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Ministro Barbosa concluiu por políticos na gaveta e mala-preta no Mensalão.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 20 de setembro de 2012.



ministro Joaquim Barbosa





São tantas as observações que vou fatiar o comentário, como o Supremo Tribunal fez com o Mensalão.

--1ª.fatia. Mãos Limpas.



A Operação Mãos Limpas ficou conhecida no mundo inteiro. Ela reprimiu a corrupção na política partidária italiana e teve início em fevereiro de 1992.



Todos os partidos italianos, diante do escândalo, acabaram extintos e até o ex-primeiro ministro Bettino Craxi teve de fugir para a Tunísia para evitar a cadeia.



Ao contrário do Mensalão, na “Mani Pulite” não houve suspeita de compra e venda de votos de parlamentares para apoio ao governo e de modo a destruir o sistema democrático.



Num pana rápido e caso o Supremo confirme a compra de votos de parlamentares, isso representará um diferenciador entre o Mensalão e a italiana Mãos Limpas.



--2ª.fatia. A porta fechada.



O ministro Barbosa não só condenou os chefões do PTB, PL (hoje PR) e PP. Hoje será votada a imputação contras José Borba, do PMDB e para fechar o núcleo político dos corrompidos: corrupção passiva.



. Pelo voto de Barbosa, basta, ---para a consumação do crime de corrupção passiva--, o recebimento do dinheiro. Em outras palavras, trata-se de crime formal, ou seja, daqueles que a consumação ocorre com a realização do núcleo do tipo, que são os verbos. No vaso, “receber” vantagem indevida.



Como basta isso, fica a pergunta sobre a razão de Barbosa ter concluído, longamente, pela compra de votos.



A resposta técnica não é complicada. Barbosa fechou a porta para a tese de caixa dois, ou seja, de crime eleitoral, fora da acusação e que já está prescrito.



Atenção: o revisor ou os oito ministros-vogais poderão não concordar. Ou seja, ainda não está decidida essa questão: compra de voto ou de crime eleitoral por caixa dois ??????



--3ª.fatia. A suprema prudência



Como a questão da compra de votos ainda está em aberto, foi prudente o acordo entre o relator e o revisor. Acordo para deixar para mais tarde (cerca de três sessões) o exame da responsabilidade criminal dos acusados de serem os corruptores (corrupção ativa). Pela denúncia, eles foram Delúbio Soares, José Genoíno e José Dirceu, todos do núcleo dominante e petista.



Embora isso prolongue agonias e aumente a ansiedade do pessoal que se comporta como integrante de torcida organizada, era de rigor, tecnicamente, a prudência.



--4ª. fatia. O milagre da multiplicação.



O Mensalão tem um lado místico.



Pelo voto do supremo ministro Barbosa, o então universal bispo Rodrigues recebeu uma mesada de R$400 mil. O então universal bispo Rodrigues contou ter recebido apenas R$150 mil. Está aí, --para os incrédulos e adaptado aos tempos atuais--, o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes.



Misticismo a parte, tem o lado futebolístico do Mensalão.



--5ª.fatia. Gaveta e mala-preta.



No futebol, e os ingleses inventores desse esporte não imaginaram, apareceu a figura do goleiro gaveteiro. E, também, da mala-preta para a compra de resultados dentro das quatro linhas do gramado.



No caso de prevalecer o voto de Barbosa, ficará patente, -- na política partidária--- a existência de “políticos gaveteiros” e de o PT ter feito uso da mala-preta.



O deputado federal Waldemar Costa Neto foi o mais caro para se comprar, consoante revelam os autos processuais do Mensalão. Ele levou R$10 milhões em dois anos e para entregar do jogo para o governo.



Roberto Jefferson, um Varão de Plutarco às avessas, embolsou R$4,0 milhão, segundo Barbosa e para o governo ganhar no tapetão.

--Wálter Fanganiello Maierovitch---


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