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Camorra, pizza e futebol. Operação em Roma

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 23 de janeiro de 2014.






Mais uma vez na nossa cara, ---e pela milésima vez escrevo e friso---, a prova sobre a necessidade de se atacar a economia movimentada pela criminalidade organizada. No último discurso do governador paulista Alckmin, ouviu-se a promessa de que atacaria o bolso do PCC, num discurso para microfones e holofotes. Pelo jeito, nem o escândalo do metrô o inspira a atuar de maneira competente.



Por evidente, com dinheiro proveniente dos ilícitos e reciclado em atividades formalmente lícitas, as associações delinquenciais de modelo especial expande-se, ganham força corruptora, infiltram-se no poder, influenciam em eleições e, de quebra, promovem, no comércio e na indústria, concorrência desleal a afetar os atuantes na legalidade.



Hoje, os italianos aplaudem o sucesso da operação que desmontou uma rede de 28 pizzarias no coração de Roma, como, por exemplo, as estabelecidas próximas do magnífico Panthenon e da pizza de Spagna, onde o gênio de Bernini, em 1629, entregou à Cidade eterna a “Fontana della Barcaccia”, algo inacreditável e única no mundo.



Parêntese: brasileiros reclamam da pizza servida em Roma. Eu também reclamaria do acarajé servido em Porto Alegre. Afinal, a pizza é a napolitana e o acarajé é o baiano. Como ensinam os partenopeos, é a água de Napoli que faz a pizza de lá ser insuperável e, talvez por isso, na cidade campana de Pompéia instalou-se a escola de formação de pizzaiolos.



Ainda no parêntese, virou charme paulistano colocar nas paredes das pizzaria o anúncio do “gemellagio” com associações napolitanas. Mas, do “gemellagio” não consta o envio de água napolitana para elaboração da massa das redondas: pura jogada marqueteira e que pesa na conta, certamente. Ainda bem que na pizzaria que frequento, a Margherita (é do velho amigo Antonio Carlos, o popular Esquerda, pois jogava muita bola e tudo com a canhota), não existe a tal parceria. Fechado parêntes.



O desfalque patrimonial decorrente da operação anticamorra de ontem foi de 250 milhões de euros. Além das apreensões, foram presas 90 pessoas envolvidas. Lógico, não faltou o chefão do clã camorrista: Edoardo Contini.



E um “furbo” (espertalhão) da indústria têxtil e que enviava os seus lucros para multiplicação no negócio camorrista, Giuseppe Cristarelli, 43 anos, suicidou-se: ao perceber a chegada da polícia na sua casa: informado que estava e do motivo da prisão, Giuseppe Cristarelli pediu licença para fechar a janela. Então, pulou para o suicídio e do quarto andar do seu luxuoso apartamento da via Banti, no prestigiado bairro Fleming.



O clã dos Contini, potenstíssimo em Napoli e com um dos capi, Edoardo Contini, estabelecido em Roma para gerenciar o sistema de lavagem, atuava, também, em parceria com vários donos de pizzarias romanas famosas.. E os irmãos Righi, Salvatore, Antonio e Luigi, se deram mal nessa. Eles operam, em Roma, a rede de pizzarias Zio Ciro (tio Ciro).



O procurador antimáfia de Roma, Giuseppe Pignatone (no passado, um desafeto do magistrado Giovanni Falcone ) comandou a operação: ocorresse no Brasil, voltaria a história de o Ministério Público não poder investigar.



Pignatone, preventivamente, fechou restaurantes famosos no centro de Roma e, pelas apurações, ligados ao clã camorrista dos Contini: “Pummarola e Drink”, “Zio Ciro”, “Frijenno Magnanno”, le catene “Pizza Ciro” e “Sugo”, “Il Pizzicotto”.



Não ficou fora uma conhecida sorveteria: gelateria “Ciuccula”.



Além de imóveis sequestrados, foram bloqueadas contas bancárias, incluídas as de testas de ferro.



A operação contou com a participação da Procuradoria Nacional Antimáfia e da Direção Distritual Antimáfia de Napoli (Dda di Napoli).



Em coletiva, os agentes da napolitana Dda ressaltaram que o “império camorrista dos Contini” investe no futebol.



-Wálter Fanganiello Maierovitch--


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