toneladas de peso e que invadiu o tradicional “mercadinho de Natal” tinha placa polonesa. Era do tipo Tir (Transports Internationaux Routiers) e o seu motorista registrado era polaco. O motorista poloco, e já é certo, restou surpreendido e imobilizado na cabine do caminhão: foi esfaqueado e baleado ao tentar resistir quando percebeu que o caminhão, em velocidade, iria ser lançado contra as pessoas que estavam a fazer compras de Natal.


Até atingir o alvo, o terrorista condutor do Tir respeitou o sinal mostrado em 8 semáforas da avenida por onde trafegou. Assim, não provocou suspeita em agentes da polícia de trânsito.


chanceler Angela Merkel, alvo da ultradireita.


---2. Para os 007 europeus e parte dos agente da inteligência alemã, o terrorista que conduzia o Tir agiu na base da regra de Bin Laden do “faça você mesmo a sua parte na jihad”. Ainda não se sabe se atuou de forma escoteira ou se montou um pequeno grupo de fanáticos.


Certamente, o condutor do Tir inspirou-se no ato terrorista ocorrido em Nice, em 14 de julho deste ano de 2016: mais de 90 mortes. Logo depois da tragédia, a polícia alemã suspeitou mas já liberou um paquistanês: o apressado paquistanês acabou detido quando estava a caminho de um campo de abrigo de 2.300 refugiados.


Como se percebe, o terrorismo não precisa de armas de fogo para consumar tragédias. E desenvolvem ações eversivas voltadas a golpear o dia-a-dia dos cidadãos, ou melhor, a difundir o medo pela quebra da vida cotidiana.


O oportunismo do Isis ao encampar o ato terrorista de Berlim parece claro aos agentes de inteligência. O comunicado do Isis não dá o nome do terrorista. Usa a etiqueta de sempre e que cabe em qualquer ato terrorista: “ato praticado contra os cruzados da coalisão”.


A agência Amaq operada pelo Isis silenciou por mais de 24 horas, fato incomum. A mensagem por ela enviada por twiter é seca e não explica, --- como é hábito desde o tempo do marqueteiro Al Adnani e agora de Al Faransini--- a razão de não ter ocorrido, por parte do terrorista—o chamado martírio.


Como é regra, um mujaredin do Isis se mata após a ação. Um simbolismo dado como martírio. No caso, o motorista-terrorista fugiu.


o principal suspeito já cumpriu pena na ITália


--3. Outro fato lamentável tem a ver com a reação da direita radical britânica e francesa. Nigel Farrage, já líder da frente anti União Européia e do Ukip, fala em herança deixada por Merkel.


A francesa Le Pen frisou: “o terrorista é um migrante e a culpa é de Merkel”. E na Alemanha, a neonazista Frauke Petry, líder do AFD ( Alemães x Imigrantes), disparou: “Merkel mentiu sobre a segurança na Alemanha.


A direita xenófoba européia aproveita o triste momento para criticar a política humanitária de abertura da Alemanha a refugiados.


Merkel percebe a mudança do cenário eleitoral. Lógico, ela não está mais forte como na véspera do ataque terrorista. No momento, o clima social e político é tenso. Espera-se a prisão do suspeito da vez: um tunisiano, cujo documento de identidade foi encontrado no interior da cabina do Tir-assassino. Referido tunisiano já esteve preso e cumpriu pena em Palermo (Sicília-Itália)



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