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O encontro e a Teologia da Libertação na pauta

Por Wálter F Maierovitch/Rádio CBN/Justiça e Cidadania

IBGF, 25 de março de 2013.


O encontro em Castel Gandolfo- foto: Observatório Romano.



Diante do inusitado, os vaticanistas passaram o final de semana a especular sobre o diálogo havido em Castel Gandolfo entre o papa emérito Ratzinger e Bergoglio, que se apresenta como bispo de Roma.



Não que Bergoglio abdique do título papal. É que ele não quer, pelos demais credos religiosos, em especial entre cristãos ortodoxos e anglicanos, apresentar-se como “Vigário de Cristo na Terra”, ou seja, o único e exclusivo representante de Cristo. E também não quer nem lembrar do estabelecido no Concílio Vaticano I, de 1869. O Concílio que estabeleceu, -- em questões de fé--, a infalibilidade do papa. Com efeito, como “Bispo de Roma”, da primeira igreja, coloca-se como um pastor cristão entre irmãos. Essa sua colocação sensibilizou o patriarca ortodoxo, presente, pela primeira vez, na “missa de posse” de um papa.



Para os vaticanistas, não se tratou em Catel Gandolfo apenas de uma visita de cortesia. . . , mas de um acerto quanto ao futuro modus vivendi. Isso porque, Ratzinger, ---ao renunciar---, deixou claro que não iria, -- como ensina a sabedoria popular lusitana--, passar de cavalo a burro. Ou melhor, ser rebaixado a cardeal e voltar à cor púrpura.



Ratzinger inventou, ---com parecer de assessoria técnica para a Constituição, o Código Canônino e fontes intrepretativas---, o título de papa-emérito. E até preparou um “puxadinho de luxo”, ou melhor, ele mandou reformar um convento para se instalar. , Tudo a pretexto de não querer ficar longe de São Pedro ( apego terreno, pois, segundo os ensinamentos dos papas, Pedro está no céus, depós de crucificado de cabeça-para-baixo: martírio). E Ratzinger vai se estabelecer atrás do palácio Apostólico onde reside Bergóglio. , E isso tinha sido feito sem consulta ao agora soberano Francisco.



No momento, Bergoglio está de olho, no palácio Apostólico num pequeno aposento que foi adaptado para o monsenhor Gorg, então secretário particular de Ratzinger .



No diálogo não se tratou do Vatileaks. E também não se falou sobre a limpeza na Cúria. Para a limpeza, um triunvirato de cardeais será nomeado por Francisco depois da Páscoa.



Para muitos vaticanistas, na reunião de Castel Gandolfo, foi tocado no tema da Teologia da Libertação. Uma teologia que Ratzinger tentou extinguir e que nasceu em 1973 de um ensaio escrito pelo teólogo peruano Gustavo Gutiérrez.



Segundo alguns teólogos, com Ratzinger à frente, a Teologia da Libertação transforma a “caridade cristã” em “luta de classes”. E o sacerdote de Cristo transmuda-se em guerrilheiro comunista.



Esse tema, teria sido colocado para lembrar de que, ---no Consistório de 2001--, Bergoglio só virou cardeal depois de Ratzinger ter avalizado, junto ao papa Wojtyla, que ele reprovava a Teologia da Libertação.



Bom. . . como tudo é especulação, melhor ficar com o certo. E o seguro é que Bergóglio conquistou os fiéis, os não crentes e os de outras religiões. Ele é pluralista, humilde, simples e misericordioso. Para usar uma linguagem futebolística de geral--, Bergoglio matou Ratzinger logo de saída.

Wálter Fanganiello Maierovitch

link: http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/walter-maierovitch/2013/03/25/PAPA-FRANCISCO-CONQUISTOU-FIEIS-NAO-CRENTES-E-PESSOAS-DE-OUTRAS-RELIGIOES.htm


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