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Pós eleição, Itália busca caminhos que levem à governabilidade

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 27 de março de 2013.






Pós eleição, Itália na busca um caminho Na busca da governabilidade, o Partido Democrático (PD-centro-esquerda) percebeu que a maioria dos italianos refutou, democraticamente, a política europeísta, --recessiva e não geradora de crescimento -- do governo técnico do premier Mario Monti.



Não foi difícil perceber isso. Bastou atentar para a soma dos votos dos partidos que, na campanha eleitoral, criticaram fortemente à política econômica-financeira do primeiro-ministro Monti. Aliás, um governo técnico estribado na linha imposta, para os países da zona do euro, por Angela Merkel. Os opositores de maior destaque foram Silvio Berlusconi (PDL-Popolo della Liberta) e Beppe Grillo, do movimento 5 Stelle (5 Estrelas). Quanto à Berlusconi, ele apoiou Monti quando lhe passou a Itália falida para, depois e próximo à eleição política, fazer forte e oportunista oposição.



Com efeito, o PD, -- que teve o maior número de votos graças à coalizão – busca alternativas. Na Câmara, o PD, com o prêmio estabelecido pela lei eleitoral, tem maioria: 340 cadeiras das 630 existentes.



Pelo noticiado hoje na imprensa italiana, o PD trabalharia com algumas hipóteses, apesar de Grillo, ontem, ter dito que não faria acordos.



Como sempre existe o dia seguinte,-- depois de uma noite de permeio. Então, o PD está a oferecer aos “grillini” (membros do movimento 5 Stelle) a presidência da Câmara. Isso, lógico, em troca de apoio no Senado e a formar maioria. Todos sabem bem que o PDL de Berlusconi conseguiu 117 de cadeiras no Senado, contra 120 do PD de Bersani e 54 do movimento de Grillo. O Senado é integrado por 315 senadores e a maioria se dá com 158 deles.



Fala-se em acerto entre PD e o PDL. Isso é desmentido pelos “caciques” do PD. Eles afirmam, com razão, que seria uma traição aos seus eleitores celebrar um acordo com Berlusconi, que foi colocado, na campanha eleitoral, como o grande inimigo a vencer. E depois de 20 anos de “berlusconismo”, seria mesmo uma traição eleitoral. A propósito,, coube a Berlusconi afundar economicamente a Itália: ele só se recuperou diante de o governo Monti ter gerado assustador desemprego e baixo crescimento do “PIB”, que lá é chamado de “PIL” (prodotto interno lordo).



Para os que possuem olhos de ver, Berlusconi só teve espaço em razão da oposição de Monti. Assim mesmo, Berlusconi teve uma redução do eleitorado: quando venceu, pela última vez e se tornou premier, tinha obtido 37,4% dos votos. Dessa vez, nas eleições de domingo e segunda, conseguiu 21,6% dos votos.



Uma outra hipótese vem sendo falada. Seria a de um governo técnico e capaz de conseguir consenso no Senado. Não se sabe se Bersani seria o presidente do Conselho de ministros técnicos.



A última hipótese seria tentar governar sem alianças e chamar à responsabilidade, perante aos eleitores, àqueles que se opõem. Aí, dizem alguns analistas, haveria uma guerra de mídias fora do Parlamento.



Pano rápido. O presidente e chefe de estado Giorgio Napolitano ressalta, --com a sua grande força ético-moral e sempre notável bom-senso--, de que haverá uma solução e será a melhor para a Itália.



Walter Fanganiello Maierovitch


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Post de ontem, 26 de fevereiro de 2013.

Como frisei no post noturno de ontem, a coalizão de Centro-esquerda liderada pelo Partido Democrático (PD) de Píer Luigi Bersani venceu mas não levou pela falta de maioria no Senado: das 315 cadeiras (158 para maioria), o PD conquistou 120. Na Câmara, a maioria, com a premiação da lei eleitoral, pertence ao PD: 630 cadeiras, o PD obteve 340 e restou com 29,5% dos votos.



Berlusconi, da Centro-direita, logrou 117 cadeiras no Senado e 124 na Câmara. Como disse aos jornais, está vivo. Sim, mas não para concorrer a primeiro-ministro (chefe de governo): a maioria elegerá Bersani.



O “vivo” Berlusconi destruiu, no seu governo, as finanças da Itália. Saiu pela desconfiança e no seu lugar entrou, por acordo, o professor Mario Monti, que havia sido recém nomeado senador vitalício. Monti, um europeísta ligado à União Européia, foi chamado para um governo técnico. Seguiu a linha ditada pela Alemanha e, em nome da austeridade, produziu recessão. O desemprego aumentou e o país não cresceu internamente. Esse desastre de Monti deu espaço ao discurso de Berlusconi de reformas e fim da dependência de Ângela Merkel. Numa rápida síntese, Monti deu espaço para o renascimento de Berlusconi.



Conforme escreveu hoje o editorialista Massimo Franco do Corriere della Sera: - “Berlusconi che aveva portato l´Italia sull´orlo del pricipizio finanziario dimomostra ... la sua capacita di parlare alla pancia”. Ficou claro que ele sabe falar aos eleitores de barriga (ou em risco) vazia.



Mas, como frisei no post de ontem, os analistas apontam Beppe Grillo, o humorista-populista genovês, como o grande vencedor. Liderou o voto de protesto e contra a política europeísta imposta à Itália. Mais ainda, alvejou o sistema político e a falta de renovação de lideranças. Venceu ao receber ¼ dos votos válidos: 54 cadeiras no Senado e 108 na Câmara. A propósito, velhos caciques da política italiana não se elegeram: Fini, Casini, Di Pietro, etc.



O professor de economia e europeísta Mario Monti conseguiu 18 cadeiras no Senado e 45 na Câmara. Foi como os cidadãos italianos avaliaram o seu governo, ou seja, fracasso absoluto.



Como ninguém tem maioria, a Itália ficará, na próxima legislatura, ingovernável. Sem alianças, o PD não conseguirá governar. E Grillo não aceita alianças ( “ciuci”, no jargão de origem napolitana”) pois fez campanha e chamou de falidos Bersani e Berlusconi.



Novas eleições. Talvez, mas só se o novo governo não conseguir acordos e alianças.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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