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Morre Provenzano, antigo chefe dos chefes da Cosa Nostra

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 13 de julho de 2016.


Bernardo Provenzano



---1. O “chefe dos chefes” (capo dei capi) da potente e secular Cosa Nostra siciliana morreu aos 83 anos com poucos intervalos de lucidez. Assim mesmo, não conseguiu sair do sistema de cárcere duro, do artigo 28, bis, do Código Penitenciário italiano. Esclerose senil para uns. Para outros, desde que sofreu, há cerca de um ano, uma queda na cela perdeu a lucidez. Desde que foi preso, em 11 de abril de 2006, não colaborou com a Justiça e leva para o túmulo o segredo a respeito de uma espúria “tratativa” entre Máfia-Estado, para colocar fim à guerra sangrenta guerra declarada pela Cosa Nostra contra o Estado-italiano.


O seu recorde dificlmente será batido, embora tente alcançá-lo Matteo Messina Denaro. Provenzano permaneceu foragido 43 anos, com os pés na Sicília ocidental (tirou os pés uma única vez para tratar de um câncer de próstata em Marselha) e sem deixar a cúpula de governo da Cosa Nostra, que dividia com Totó Riina.


Provenzano, depois de um período de violência quando os corleoneses (nascidos em Corleone) buscaram chegar ao órgão de cúpula e dominar a Cosa Nostra siciliana, virou o cérebro da organização, o conciliador. Riina permaneceu sanguinário, a besta-fera.


Como se dizia no interior da Cosa Nostra, o lema de Provenzano era “pouco sangue e muito dinheiro”.


---2. Se fosse entrevistado na rádio CBN, no programa “50 mais”, da diretora Mariza Tavares, Provenzano teria muito a contar sobre a sua boa saúde. Chamado de don Binnu falaria em vida frugal. Alimentação à base de cicória e queijo. Caminhadas longas e atividade mental intensa.


Com base nas linhas e estações ferroviárias, Provenzano criou um sistema, -- só descoberto pela polícia quando foi preso numa “masseria” de um pequeno produtor de queijo --, de entrega de ordens e recados. Ele codificava os bilhetes pelos números dos versículos bíblicos e salmos. Os bilhetes eram entregues nas estações. Em cada estação havia um recebedor. Com o bilhete, tomava outro trem para entregá-lo em outra estação e para um desconhecido. Em síntese, os bilhetes passavam por mãos diversas em mais de três diferentes estações ferroviárias.


Esse engenhoso sistema recebeu o nome de “via dei pizzini”, o caminho dos pequenos papéis, todos datilografados por Provenzado.


--3. Provenzano mantinha a contabilidade do “pizzo”, ou seja, dos pagamentos mensais das “taxas de proteção” mafiosa aos comerciantes e industriais. O capomafia controlava as concorrências públicas e estabeleceu correlações com os empresários e os políticos. Numa dessas, foi preso o governador da Sicília, Totó Cufaro, por associação externa à Cosa Nostra sicialiano. Cuffaro cumpriu cerca de 5 anos em prisão fechada.


---4. Provenzano não concordava mas acabou por avalizar, entre 92 e 93, a declaração de guerra que a Máfia, por projeto de Totó Riina, fez contra o Estado italiano.


Foram ataques à bomba executados com sucesso em Roma, Milão e Florença. E a Cosa Nostra dinamitou os magistrados antimáfia Giovanni Falcone e Paolo Borsellino, em maio e julho de 1992.


Uma mega-explosão estava preparada para a partida Roma-Lazio, com mais de 60 mil pessoas no estádio Olímpico. Por uma falha no aparelho de acionamento o atentado falhou. Seria mais uma grande tragédia.


---5. Até hoje a polícia italiana conseguiu sequestrar pequena parte da fortuna de Provenzano. Ou melhor, só logrou sequestrar o que ele reciclava em empresa de plano de saúde privado. O seu testa de ferro era Michelle Aiello, conhecida como o “rei” da saúde privada da Itália. Os dois filhos de Provenzano, hoje com 40 e 35 anos, estudaram e se formaram em universidades dos EUA e Alemanha. Foram mantidos longe da Cosa Nostra e do ambiente mafioso. O que vive nos EUA trabalhou com turismo e promoveu excursões a Carleone, onde nasceram os maiores chefões mafiosos. Corleone, nome em dialeto a significar a terra dos leões, dos bravos.


Por determinação da Justiça, só podem participar do velório e do enterro os familiares.
Wálter Fanganiello Maierovitch


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