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O narcoboss que queimou o filme.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 22 de janeiro de 2016.

El Chapo Registro 3578 no cárcere de segurança máxima.



A recente recaptura do narcoboss mexicano Joaquin Guzmàn Loera, apelidado El Chapo e nascido em 25 de dezembro de 1958, não irá mudar em nada a oferta de drogas ilegais (cocaína, heroína, maconha e metanfetaminas) feita pelos transnacionais cartéis do México, um negócio a movimentar anualmente cerca de US$20 bilhões e, segundo o jornal Washington Post, com apreensões policiais incapazes de ultrapassar a 1% do colocado no mercado consumidor. Por outro lado e no tocante à força armada dos sete grandes cartéis mexicanos, nem o projeto do presidente Obama deverá impedir a compra que realizam de armas e munições em território norteamericano.


Nesse cenário, e depois de terminado em 1989 o reinado de Miguel Angél Félix Gallardo, fundador do cartel de Guadalajara e parceiro do cartel colombiano de Medellín de Pablo Escobar, surgiu o seu discípulo El Chapo., narcoboss do cartel de Sinaloa, também conhecido por cartel do Pacífico, apontado, pela revista Forbes em edição de 2009, como o 41º.homem mais rico do planeta. Para se ter idéia, e consoante a conhecida DEA, o chefão do cartel de Sinaloa controlou o mercado de heroína de Nova York e monopolizou a oferta e venda de drogas em 1.286 municípios do EUA.


Como o vaidoso El Chapo tem o que contar e restou empolgado com o sucesso de séries televisivas como ‘Narcos’, --- a levar o ator Wagner Moura a concorrer ao prêmio O Globo de Ouro---, e ‘ Escobar, el Patrón del Mal’, da rádio e televisão colombiana Caracol e a estrela Andrés Parras no papel principal, descuidou-se da segurança.


El Chapo, Sean Penn e Kate Del Castillo



Com o apoio do filho e delfim Alfredo Gusmàn e, por intermédio da bela atriz Kate Del Castillo, de enorme sucesso em novela mexicana no papel de chefe de cartel, El Chapo saiu em busca de parceiros. Assim, ele despertou o interesse do ator americano Sean Peen que legitimamente o entrevistou no esconderijo de Los Mochis (Sinaloa) para a revista Rolling Stones e se inteirou a respeito da almejada produção cinematográfica.


El Chapo entrou na alça de mira da DEA nos anos 90 quando as autoridades melhoraram a cooperação internacional e reforçaram a vigilância na linha de fronteira entre a mexicana cidade de Tijuana e a americana de San Diego. Num primeiro momento, acreditou-se no sucesso da fiscalização, mas, em 93, descobriu-se ter El Chapo cavado e usado um túnel de 443 de extensão para passar a droga entre Tijuana e San Diego. Preso na Guatemala em 93 e extraditado, logrou fugir rocambolescamente, em 2001, do cárcere de segurança máxima Puente Grande da cidade de Jalisco e num em um furgão da lavanderia contratada pelo presídio.


Fora dos presídios ganhou fama de “segundo presidente” do México e ficou comprovada a sua ligação, para compra de cocaína, com Martin Leonel Perez Castro, apelidado “El Rey Minas”, chefe da 30ª.Frente das FARC- Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Na Itália, o cartel de Sinaloa fornecia drogas à poderosa ‘NDrangheta da Calábria, em neócios com as “famiglie” Mole, Mancuso, Piromalli, Pesce, Acquino Bárbaro, Sergi, Nirta Strangio, Pelle e Vottari. Dessa maneira, o cartel de Sinaloa chegou à Europa e, logo a seguir, conquistou mercados na Austrália e Ásia.


Em plena “guerra às drogas” decorrente do Plan Mérida e resultante de fracassada parceria entre Goerge W.Bush e o presidente mexicano Felipe Calderon, o chefão do cartel de Sinaloa só foi incomodado pela emitente norteamericana National Public e pelo bispo Hector Gonzáles Martinez, de Durango. A rádio mencionou, em 2010, a suspeita de El Chapo ser favorecido por Calderon e ser considerado em Sinaloa como um segundo presidente do México. Logo a seguir, o clérigo denunciou a presença de El Chapo na zona do bispado, sem incômodos e aparições públicas cotidianas.


Na guerra com o cartel de Tijuana dos irmãos Arellano Féliz, o caponarco El Chapo contou com a sorte e de a pressão das agências norteamericanas priorizarem o rival. Ele circulava com um carro igual até na cor do utilizado a serviço do cardeal Juan Jesus Posada Ocampo. Os membros do cartel de Tiajuana enganaram-se e assassinaram o cardel Ocampo, depois canonizado pela Igreja.


O novo presidente Enrique Peña Nieto mudou a estratégia do seu desmoralizado antecessor Calderon e apostou nas ações de inteligência. El Chapo acabou preso em fevereiro de 2014 e, por meio de um túnel de 1,5km, saído do banheiro da cela e sempre usada a tecnologia apreendida na Alemanha, fugiu em 11 de julho de 2015.


O serviço de inteligência da Marinha aproveitou das agitações de El Chapo voltadas ao projeto cinematográfico. Então, o seu esconderijo foi localizado em 7 de janeiro passado. Houve tiroteio com cinco narcos mortos e outros cinco rendidos. El Chapo, durante o tiroteio, percorreu o túnel de fuga mandado cavar e de 3 km. Ao sair pela boca de um bueiro de rua, foi avistado e preso.


O processo de extradição de El Chapo para os EUA já teve início.


Diante da força de cartéis colombianos de Medellín e Cali, ao tempo de Escobar e dos Orejuela, a Constituição passou a permitir extradição de nacionais em caso de narcotráfico internacional. O mesmo fez o México. Como o processo deverá ser concluído em seis meses, El Chapo já deve estar a pensar em fuga. Só que desta vez, embora preso no presídio do Altiplano de onde fugiu em 2015, a sua cela tem paredes de aço e telecâmeras até no banheiro.


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