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Mensalão e a eleição do ministro Joaquim Barbosa

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 11 de outubro de 2012.


ministro Joaquim Barbosa




Na condenação do núcleo petista dado como corruptor e comandado por José Dirceu--, o supremo ministro Barbosa só não foi acompanhado pelo suspeito Dias Toffoli e pelo revisor Lewandowski, cuja ficha ainda não caiu.


Ontem, Lewandowski voltou a insistir numa interpretação muito particular. Vale dizer, na inaplicabilidade da teoria do domínio dos fatos e, por evidente, para sustentar o seu voto de absolvição de Dirceu.


No particular, Lewandowski esquece que, no caso e como frisaram ontem Celso de Melo, Ayres Brito e Rosa Weber, a condenação não se sustentou apenas nessa teoria. Sem ela haveria condenação do mesmo jeito. Isto porque e como explicaram os ministros, a prova indiciária, por se encaixar à prova direta, bastava para autorizar a condenação.


Sobre cair a ficha, José Genoíno deixou a assessoria do Ministério da Defesa. Ontem mesmo, e fora dos autos, Genoíno passou a exercitar a ampla defesa, com base no sagrado “ius sperniandi”, ou seja, no direito de espernear.


Mas, quieto ficou Delúbio. O Mensalão movimentou mais de R$153 milhões e Delúbio não admitiu, no processo, ter ficado com R$500 mil para si próprio, como lembrou o ministro Ayres Brito.


Os fatos nada dignificantes revelados no Mensalão e a eleição de Joaquim Barbosa me conduzem a um escrito do grande jurista Piero Calamandrei.


Esse escrito, conhecido como “elogio aos juízes”, conta a vida de miseráveis holandeses, lapidadores de diamantes. Só uma só daquelas pedras bastaria para tirá-los da miséria. No final da jornada,-- depois da entrega de todas as faiscantes pedras aos proprietários--, os lapidadores abriam os bornais com alimentos. E abriam e comiam naquela mesa onde passaram os tesouros alheios. Eles faziam a frugal ceia e cortavam, -- com as mãos que lapidavam os diamantes dos ricos--, o pão das suas honestas pobrezas. O juiz, terminava Piero Calamandrei nesse seu escrito, também vive assim, ou seja, honestamente.


Barbosa cabe nesse elogio pois é homem honesto.. Como se diz no campo, Barbosa é um pouco “coiceiro” e já o critiquei. Mas no elevado cargo deverá melhorar com banhos diários de civilidade. Fica, aqui e já que citei um saudoso e grande jurista italiano--, com um “in bocca al lupo”, ou seja, muito boa-sorte ao ministro Barbosa.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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