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A renúncia surpreendente do papa Ratzinger

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 11 de fevereiro de 2013.


Pontífice- pontifex. O termo vem de ponte. A ponte (pons) que conduz às coisas sagradas.



O papa Ratzinger surpreendeu e, como chefe de uma monarquia eletiva (é eleito em caráter vitalício por uma assembléia de cardeais e estes se proclamam ao votar instrumentos do Espírito Santo, ou seja, de Deus) renunciou ao trono.



Está claro que Ratzinger quis passar, --no Conclave estabelecido pela força do Concílio Vaticano II e em primeira mão aos cardeais--, a imagem de responsável, pois, a seu juízo, não mais tem a força para guiar a Santa Fé, o Vaticano e a Igreja Católica: as três coisas são diversas e basta atentar para a nova Constituição da Cidade do Vaticano, de 22 de feveriro de 2001, e o novo Código de Direito Canônico de 1984, com destaque ao artigo-canone- 331). Não se deve esquecer que Ratzinger assumiu o trono velho, quando tinha tido problema de saúde (coração).



Quando a sede papal fica vacante, a Santa Sé é dirigida por um colégio de cardeais e pelo cardeal carmelengo.



Sobre a soberania da Santa Sé, ----- numa monarquia na qual o papa pode tudo (diversa das limitações às monarquias européias modernas) e detém os poderes administrativo, legislativo e judiciário (não se abalou à tripartição fundamental implantada a partir do século XVIII nos estados não teocráticos)---, lembro uma decisão da Corte de Cassação da Itália, de 1979: - “ Alla Santa Sede, nella quale se concentra la rapresentanza della Chiesa Cattolica e dello Stato della Città del Vaticano, è stata riconosciuta la soggettività Internazionale a entrambi i titoli”. Em resumo, a Santa Sé é uma pessoa jurídica de direito público que exercita a soberania por meio da figura do papa. E compete ao papa escolher os seus auxiliares no governo (cúria).



A carta lida aos cardeias aponta, segundo observadores, para a necessidade de se eleger um papa jovem, com força para governar: mas não é o Espírito Santo que elege ???



O papa Ratzinger irá para um monastério na Suíça. Não se sabe se irá encerrar a carreira de teólogo. Vivo e como teólogo poderá escrever e se posicionar contra o novo papa. O cardeal Tarcisio Bertone, que segue o papa desde a passagem pelo Santo Ofício ( atual Propaganda Fide), sempre foi apontado como sucessor de Ratzinger. Só que ele nasceu em 1934 (78 anos de idade) e assumiria com a mesma idade vetusta de Ratzinger. Fora isso, ele leva a fama de ter acobertado as apurações contra padres pedófilos. Fora isso, Bertone, como cordenador da cúria (leva o nome de secretário de estado), mostrou-se um trapalhão, até no episódio do vazamento de documentos pelo mordono do papa.



Com efeito, vamos esperar que os vaticanistas consigam transmitir se a decisão de Ratzinger foi refletida e pessoal ou se sofreu pressões de “forças ocultas”, para usar uma expressão do golpista Jânio Quadros.



--Wálter Fanganiello Maierovitch


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